É possível ser feliz em meio as tempestades

Tempestade no mar interno

É difícil se sentir em paz. Encontrar o seu lugar no mundo. Olhar pra dentro e ver a si mesmo de maneira a contentar-se com a imagem que ali está. Eu sei que é, te entendo. A mente muitas vezes trabalha a mil por hora, não permitindo que encontremos a paz, a calmaria que nossa alma tanto clama. Tô sabendo que é foda. Mas se tem algo que também sei, é que encontrar em si a base para respirar tranquilo e ficar em paz com a imagem que vê em frente ao reflexo interno da alma é possível. Continue reading “Tempestade no mar interno”

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Homem que é Homem não chora

11231265_919230418138800_5220171109740803350_nHomem que é homem não chora
debruçasse na dor e deixa os rios escorrerem pelos olhos
Mas chorar, homem não chora
Deixa areais invadirem suas pupilas e derramarem por seus olhos o ódio
Mas o homem? Esse não chora
Rompe as barreiras do medo ao afogar-se em suas mágoas

Mas homem que é homem não chora só um pouco.

O mundo no qual vivemos

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(Foto | Erick Reis)

O mundo no qual vivemos é rodeado de incertezas, de profundas ilusões e de muita agonia. Desde o nosso nascimento somos submergidos nesses sentimentos incertos que nos afogam e sugam nossas energias. Somos crianças, com todas as infantilidades que a maturidade nos traz somos incapazes de preservar a coragem, e assim, como em um ato infantil, afastamos todo e qualquer resquício de perigo que afete o nosso ego.

Dessa maneira nos tornamos loucos, débeis quanto ao nosso sentimento.  A insanidade habita o peito dos viventes, de todos os habitantes desse planeta insano. Nesse mundo habita os loucos, todos aqui são débeis, essa é a verdade e ninguém escapa dela. Os loucos estão soltos e ainda há aqueles que vivem encarcerados nos manicômios.  Uns dão vozes a sua insensatez, outros letras, ainda que mudos todos falam, mesmo que pra si mesmo as suas esquizofrênizes.

Todo o tormento vivido gera sequelas, mazelas e vielas de dor, sofrimento e desilusão. Uns vivem nos pátios dos sentimentos rasos, outros nas casas da ilusão, e por mais que nem todos habitem, seja no amanhecer ou no esplendor lunar, passamos pelas vielas da dor. Existem pessoas que abafam suas sequelas nos travesseiros, uns que o fazem nas ruas e outros, de tanto retê-las, abafam no caixão. Os que encontram na arte sua válvula de escape, o faz por saber que tudo aquilo que não é dito toma vida, vive em forma de morte, e entra em putrefação dentro de nós.

O caminho do homem é a luta pela felicidade, alguns a acham na morte e outros nas vitrines. A futilidade reina, ela é soberana sob os loucos incapazes de lutar contra sua vivencia fútil. A sociedade é cruel, pois é feita de humanos e esses por natureza são desprezíveis.

O amor seria a solução para o caos, mas como solucionar aquilo que falta no peito alheio? Eu escrevo para não morrer, e só não morro por não mais poder este ato exercer, sendo assim resta-me amar. Mesmo em meio a crueldade, a insensatez e a maledicência. Resta-me amar, a deus, sendo esse eu mesmo.

Eu não nasci pra viver essa vida

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(foto | Erick Reis)

Eu não nasci pra viver essa vida. Muitos falam pra mim (inclusive eu mesmo) que a vida é dura, que nem sempre podemos fazer tudo o que queremos. Mas vozes falam pra mim (vindas de mim mesmo) que a vida não precisa ser vivida assim, ela pode e deve ser vivida fora do sistema.

Temos apenas duas opções, ou nos encaixamos nos moldes padrões e vivemos segundo os demônios do mundo, ou vamos na contramão disso e enfrentamos os nossos próprios demônios. Qual é mais cruel? Qual tortura mais? Qual caminho é mais penoso? Pra muitos é o próprio, pra mim, é o de muitos.

