Para todas as pessoas das quais me afastei

De uns tempos pra cá, minha vida mudou. Não sei bem como, mas desde que percebi isso, passei a olhar os dias com muito mais leveza. Em alguns, é claro, cometo deslizes e me vejo, também, cometendo erros onde não eram pra existir. Mas dizem que aprendemos com os erros, então continuo percorrendo esse caminho tão estranho e prazeroso.

Desde pequena, me esforcei demais em ser alguém, bem como fazer parte de algo. Acredito que consegui, mas infelizmente alguns poréns vieram junto. Tudo bem, é a vida, eu diria para mim mesma há alguns anos. Mas conforme o tempo foi passando, aprendi a usar todos os poréns possíveis de forma que eu também crescesse com aquilo. O que eu não comentei ainda é que cada um desses poréns tem nome, endereço e uma certa relevância no que sou hoje. E isso dói, porque quando menos espero, lá vem algum deles perguntando por que estou assim ou assado.

Espero ter que falar isso apenas uma vez, então lá vai: sim, eu mudei. Na verdade, como a minha vida mudou, eu acabei indo junto. E mudar é bom, certo? Quero dizer, a gente aprende a caminhar com os próprios pés, deixando meio longe aquilo (ou aqueles) que já não te faz tão bem assim. Acabei deixando pelo meio do caminho o que já não conseguia mais carregar. Foram anos de comentários, olhares, julgamentos e likes que eu nunca pedi pra ter. A vida vai muito além das redes sociais – e isso eu só fui perceber depois que caí o mais feio de todos os tombos que já tomei.

Portanto, não me levem a mal e desejem o meu bem. Eu fiz o que achei que seria melhor pra mim. Já cansei de ir de um lado pra outro sem ter a quem recorrer quando tudo dava errado, nem mesmo aqueles que se diziam sempre por ali quando eu precisasse. Então, segui sem isso, sem eles, sem ninguém que não achasse necessário. É como se tirasse de mim camadas de roupa no mais extremo calor. É libertador sentir-se livre de tudo o que te leva pra baixo ou que traz o pior que existe dentro de você. E eu… bom, eu desde sempre só quis ser alguém e ser o meu melhor; mostrar o meu melhor. Foi pra isso que fui criada e é pra isso que quero criar os meus outros futuramente.

Então, ó, pra finalizar: não fiquem tristes porque me afastei, não. Pensem que até mesmo eu, se pudesse, me afastaria de mim. Mas como não dá, sigo sendo a minha melhor companhia na minha melhor versão.

Desacelere neste verão com o slow tourism

Com a chegada do fim de ano, o tema “viagens” toma conta das conversas e passamos a sentir uma incrível necessidade de nos desligar. Para quem está vivenciando essa sensação, é preciso reconhecer que ela é verdadeira e já é, inclusive, comprovada cientificamente.

O ser humano tem a necessidade de entrar em contato com a natureza para descarregar as energias e reconectar-se consigo mesmo. Dentro desse contexto, pensar em desligar-se é reconhecer a necessidade de um tempo próprio para não fazer nada e apenas desfrutar.

Uma opção, então, é o turismo lento ou slow tourism, prática que prevê a sustentabilidade e a convivência. Prima pela relação e pela valorização do lugar e da hospitalidade, tendo como premissa a entrega e o desfrute do tempo para alcance da experiência turística. O turismo lento está relacionado, portanto, à maneira com que você atribui e dedica o seu tempo para desfrutá-lo, seja em outro País, em outro Estado ou até mesmo dentro da sua própria cidade.

É fundamental que nesta prática exista a entrega total de quem quer vivencia-la. Elementos como consciência socioambiental, sabores, sentidos, valorização do território e do entorno vão se somar para oportunizar a experiência slow.

Que tal aproveitar o tempo livre das férias e vivenciar o slow? O primeiro passo é olhar para si, reconhecer o que gosta (mar, montanha, gastronomia, esportes, cultura…) e buscar dentro dessa imersão em si mesmo um lugar e principalmente um tempo para dedicar-se a isso. Vale aprender um pouco mais sobre a cultura, praticar uma nova modalidade esportiva, experimentar novos sabores – tudo de maneira que haja entrega e que a lentidão permeie a experiência.

Momentos sem pressa, muitas vezes, são impossíveis durante uma vida inteira – é fundamental reconhecer que a lentidão é essencial para o reconectar e dar novo sentido as experiências.

