As nuances da sua íres são inigualáveis

Você já se pegou vendo as outras pessoas, com suas especificidades, qualidades e troféus, olhou para sua estante, seu espelho e sua carreira e pensou “caramba, que grande fracassado eu sou”? Olha, eu já. Digo pra você, sem o menor pudor em me despir aqui em público e falar que nem sempre estou bem comigo mesmo.  E geralmente quando não me encontro completamente feliz com quem sou, é porque não estou encontrando em mim aquilo que o outro é, e/ou nem aquilo que o outro espera que eu seja. 

Dentre outros diversos motivos, tanto quanto intangíveis e indescritíveis, afirmo pra você que se hoje a sua autoestima não está no auge, é porque falta você olhar um pouco mais nos seus próprios olhos e perceber que as nuances das cores da sua íris são inigualáveis e nem mesmo os mais miseráveis príncipes e os mais majestosos subalternos – e vice-versa -, jamais alcançarão essas tonalidades. 

Talvez você não seja o melhor vendedor da sua loja, ou nem mesmo a mais habilidosa advogada do seu escritório, mas uma coisa posso te garantir, você está ocupando um lugar que sem você ficaria um vazio inconcebível. Talvez ao ser um jornalista e amar escrever crônicas e poesias imperfeitas, eu esteja condenado a nunca ser o apresentador do maior telejornal do país, mas tudo bem, pois esse apresentador jamais poderá escrever com uma tinta que fale diretamente com o coração do público.

Entenda seu lugar no mundo, ele não é o mesmo que o meu, e isso é excelente! Deus me livre de viver a sua vida, e calma, isso não é uma ofensa. Deus te livre de ter a minha vida também. Às vezes eu esqueço dessa máxima e quero muito ser você, é por isso que escrevo esses textos, para tentar cravar e reafirmar que eu basto como ser que sou. 

Se você acordar amanhã e ter um ataque de insatisfação com sua imagem, abra esse texto no celular e antes mesmo de levantar da cama releia-o. Espero que ele te ajude, assim como ajuda a mim, que escrevo pra tentar viver essa realidade que tanto prego.

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É possível ser feliz em meio as tempestades

Tempestade no mar interno

É difícil se sentir em paz. Encontrar o seu lugar no mundo. Olhar pra dentro e ver a si mesmo de maneira a contentar-se com a imagem que ali está. Eu sei que é, te entendo. A mente muitas vezes trabalha a mil por hora, não permitindo que encontremos a paz, a calmaria que nossa alma tanto clama. Tô sabendo que é foda. Mas se tem algo que também sei, é que encontrar em si a base para respirar tranquilo e ficar em paz com a imagem que vê em frente ao reflexo interno da alma é possível. Continue reading “Tempestade no mar interno”

Chega de mentiras, de negar o meu desejo

Todo ano é a mesma coisa. O blog morre no início e renasce das cinzas logo depois. Já faz cinco anos que é assim, eis a essência do Regra, ele é feito com o coração e quando o mesmo está mudo ou atordoado demais com outras demandas, me calo por aqui. Mas aos poucos o coração tem voltado a falar, a doer a exigir que eu transmita tudo isso que tenho vivido.
Esse é um blog pessoal, com pensamentos e sentimentos controversos que rondam e conduzem minha mente. Mas ele também é pessoal para a Eline Carrano e Rafaela Manicka, assim como já foi para tantos outros colunistas, que assim como eu, vem e vão “nessa loucura de dizer que não te quero” para o Regra.
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Bem, estou escrevendo às vésperas de fazer uma viagem internacional, o que provavelmente quer dizer que vou sumir de novo por uns dias. Mas tudo bem, se sumo é porque precisei e se volto, é pelo mesmo motivo.
Mas pra que viver fugindo se eu não posso enganar meu coração?

