Category Archives: Livre Expressão

Mutirão Boa Vista

Entre os dias 1 e 3 de março vai acontecer um grande Multirão da Cidadania no bairro Boa Vista. Dentre as ações previstas, está a liberação de 1.100 senhas para os serviços de identificação, como RG por exemplo. Continue reading Mutirão Boa Vista

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A necessidade de pertencer 

A complexidade de não encontrar em si o sustento necessário para sanar a sede da alma, faz com que busquemos no cais alheio o líquido necessário para manter a cabeça em pé. É como se no fundo tivéssemos uma âncora amarrada no pescoço, que tenta nos grudar no lodo daquilo que gostaríamos de ser. É tão complicado lidar com tudo o que gostaríamos de ser em contraste com aquilo que os outros gostariam que fossemos, que acabamos não sendo nada, e nesse breu encontramos a dor.

A dor nos leva a necessidade de buscar um remédio que tape as escaras do peito. E geralmente caímos na amarga ilusão de achar que a solução para tamanho caos está no pertencer. Aí entra o maior erro de todos, no lugar de buscarmos pertencer a nós mesmos – o que em alguns casos já seria uma grande bosta – caímos no abismo de buscar pertencer aos outros. Mas como alguém vai se interessar por uma pessoa que não se interessa por ela mesma? Deveríamos buscar sempre responder a essa questão.

Mas realmente entendo como é difícil responder ao que quer que seja, pois diante dessa tormenta de tentar entender quais são as perguntas da vida, percebemos que não temos as respostas. Alguns não as têm por pertencer demais a si, ao ponto de não conseguir olhar mais nada a não ser o espelho. Já outros, de tanto buscar ser aceito, não consegue entender as perguntas por não ter em si as respostas necessárias.

Seguimos assim nessa insana explosão de contrariedades, diante de tudo aquilo que não temos, buscando ser o que não somos, para agradar aqueles que não gostamos. Dessa maneira, não pertencemos a nada e nem a ninguém – e quanto a ninguém, esse sim pode ser nós mesmos.

Regra Indica | 5 livros para surpreender o seu 2018

Durante todo o ano de 2017 fiz questão de anotar os livros que lia, só para fazer um balanço de quantos conseguiria ler no total. Foram 40 livros – dentre eles ficção, não-ficção, romances, de crônicas ou contos, sobre publicidade ou teoria da literatura, e por aí vai. O legal de ter feito isso é que percebi que saí um pouco da minha zona de conforto e, consequentemente, conheci um pouco mais de outros gêneros e também me surpreendi com a quantidade de material bom que há entre os escritores de nosso país.

O grande “culpado” por tudo isso foi o curso de Letras Português que comecei a cursar nesse mesmo ano. Não tinha como o cenário ser diferente, certo? Por causa dos meus professores, pude ter contato com autores que antes nunca tive interesse, além de, a cada leitura, ser um pouquinho mais crítica com ela. Tudo isso me amadureceu como leitora e apreciadora da literatura.

Diante disso, separei os 5 melhores livros que li no último ano (em minha opinião, que fique bem claro) e espero que vocês deem uma chance a cada um deles – ou, pelo menos, um deles. Vamos lá?

1 – Índice Médio de Felicidade (David Machado, 2013)

Numa escala de 0 a 10, o quão satisfeito você se sente com a sua vida? A vida de Daniel é nota 8, mas ele se vê obrigado a refazer esses cálculos estranhos e subjetivos quando uma grave crise atinge Portugal e começa a demolir seus planos. Desempregado, longe da mulher e dos filhos, vendo os amigos em situações difíceis e toda uma nova geração ameaçada, Daniel tem seu otimismo colocado à prova. A cada revés, à medida que seu índice médio de felicidade cai, uma força inexplicável dentro de si só parece aumentar. Na sua jornada para recuperar a esperança na felicidade, ele percebe que poderá desistir de tudo, menos de ajudar aqueles que ama. (Google Books)

* Clique aqui e leia a resenha que fiz sobre o livro.

2 – Gota D’Água (Chico Buarque e Paulo Pontes, 1975)

Versão brasileira de Medeia, Chico Buarque e Paulo Pontes se reuniram para revitalizar o texto de Eurípedes, escrito quase meio milênio antes de Cristo, submetendo-o uma injeção de nossa realidade urbana. Medeia é uma história de reis e feiticeiros. Gota D’Água é uma história de pobres e macumbeiros. Medeia é Joana, mulher madura, sofrida, moradora de um conjunto habitacional. Jasão aqui é Jasão mesmo, ainda jovem, vigoroso, sambista que desponta para o sucesso com uma música chamada “Gota D’Água”. Creonte também conserva o nome, e na nossa peça é o todo-poderoso do local, dono das casas, muito rico, o poder corruptor por excelência. A filha de Creonte é Alma, mocinha de veleidades pequeno-burguesas. A aia de Medeia é Corina, amiga e confidente de Joana, que enquanto lavam roupa vão desenrolando o fio da história. (Google Books)