Escolha o seu destino e o vivencie sem pressa!

Autora: Grazielle Ueno Maccoppi, professora do curso de Turismo do Centro Universitário Internacional Uninter.


 

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A depressão é injusta

A depressão é um monstro que quer te devorar. Comer suas vísceras enquanto você implora por clemência. A depressão não observa idade, cor, gênero ou classe social. A depressão é cruel, é imoral, é perversa. Ela te abraça nos piores e melhores momentos da sua vida. Estou te avisando, essa maldita não tem piedade.

A depressão amedronta os mocinhos e os vilões, os bonitinhos e os feios, os corajosos e os covardes. Nos momentos das mais gloriosas vitórias ela vem e te joga no chão, só pra te lembrar que esses momentos bons vão passar e que no fundo a vida continua sendo uma merda.

Você pode amar e ser amado, querer e conquistar, mas ela não se importa com isso, ela não se importa com nada. Ela só quer o seu fim. Ela te alimenta e se alimenta do seu desgosto. Ela quer que você não veja o brilho nos olhos das crianças e nem o sorriso da sua platéia.

A Depressão é uma desgraçada desalmada que te mistura com os excrementos da síndrome do perdedor. Se você chega em primeiro ela te lembra que ainda não alcançou o recorde histórico. Se você conquista ela te lembra que dava pra ter conquistado mais. Se é amado ela te lembra o quanto você já machucou esses amantes.

Ela está sempre ali, do seu ladinho, esperando a primeira brecha pra te destruir. Ela é o ó do borógódó.  Hoje você acorda bem e amanhã você é ela, a depressão em pessoa. Cuidado, uma vez que em ti ela faz morada, é muito difícil de expulsa-la, pois ela passa a ser amalgamada na sua alma.

Quando estiver sendo enforcado por ela lembre-se, ela jamais é justa, jamais é boa, jamais é bem vinda. A vida vale mais e a depressão sabe disso, e tenta fazer com que você jamais se lembre dessa dádiva.

É louco esse bilhete

É verdade também, mas é acima de tudo louco. Por tanto e tanto tempo eu tentei profissionalizar esse blog aqui. Fazer dele um gigantesco portal com milhões e milhões de acessos, até que agora, com as costas começando a doer eu percebo que no fundo o que me faz feliz é simplesmente o ato de me comunicar.

Eu nunca levei o blog muito a sério, como prioridade na minha vida, isso também é verdade, mas a culpa não foi minha, pois como iria preencher tantas linhas com minhas palavras toscas sendo que precisava trabalhar no mercado formal para pagar a internet que me permite escrever essa joça?

Sigo trabalhando no mercado formal, tem dias que cinco horas, que é o que o sindicato do jornalista permite. Tem dia que 12, que é o que a realidade nua e crua do dia a dia de noticiar obriga. Você deve estar se perguntando onde quero chegar, né? Eu avisei que é louco esse bilhete.

A grande questão é a seguinte, nada na minha realidade mudou referente ao blog, apenas o que sinto comigo. Por muito tempo me cobrei demasiadamente por não conseguir me dedicar exclusivamente a esse blog. Sempre quis a fama, o prestígio, a grana, não por vaidade [apenas], mas sim, porque isso me permitiria fazer dessa aqui, a Casa da Mãe Joana número um da minha vida.

Seria um sonho, acordar, fazer um café e escrever pra vocês até o anoitecer. Mas a realidade como se impõe não me permite mais achar que isso vá acontecer, pelo menos tão cedo. Observar minha vida tomando os contornos que está tomando e perceber que no mundo real, no mundo de gente de carne e osso, querer ter um blog é um luxo, querer viver exclusivamente dele é um disparate.

[Leia com uma voz irritantemente aguda] Mas Erick, tem muita gente que vive assim, não desista, acredite nos seus sonhos, você é maior que as dificuldades… – Acho muito bonitinho você tentar me convencer disso. Sei que suas intenções são as melhores possíveis, mas no fundo você é apenas mais um iludido que nem eu. Hoje, quase completando três anos para trinta, eu percebo que temos que tocar a vida e jogar o jogo.