Ensaio sobre os dias que já não dizem mais nada

Eu me vi envolta a diferentes tipos de planos e promessas que fui deixando pelo caminho enquanto me permitia viver. Toda vez que alguma coisa fugia de meu controle, eu abandonava a cria e deixava para lá, pois sempre me foi mais fácil começar tudo de novo a ter que continuar insistindo no que eu via que não ia dar certo. Aqui, no alto dos meus 26, permaneço com as amarras que criei aos 16, impedindo com que meus pés percorressem as trilhas que a mim foram destinadas, longe de tudo o que pudesse me fazer cair. E mesmo não tendo nenhum obstáculo entre meu corpo e o resto do mundo, me peguei observando o céu, as estrelas e tudo o mais pelo ângulo mais baixo possível, também conhecido como o chão.

De fato, todos os anos de lutas bravas e inglórias tornaram-se úteis para algo em minha vida: mostrar, cada vez mais, como não se deve fazer algo – além de me fazer parar de insistir naquilo que só tende a piorar, é claro. Os dias tem sido obscuros e apáticos, o que não quer dizer que isso é de todo ruim, já que sempre os usei como mote para colocar minhas inseguranças, incertezas e todos os in possíveis dentro de um único conjunto de palavras destinado a ser jogado fora. Coisas que não me agregam não podem ficar presas a mim e é até por isso que dou um jeito de descartar aquilo que não me faz bem – e nessas, acabam indo junto alguns itens que sempre prezei, como é o caso da minha vontade de fazer tudo acontecer e dar certo. Mas eu juro que é sem querer.

Conforme minhas partes positivas se esvaem por entre meus dedos, tento me focar em métodos que podem fazer com que eu me sinta um pouquinho melhor do que costumo normalmente ficar. Confesso que não é confortável, para mim, pertencer a lugares que já não me identifico e, mais ainda, estar na companhia de quem não tem mais nada a ver com quem me tornei. Eu cresci e isso só tem me mostrado o quanto devo me afastar daquilo que me puxa para baixo, que faz de tudo para ver o meu fracasso. Por mais que seja muito mais fácil acreditar no que os outros me dizem, lá no fundo eu sei que tenho potencial para desviar de todos os empecilhos que eu mesma coloco diante de mim. Porém, o fato de apenas me deixar levar pela figura que criam de mim é muito mais fácil do que enfrentar meus próprios medos e dar a cara a tapa. Dependendo da força, pode doer.

Dias difíceis sempre existirão, independentemente de como você acorde. O sol continuará aparecendo, mesmo que tímido e entre nuvens, e as pancadas de chuva que vez ou outra surgem, podem vir no momento mais aguardado por alguém – mesmo que não seja você. Seja como for, a caminhada precisa continuar e os textos precisam ser escritos. Há vontade (caso tenha sobrado alguma depois do descarte feito, vai saber) e há potencial (a mesma que eu sei que existe em algum lugar aqui dentro), basta agora saber se há como juntar as duas coisas sem que se transformem em algo mais aterrorizante do que a minha própria vontade de me sabotar. Ela é enorme, às vezes chega a dar medo.

Para todas as pessoas das quais me afastei

De uns tempos pra cá, minha vida mudou. Não sei bem como, mas desde que percebi isso, passei a olhar os dias com muito mais leveza. Em alguns, é claro, cometo deslizes e me vejo, também, cometendo erros onde não eram pra existir. Mas dizem que aprendemos com os erros, então continuo percorrendo esse caminho tão estranho e prazeroso.

Desde pequena, me esforcei demais em ser alguém, bem como fazer parte de algo. Acredito que consegui, mas infelizmente alguns poréns vieram junto. Tudo bem, é a vida, eu diria para mim mesma há alguns anos. Mas conforme o tempo foi passando, aprendi a usar todos os poréns possíveis de forma que eu também crescesse com aquilo. O que eu não comentei ainda é que cada um desses poréns tem nome, endereço e uma certa relevância no que sou hoje. E isso dói, porque quando menos espero, lá vem algum deles perguntando por que estou assim ou assado.