3 – Olhai os Lírios do Campo (Érico Veríssimo, 1938)

Eugênio Pontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a virar as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, Olhai os Lírios do Campo é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida. (Google Books)

4 – Detetive à Deriva (Luís Henrique Pellanda, 2016)

Nas crônicas de Detetive à Deriva, as belas estranhezas do dia a dia – como uma família de urubus nas alturas de um prédio, um par de botas abandonado, um solitário bebê chinês na calçada e um enigmático rastro de pétalas – estabelecem a relação entre o flâneur e o investigador, entre os observadores da poesia cotidiana e os autores policiais. Fugindo da tendência atual de transformar o espaço da crônica na imprensa em tribuna de opinião, Luís Henrique Pellanda, grande renovador e um dos principais autores contemporâneos do gênero, inspira-se nas ruas e nas janelas de sua Curitiba. Em pistas que só o cronista vê, o mistério das coisas pequenas se revela ao leitor com a leveza e o encanto de uma história bem contada. (Google Books)

5 – Ele Tem o Sopro do Diabo nos Pulmões (Marcelo Amado, 2016)

Lá de cima, da caravela que passa, aquele é apenas um lugar estranho, distinto. Mas é ali embaixo que as almas banidas devem ficar eternamente presas nas terríveis Gotas de Âmbar. No entanto, algo se mostra muito errado quando um homem consegue burlar o seu destino. E, ao se envolver com uma misteriosa mulher, tentará escapar desse mundo abissal. Depois, um jovem se tornará o maestro do espetáculo circense mais horrível da Terra. Uma figura enigmática em busca do melhor – ou pior – para o seu espetáculo perfeito, doentio. O romance de horror Ele Tem o Sopro do Diabo nos Pulmões apresenta o grotesco e o sobrenatural que transitam por uma atmosfera carregada de gore, insanidades e um toque de steampunk. Bem-vindo ao maior espetáculo de horrores já visto! Bem-vindo ao Cirque Le Monde Bizarre! Mas tome cuidado para não ser a próxima vítima das insanidades do… leal Tissot. (Amazon)


Espero que vocês apreciem cada leitura dessas assim como eu apreciei. Bom 2018! 😉

Que tiro foi esse viado?

Jornalista é uma merda. Toda vez que nos reunimos lá surge logo aquele velho assunto [leia com a voz assustadora]: P O L Í T I C A! E olha o Lula vindo…. Olha o Bolsomito  indo [desculpa a referência antiga e sem vergonha]. E quando surge o nome do “político mais honesto do Brasil” [pausa dramática com olhar sério e debochado]  começam as teorias da conspiração.

Alguns acreditam que o conservadorismo vai tomar conta e que puta, preto e  viado vai tudo morrer. Já eu acredito  no contrário… O conservadorismo pode até tomar conta, mas uma vez que a população saiu do armário não há candidato conservador que segure.

Olhe a história recente, Jango no poder ameaçando atender aos clamores popular. Teve-se o golpe militar e vinte e um anos depois, lá estava a população podendo votar. Incluindo os pobres e analfabetos.

Ou seja, os conservadores podem até tomar o poder. Torturar, matar e  amedrontar uma parcela da população. Mas parar o avanço da  humanidade? O avanço dos direitos individuais? O avanço democrático daqueles que querem ter suas vozes representadas? Isso não, jamais.

A população homoafetiva do país está demonstrando cada dia mais que está com a artilharia montada para exigir de vez o seu lugar. As  mulheres estão assumindo não apenas os postos de trabalho, mas os lugares de destaque nas ruas. Os negros estão se fortalecendo e impondo respeito nos debates públicos.

E como forma desesperada de impedir esse avanço os conservadores levantam muros. Alguns em forma de  texto, outros de candidatos. Mas meu amigo é bom reforçar esses muros aí, pois o tiro que está vindo do lado de cá está um arraso.

4 anos de Regra dos Terços e não prometo mais nada

Por mais que eu não queira, esse sou eu. Desde o início, sou eu. Eu não posso prometer que manterei uma frequência, não posso prometer que irei me dedicar mais. O que  posso prometer é que continuarei assim, fazendo tudo do fundo da alma, inclusive isso aqui, escrever nesse  blog que vive, morre e renasce há quatro anos.

Mano, quatro anos é tempo pra caramba! Uma criança com quatro anos já anda, já fala e já está mostrando ao mundo o que ela quer. Ela tenta enganar seus pais – sim, pasmem senhoras e senhores, crianças mentem! –   tudo para conquistar seus desejos. Com o Regra não é diferente, ele tem suas vontades próprias, os seus próprios caminhos.