A vida segue com os seres perambulantes do planeta, a grande maioria seguindo apenas o fluxo do rio. Eles não se questionam para onde estão indo, apenas vão porque todos estão naquele caminho. Li em um livro de um cronista curitibano que “nós passaremos em branco”, é Luís Henrique Pellanda, você tem toda razão, passaremos. Podemos fazer o que quisermos, mas ao fim de tudo, ao nos depararmos com a cruel realidade do abismo dos famosos sete palmos abaixo da terra (se bem que hoje, talvez na tentativa de fugir desse destino, muitos tem optado por sepultar seus mortos em gavetas verticais) tudo o que tivermos construído se esfarelará, assim como nossa massa corpórea. De que adianta viver uma vida mecânica? Agradando aqueles que assim como nós, desaparecerão ao passar de algumas milhares de noites? De nada meu caro, de nada adianta.

Se quer ser eterno, eternize-se na pintura, pois veja bem, até hoje falamos dos selvagens homens das cavernas. Se quer ser eterno, eternize-se na música, quase 200 anos depois, ainda falamos de Ludwig Van Beethoven. Plante uma árvore, ou milhares delas assim como fez Sebastião Salgado. Cada um tem sua maneira de eternizar-se, alguns só precisam encontrar.

Mas para mim, a grande questão da vida não é o fato de passar em branco após o falecimento, a grande questão é encontrar e rabiscar a folha central de si, para não passar em branco pra você mesmo.  Essa cruel realidade atormenta as noites de sono daqueles que a vislumbram mas ainda não conseguiram palpá-la. Esse é o mundo no qual vivemos.

Atos Heroicos

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(Foto | Erick Reis)

Atos heroicos são todos aqueles que decidimos sozinhos, seja para um bem coletivo ou pessoal. Atos heroicos acontecem a cada instante na nossa vida, a cada escolha, pois ao escolher algo eliminamos outro, assumindo assim as consequências. Nos fazemos senhores das escolhas, deuses naquela fração de segundo, mas ao mesmo tempo servos de seu desenrolar. Todos que optam  por algo (sem trair a si mesmo) de certa forma praticam heroísmo em maior ou menor escala. Você pode ser herói pra uma nação, mas ser seu pior carrasco, pois o verdadeiro herói de si mesmo é aquele que faz o que é necessário para uma noite tranquila de sono. De que adianta o aplauso de multidões se esses mesmos aplausos lhe enlouquece não lhe deixando dormir? De nada serve o aval alheio se temos a auto reprovação como resultado. Aqui tratarei de atos heroicos diários, de conquistas pessoais em pequena escala, pois somente após o domínio dessa modalidade é que podemos ir para níveis além do imaginável.

O primeiro conflito que me levou a escrever aqui, foi ver uma senhora, cabelos tingidos, 1.55 mt de altura, pele com rugas devido à idade, mas aparentemente cercada de cremes e boas noites de sono.

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(Foto | Erick Reis)

Era frio, em Curitiba estava uns cinco graus. Era tarde, 23:23 pra ser exato, número de mentiroso, em um sub-bairro de um bairro não tão bem visto. Acelerou o passo, entrou no ônibus vazio, devido ao horário. Quieta, solitária. Uma pergunta me veio à mente: o que a trouxe aqui? Tarde assim? Se ela aparentava boas noites de sono, por que estaria tão tarde na rua? Viera da igreja? Seria preconceito imaginar que toda senhora que perambula pela rua tarde da noite viera de uma igreja ? Seria ela uma jovem de aparência velha? Se assim fosse tudo mudaria, não mais se cuidaria, e sim viveria nos escarnidos da carne. O meu ponto chegou, não tenho tempo de maiores reflexões, preciso ir dormir, pois das oito horas ditas como necessárias para um bom repouso já foram-me roubadas duas. Adentro o condomínio, dirijo-me ao meu recluso lar. O que eu refletira? Já não lembro mais, preciso esvaziar a minha mente, pois ao acordar serei extremamente forçado a usar a memória, por um longo dia. Eu não nasci pra viver essa vida.