Espero ter que falar isso apenas uma vez, então lá vai: sim, eu mudei. Na verdade, como a minha vida mudou, eu acabei indo junto. E mudar é bom, certo? Quero dizer, a gente aprende a caminhar com os próprios pés, deixando meio longe aquilo (ou aqueles) que já não te faz tão bem assim. Acabei deixando pelo meio do caminho o que já não conseguia mais carregar. Foram anos de comentários, olhares, julgamentos e likes que eu nunca pedi pra ter. A vida vai muito além das redes sociais – e isso eu só fui perceber depois que caí o mais feio de todos os tombos que já tomei.

Portanto, não me levem a mal e desejem o meu bem. Eu fiz o que achei que seria melhor pra mim. Já cansei de ir de um lado pra outro sem ter a quem recorrer quando tudo dava errado, nem mesmo aqueles que se diziam sempre por ali quando eu precisasse. Então, segui sem isso, sem eles, sem ninguém que não achasse necessário. É como se tirasse de mim camadas de roupa no mais extremo calor. É libertador sentir-se livre de tudo o que te leva pra baixo ou que traz o pior que existe dentro de você. E eu… bom, eu desde sempre só quis ser alguém e ser o meu melhor; mostrar o meu melhor. Foi pra isso que fui criada e é pra isso que quero criar os meus outros futuramente.

Então, ó, pra finalizar: não fiquem tristes porque me afastei, não. Pensem que até mesmo eu, se pudesse, me afastaria de mim. Mas como não dá, sigo sendo a minha melhor companhia na minha melhor versão.

A depressão é injusta

A depressão é um monstro que quer te devorar. Comer suas vísceras enquanto você implora por clemência. A depressão não observa idade, cor, gênero ou classe social. A depressão é cruel, é imoral, é perversa. Ela te abraça nos piores e melhores momentos da sua vida. Estou te avisando, essa maldita não tem piedade.

A depressão amedronta os mocinhos e os vilões, os bonitinhos e os feios, os corajosos e os covardes. Nos momentos das mais gloriosas vitórias ela vem e te joga no chão, só pra te lembrar que esses momentos bons vão passar e que no fundo a vida continua sendo uma merda.

Você pode amar e ser amado, querer e conquistar, mas ela não se importa com isso, ela não se importa com nada. Ela só quer o seu fim. Ela te alimenta e se alimenta do seu desgosto. Ela quer que você não veja o brilho nos olhos das crianças e nem o sorriso da sua platéia.

A Depressão é uma desgraçada desalmada que te mistura com os excrementos da síndrome do perdedor. Se você chega em primeiro ela te lembra que ainda não alcançou o recorde histórico. Se você conquista ela te lembra que dava pra ter conquistado mais. Se é amado ela te lembra o quanto você já machucou esses amantes.

Ela está sempre ali, do seu ladinho, esperando a primeira brecha pra te destruir. Ela é o ó do borógódó.  Hoje você acorda bem e amanhã você é ela, a depressão em pessoa. Cuidado, uma vez que em ti ela faz morada, é muito difícil de expulsa-la, pois ela passa a ser amalgamada na sua alma.

Quando estiver sendo enforcado por ela lembre-se, ela jamais é justa, jamais é boa, jamais é bem vinda. A vida vale mais e a depressão sabe disso, e tenta fazer com que você jamais se lembre dessa dádiva.

Ser ou não ser

Todos meus arquétipos deitam comigo na cama, me acariciam os ombros e me fazem dormir sonos perturbados, incoerentes, cheios de sudoreses e saudosismos. Alguns, mais freudianos, erotizados com ares de Dionísio. Outros mais poéticos, shakespearianos natos e ritmados. Há dias que eu caio no abismo profundo do não saber o que desejar daqui cinco anos, há dias que eu simplesmente tenho certeza do que eu não quero agora. E só o agora segura meus pés aqui, nessa linha tênue entre a loucura e um tanto de orgulho de não ser mil coisas que eu poderia ter sido. E só o agora me lembra das outras mil coisas que eu poderia ser, mas não sou.