Sou filho de uma manicure, com um caminhoneiro, que são separados desde que tenho oito meses. Minha mãe saiu do sertão da Bahia sem nunca ter estudado, meu pai viveu uma vida toda nas estradas desse país. Ambos tentaram me dar o melhor, mas estudei a vida toda em escola pública. Trabalho desde os 14 anos. Hoje sou formado, já tive meu próprio programa de TV, viajei o Brasil inteiro fazendo reportagens, trabalho na filiada da segunda maior emissora do país. Acho uma puta grosseria com a vida eu ficar me lamentando porque não posso viver de escrever para a internet.

A ficha meio que caiu, saca? Por tantos anos fui aquele menino mimado que bate o pé no corredor do mercado porque não pode ter aquele chocolate, mas que em casa tem três potes de Nutella o esperando. E sim, o meu trabalho formal é meu pote de Nutella, as lembranças das viagens que fiz são meus potes de Nutella, ter feito uma puta festa de casamento massa pra caceta é outro pote de Nutella. Não é justo comigo e nem com a vida que eu me lamente tanto por não poder comprar uma barrinha de chocolate da Nestlé.

Demorou mas a ficha caiu. Esse blog, meu canal, meus projetos fotográficos, são meus hobbies, se um dia eu vier a viver deles será bom, mas se isso nunca vier a acontecer agora eu sei que é porque estou ocupado demais aproveitando as oportunidades que a vida me da. E falando em oportunidades, tem algo novo que está prestes a acontecer e que vai revolucionar minha trajetória profissional. Assim que puder contarei aqui para vocês. Mano do céu, a vida da umas voltas que até deixa a gente meio tonto. É muito louco esse bilhete.

Quando temos incerteza precisamos comer merda

Tudo na vida é questão de escolha e isso pode se tornar um fardo. Ter que escolher não é tão simples quanto pode parecer. Mas a cada minuto que passa, a cada fração de tempo que nos envelhece, precisamos escolher mais e mais. E é nessa situação de merda, em que a nossa vontade será feita, que nos encontramos no caos.

É tipo aquela velha história do gênio da lâmpada, que aparece e lhe dá três desejos, o único desejo que não pode ser pedido, é o de ter mais desejos. Se o gênio não alertasse a nós, pobres mortais, certamente escolheríamos justo a opção proibida. E eu te garanto que não é nem tanto por ambição e sim por medo de escolher errado e não poder escolher outro caminho quando chegar o tempo do após.

Diante dessa encruzilhada nos escondemos na incerteza e ficamos embaixo do muro, não em cima como pregam as vãs filosofias, mas embaixo, onde não se pode mais levantar se não comer um caminhão de merda. Porque esse muro da incerteza não fica instalado na terra e sim na mais profunda e densa merda que somos.

E quando estamos assim tudo o que desejamos é que venha o tal do destino, o mesmo desgraçado que nos colocou na situação de ter que escolher, e decida por nós. Mas quando isso não acontece precisamos arriscar, comer a nossa merda a bolonhesa e sair para um dos lados do muro. Nesse momento o maior medo que nos assola é de escolher justamente o lado que tem a grama menos verde.

No fundo, o que deveríamos focar é na realidade de que qualquer lugar é melhor do que estar embaixo do muro, mesmo que o local escolhido não seja o melhor lugar do mundo. Mas, nesse momento eu não consigo mais continuar a falar sobre isso, pois preciso começar a comer essas merdas que estão ao meu redor.

fotos de casamento

Me respeita, pois agora sou um senhor casado

Senhoras e senhores, meio que casei. O dia 24 de novembro de 2018 foi o dia mais incrível da minha vida. É engraçado parar para pensar que por 26 anos eu ouvi dizer que o casamento é o dia que marca a vida de uma mulher. Que o dia da cerimônia é o dia da princesa. Que quando as mulheres vestem aquele vestido branco elas se emocionam. Que o véu e grinalda é algo que as mulheres lutam uma vida toda. Mas no dia do meu casamento, era eu quem estava em estado de choque.

Realmente não era meu sonho casar assim. Nunca quis uma grande festa, nunca sonhei com esse dia, pois sabe como é, a sociedade me criou me dizendo que no dia que o homem casa é game over pra ele. Por mais que eu venha lutando muito contra os pensamentos machistas nos últimos anos, essa peste está dentro da gente e muitas vezes nem mesmo percebemos isso. Pois bem, quanto ao casamento esse era o meu caso.