Tem dias que esse blog não me deixa fazer o que quero. Não deixa com que eu o utilize para aquilo que o criei, simplesmente porque nesse dia ele não está afim. Tá, talvez você esteja me achando louco, mas juro que todo o meu sumiço daqui não foi minha culpa, foi esse filho de uma intranet maldita que não me permitiu utilizar seu espaço para expor meus anseios.

Mudamos o layout na última semana do ano passado. E lá vim eu, boboalegre tentar fazer um baita textão bonito da porra para que todos vissem a nova cara dessa criança travessa. E ela o que fez? Se escondeu. Não me deixou criar com ela. Fez birra a lazarenta. Ok, ok. Pensei eu. Amanhã pego esse blog de jeito. Mas o amanhã não chegou tão cedo.

O ano acabou, e eu vi que tínhamos atingido a marca recorde de acessos anuais do blog. Obvio que  meu desejo era gritar em LETRAS GARRAFAIS para vocês saberem o quanto sou grato por tantos acessos. Mas nesse dia o Regra tinha acordado com o script virado pra  lua. E no fim, foi um texto bonitinho na nossa página do Face mesmo e só.

Parece desleixo da minha parte, mas sempre levei esse blog assim, com o coração. E se o coração não deixa a brisa da inspiração bater, foi mal, jogo a culpa no blog mesmo. Afinal, ele não fala se não for mim – ou pelos outros escritores. É meio cruel, mas como diria um jornalista amigo meu – está mais para ídolo na vida real – todo mundo tem um ditadorzinho dentro de si.

Mas até os ditadores não deixariam de comemorar o aniversário de um filho, e de agradecer aqueles que fizeram com que a vida dessa criança continuasse se prolongando. Por isso deixo aqui registrado o meu muito obrigado a cada um de vocês! Que venham mais quatro, mais oito… dezesseis já não sei, é tempo demais para  saber, ainda mais pra mim, que prometi  que além de continuar a escrever com o coração não prometo mais nada.

Retrospectiva

Esse ano não foi fácil. Foi daquele jeito lá – como é que os jovens dizem? Tiro atrás de tiro? Pois então, foi. O ano nem acabou ainda, mas já o considero como pilar máximo que sustenta o que chamo de vida. Nada veio ao chão, muito menos eu. É claro que houve um deslizamento ali, outro acolá, mas desmoronamento? Nenhum.

A vida é isso aí mesmo. Um tal de tropeça, cai, levanta. Tropeça, cai, levanta. tropeçacailevanta ad infinitum. Mês atrás de mês, deixando tudo o que aconteceu nele e apenas nele. Coisas pequenas para preocupações demasiadas grandes nunca foram proporcionais entre si – talvez seja até por isso que às vezes é mais cômodo tropeçar e ficar ali pelo chão mesmo. Com tanta chuva caindo ao redor, não me admiraria caso caísse também uma lágrima do anjo que insiste em tentar me levantar. Os anjos só não existem para quem não acredita em sua existência.

Pessoas se foram, outras chegaram. Tudo bem, é a lei da vida, eles disseram. No dia em que eu descobrir quem são eles, não sei do que sou capaz. Até parece que fazem de tudo para me boicotar, será que é por eles que não consigo chegar onde sempre quis? Não chego porque tropeço, caio, levanto, tropeço mais uma vez e mais uma vez permaneço ao chão. É mais fácil – e mais fresco, faz muito calor aqui na Terra. Derreto-me em forma de pó, pois com tanta secura que se instalou já não há mais água que transpire de meu corpo. Esgotaram-se pelas lágrimas, escorreram pelo meu rosto dedos corpo. Tropeçaram, caíram, mas jamais se levantaram.

Últimos meses, últimos dias – só não digo últimos anos porque não é o que realmente quero. Espero momentos melhores de dias iguais. Os dias não foram ruins, apenas cansativos. Duros. Infinitos. Dias em que tropecei, caí e levantei incessantemente. E mesmo com tudo isso, com todos os arranhões e tropeços e quedas e sorrisos e lágrimas e fracassos e vitórias e tudo mais o que se imaginar, permaneço de pé. Em frangalhos, mas de pé. Quase caindo novamente, mas de pé. Com todas as dores e pesos que o mundo insiste em jogar contra mim, mas de pé.

Essa tríade tropeçarcairlevantar foi fundamental para estar aqui. Foi com ela que pude perceber que estou viva – e isso é bom. Mesmo com tanta coisa ruim acontecendo. Sendo assim, desejo a todos um excelente ano novo com ainda mais tropeços, quedas e levantamentos.