Continue reading “Ser ou não ser”

Acordei cego e esse foi meu pior pesadelo

Ontem eu acordei e estava tudo completamente escuro. Eu sabia que isso não poderia estar acontecendo, pois mesmo no meio da madrugada a luz da noite se faz presente. Mas estava escuro, eu não via nada ao meu redor. Ouvi minha esposa levantar e dar bom dia ao meu cachorro. Esfreguei os olhos e continuava no breu total.
Refleti por alguns segundos e logo percebi que estava completamente cego. Quantas vezes na minha carreira como jornalista entrevistei pessoas que ficaram cegas assim, da noite para dia? Logo vi que tinha chegado a minha vez. Meu coração congelou, tentei lembrar rapidamente quais tinham sido as últimas coisas que eu havia observado, mas nada me veio na mente, pois não tinha feito questão de guardar nada comigo. Nenhuma cor, nenhuma textura, nada na memória, nada no presente, apenas o breu e o medo da nova vida que me aguardava.
Tentei gritar, mas minha voz não saía. Bati na porta desesperado e minha esposa, acostumada com minha maneira moleque de levar a vida riu e disse para o nosso cachorro que o pai dele estava louco, batendo em tudo. Eu tentava ir até ela, mas nem se quer no caminho da minha própria casa eu tinha prestado atenção. Levamos tudo tão no automático que não percebemos as belezas que temos nos corredores dos nossos apartamentos. Tentei gritar mais um pouco, bater nas coisas pra ver se ela vinha me acudir, e ouvia apenas o sorriso daquela que me amava tanto, ao ponto de saber que eu fazia piada com tudo.
Quando finalmente consegui chegar na porta, acordei assustado, com o coração acelerado, tudo aquilo foi um sonho. Quando abri os olhos olhei pela janela, e vi como é lindo a luz solar que entra para iluminar e aquecer meu quarto. O espelho que reflete a imagem da cama, como se registrasse a fotografia daquele momento. O rosa do nosso edredom e o azul do outro cobertor, tudo isso passou a se tornar tão precioso.

Fui ao banheiro e me olhei no espelho, joguei água gelada no rosto e vi as gotas escorrendo pela face. Admirei as formas, admirei a mim. Costumamos não dar importância para as coisas simples da vida, mas percebi que não importa quão simples seja o momento, mas ele é precioso apenas por existir.

Se eu perdesse a visão hoje, como tantas pessoas perdem todos os dias, será que teria aproveitado as cores? As formas? As texturas? As aparências? Será que tenho vivido meus dias observando os detalhes preciosos? Tudo isso passou a fazer sentido dentro de mim e se tem algo que eu lamento é saber que em pouco tempo esquecerei desse susto que passei, e voltarei a viver como se tudo por aqui fosse eterno.

Bem, pelo menos estou deixando registrado aqui, quem sabe se amanhã ou depois eu voltar para ler esse texto eu lembre da importância de aproveitar para admirar a beleza de tudo que tenho ao meu redor.

Jesus Cristo e as Eleições de 2018

jesus cristo

Esse blog destina-se desde sua criação a levar seus leitores a pensarem diferente, ver a vida de um outro ângulo. Sempre evitamos aqui, o máximo possível, misturar a fé com a razão, a religião com a política. Mas devido as grandes proporções que os discursos religiosos tem tomado na sociedade para embasar discursos de ódio, acredito que esse é o momento de te chamar para analisar.

Primeiro você tem que ter claro na sua mente que o Estado é Laico, e como tal, não pode ter suas leis embasadas em nenhum dogma religioso. Mas de outro lado, o que mais se vê nas redes sociais, são [pseudo]cristãos com um discurso completamente diferente daquilo que sempre pregaram nas próprias redes.  Continue reading “Jesus Cristo e as Eleições de 2018”

Deus desistiu de nós e queimou o Museu Nacional

Dona Maria atravessou a rua, um mendigo lhe pediu “uma esmolinha por favor, para matar a fome”, e dona Maria o mandou a merda. Uma fagulha saiu de dentro de dona Maria e subiu pelos ares, sem ninguém ver.

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