Aí no dia 11 de janeiro de 2016 dei o primeiro beijo na [agora senhora] Kelli Kadanus. Três semanas depois eu percebi que queria algo a mais com essa mulher. Em pouco tempo passamos a morar juntos e foi a partir daí que vi que queria viver momentos de contos de fadas com ela.

Viajamos juntos algumas vezes nesses quase três anos de namoro, zeramos Friends duas vezes, assistimos muitos filmes, adotamos um cachorro, dormimos até as costas doerem, rimos, choramos, nos amparamos. Mas nunca nos desrespeitamos, nunca nos ofendemos, nunca deixamos de ser o melhor amigo do outro. E com esse relacionamento perfeito [sim, ele existe e eu sou a prova viva disso], faltava o brinde social. Foi aí que floresceu em mim a vontade de casar.

Programei uma viagem simples, ali para Antonina e foi lá, sobre a luz das estrelas que pedi a mulher da minha vida em casamento. A partir dali começamos a organizar a vida financeira para isso. Por um ano e meio nossa vida se resumiu ao dia 24/11 que estava por vir. E quando chegou, meu amigo, foi FODA!

Lembro de olhar para o céu azul, olhar para minha mãe que estava abraçada comigo, nossos melhores amigos, nossa família, nossos padrinhos… O coração acelerou demais! Quem celebrou nossa união não foi um padre, nem um celebrante, muito menos um juiz, foi o meu melhor amigo e a melhor amiga dela. Acontece que a celebração foi tão sincera que parece que todos combinamos. As palavras dos celebrantes conversava diretamente com os meus votos, que conversavam diretamente com os votos da Kelli, como se tudo tivesse sido combinado, essa coincidência aconteceu no plano da sinceridade dos sentimentos.

Eu chorei muito. Ela chorou. Nossos pais choraram. Nossos amigos choraram. Foi emocionante demais. Na festa eu fiz questão de sair do corpo! Acho que nunca fui tão desinibido quanto nesse dia, assim como acho que nunca fui tão feliz quanto nesse dia. E no final de tudo fomos para nossa lua de mel, mas esses detalhes eu não posso revelar [risos].

Enfim, se o casamento é dia da princesa, eu sou um princeso, e digo mais, sou o princeso mais feliz do mundo. Me respeitem, pois agora sou um senhor casado!

Tuyo canta “Pra Curar” a alma

Quem conhece a trajetória dos integrantes do trio Tuyo certamente não se surpreendeu com a qualidade do novo disco, “Pra Curar”. Os integrantes do trio já tocavam juntos muito antes de assim se chamarem, ainda quando a banda Simonami tocava nos teatros e bares de Curitiba e a qualidade que emanavam já tocava a alma de quem os apreciava.

A banda tinha um público fiel, que os seguia onde quer que estivessem. Dentre os integrantes estavam a Lilian Soares, Layane Soares e Jean Machado, ambos agora compõe o Tuyo.

O trio marcou o país antes mesmo de ser oficialmente conhecido como trio, e conquistou o apreço que era regional em escala nacional, tanto pela melancolia das letras e notas entoadas com muito sentimento, quanto pelas incríveis vozes de Lilian e Layane Soares que participaram do The Voice Brasil em 2016.

Esse é o primeiro disco completo do grupo, que lançou um EP no ano passado, segundo Lio “o EP nasceu com uma promessa de continuidade. Sinto que estamos completando esse movimento, aterrando e fechando um ciclo para ter a chance de abrir outro”.

E se você se pergunta do que fala essa nova obra, a própria Lio conta que “é um disco de proteção, sobre autoconhecimento e consciência, do nosso jeito mais honesto de fazer música”. E é com esse espírito que Tuyo nos embala nos mais de 37 minutos de obra.

“Exploramos lugares diferentes, tem uma pesquisa de timbres, sensações e ambientes que queremos mostrar. O disco marca um momento, mas é uma ‘roupa’ e não algo determinante”, comenta Machado.

“Consigo enxergar nós três separados e, ao mesmo tempo, a triunidade que perpassa a gente. Estamos falando sobre coisas semelhantes, de perspectivas distintas. É um trabalho poderoso, que tem certa agressividade e atravessa, mas com muita ternura”, analisa Lay.

Com produção musical assinada por Gianlucca Azevedo (Jan) e Pedro Soares (Jack), o álbum tem referências que passam pelo folk e vão desde o lo-fi hip hop até o synth pop. Incorporando guitarra e outros elementos, o trabalho mantém a essência da Tuyo enquanto aponta para novas estéticas.

Para os próximos shows, a Tuyo propõe um repertório híbrido de transição, dialogando com o “Pra Doer” e o “Pra Curar” em apresentações conhecidas por despertar a vulnerabilidade sem perder de vista a leveza. No próximo ano, o trio também prevê a concepção de um álbum inédito, resultado da recente aprovação no edital Natura Musical. O trio representa um dos 50 projetos selecionados para integrar o programa em 2019, dentre 2.617 inscrições de todo o país, considerando artistas, bandas e coletivos. Continue reading “Tuyo canta “Pra Curar” a alma”

Acordei cego e esse foi meu pior pesadelo

Ontem eu acordei e estava tudo completamente escuro. Eu sabia que isso não poderia estar acontecendo, pois mesmo no meio da madrugada a luz da noite se faz presente. Mas estava escuro, eu não via nada ao meu redor. Ouvi minha esposa levantar e dar bom dia ao meu cachorro. Esfreguei os olhos e continuava no breu total.
Refleti por alguns segundos e logo percebi que estava completamente cego. Quantas vezes na minha carreira como jornalista entrevistei pessoas que ficaram cegas assim, da noite para dia? Logo vi que tinha chegado a minha vez. Meu coração congelou, tentei lembrar rapidamente quais tinham sido as últimas coisas que eu havia observado, mas nada me veio na mente, pois não tinha feito questão de guardar nada comigo. Nenhuma cor, nenhuma textura, nada na memória, nada no presente, apenas o breu e o medo da nova vida que me aguardava.
Tentei gritar, mas minha voz não saía. Bati na porta desesperado e minha esposa, acostumada com minha maneira moleque de levar a vida riu e disse para o nosso cachorro que o pai dele estava louco, batendo em tudo. Eu tentava ir até ela, mas nem se quer no caminho da minha própria casa eu tinha prestado atenção. Levamos tudo tão no automático que não percebemos as belezas que temos nos corredores dos nossos apartamentos. Tentei gritar mais um pouco, bater nas coisas pra ver se ela vinha me acudir, e ouvia apenas o sorriso daquela que me amava tanto, ao ponto de saber que eu fazia piada com tudo.
Quando finalmente consegui chegar na porta, acordei assustado, com o coração acelerado, tudo aquilo foi um sonho. Quando abri os olhos olhei pela janela, e vi como é lindo a luz solar que entra para iluminar e aquecer meu quarto. O espelho que reflete a imagem da cama, como se registrasse a fotografia daquele momento. O rosa do nosso edredom e o azul do outro cobertor, tudo isso passou a se tornar tão precioso.

Fui ao banheiro e me olhei no espelho, joguei água gelada no rosto e vi as gotas escorrendo pela face. Admirei as formas, admirei a mim. Costumamos não dar importância para as coisas simples da vida, mas percebi que não importa quão simples seja o momento, mas ele é precioso apenas por existir.

Se eu perdesse a visão hoje, como tantas pessoas perdem todos os dias, será que teria aproveitado as cores? As formas? As texturas? As aparências? Será que tenho vivido meus dias observando os detalhes preciosos? Tudo isso passou a fazer sentido dentro de mim e se tem algo que eu lamento é saber que em pouco tempo esquecerei desse susto que passei, e voltarei a viver como se tudo por aqui fosse eterno.

Bem, pelo menos estou deixando registrado aqui, quem sabe se amanhã ou depois eu voltar para ler esse texto eu lembre da importância de aproveitar para admirar a beleza de tudo que tenho ao meu redor.

Filosofar é aprender a morrer para saber viver

A reflexão sobre a morte não é tarefa das mais simples, muitas vezes evitada por causa dos pensamentos e sentimentos que suscita. Saber que vai morrer escancara para o ser humano a consciência de sua finitude. Para alguns, isso é motivo de reflexão, para outros, de temor e desespero.

A dificuldade de abordar o tema – no cotidiano, na Ciência, Filosofia e até mesmo na Teologia – se dá porque a morte pode ser pensada e observada, mas não experimentada por meio de repetição. E a experiência, desde Aristóteles, é considerada fundamental para produção de conhecimento.

Contudo, o ato de refletir sobre a morte pode ser visto como uma das maneiras mais singulares de praticar a Filosofia, definida por Sócrates como “preparação para a morte”. Já o pensador alemão Arthur Schopenhauer considera a morte como “musa da Filosofia”. Ou seja, filosofar é aprender a morrer.

Alguns filósofos, como o grego Epicuro, ensinam a não temer a morte. A lógica é simples: quando a morte se faz presente, o ser humano já não é, assim não há motivo para temê-la. Ele vê a morte como um processo natural que não pode ser evitado – um conjunto de átomos em movimento que se separam para posteriormente formarem novos seres.

Outros filósofos provocam reflexão. Martin Heidegger entende que o ser humano é um “ser para a morte”. Michel de Montaigne considera que “meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade”.

A morte não faz parte da vida, posto que decreta o seu fim. Mesmo assim, provoca reflexões e comportamentos que interferem na nossa maneira de viver. Viver com medo da morte ou viver sem temê-la, ainda que consciente de sua inevitabilidade?

No Cristianismo, a morte é vista como o último inimigo a ser destruído (1 Cor 15:26). O cerne da religião cristã é o Ministério Pascal de Cristo, cujo ápice é a ressurreição. Tomás de Aquino explica a morte humana como consequência do mal moral, ou seja, do pecado original. Corrompido o corpo, a alma humana não se corrompe, pois, como substância intelectual, é incorruptível.

Atualmente, vivemos em um mundo com grande presença do efêmero e valorização excessiva da aparência – o que pode ser interpretado como manifestação de um vazio existencial. A reflexão sobre a morte, portanto, pode colaborar com uma consciência diferenciada da vida e do significado de estarmos no mundo.


Autor: Prof. Dr. Luís Fernando Lopes, filósofo, teólogo e coordenador do curso de licenciatura em Filosofia do Centro Universitário Internacional Uninter.

A culpa é do PT

Não tem como negar, a culpa realmente é toda petista. Pode tentar jogar a culpa na oposição, que começou um rompimento democrático ao colocar em xeque a legitimidade das urnas em 2014. Pode-se tentar pesar a mão e dizer que a mídia criou esse cenário. Pode dizer ainda, que foi o judiciário que com seu arbítrio parcial colocou os brasileiros em estado raivoso. Mas no fundo, a grande verdade é que a culpa é do PT. Se Bolsonaro venceu a eleição é porque o Partido dos Trabalhadores diminuiu muito no conceito da população.

Apenas loucos negam os avanços do governo Lula, mas também apenas pessoas cegas negam os tropeços do governo Dilma. Apenas pessoas fora de si não conseguem perceber que o PT tirou milhões da fome, mas também somente pessoas desconectadas da realidade não enxergam que ao que tudo indica, o petismo tirou milhões de reais das verbas públicas para enriquecimentos ilícitos.

Sim, a culpa é do PT por não ter feito mea-culpa, reconhecido os erros. Os brasileiros não querem mais saber de corrupção, de malas de dinheiro, esquemas milionários e o partido demorou demais para aceitar isso. A culpa é petista, pois se tivesse reconhecido o tamanho do estrago que os esquemas de corrupção envolvendo membros do partido, se tivesse pedido perdão, se tivesse mudado a maneira de governar, se tivesse tido o mínimo de honradez, provavelmente hoje não seria um partido tão rejeitado.

Bolsonaro não é maioria, o anti-petismo o é. Bolsonaro não é o que o Brasil precisava, mas o petismo é o que o país mais rejeitava. Apenas o PT não viu isso e com a soberba digna de tolos disse não aos acenos de antigos aliados. A esquerda não fracassou no pleito eleitoral, o PT fracassou. O partido saiu menor do que entrou, saiu rachado, e em breve verá o esvaziamento acontecer com mais e mais intensidade.

Ou o Partido dos Trabalhadores se volta para as bases carentes da sociedade, como alertou Mano Brown, ou ficará sem bases para se apoiar e levantar novamente. Ou aceita que Lula está preso, ou será apenas o partido babaca, alertado tão efusivamente por Cid Gomes. O PT mudou o Brasil e o Brasil mudado não quer o partido do passado.

Se você se pergunta se o petismo ainda tem chances de se reerguer, a resposta é sim, certamente. Mas para isso é preciso remodelar a maneira de fazer e pensar política. É preciso humildade para entender que às vezes é necessário seguir o exemplo da antiga Fórmula 1 e não tentar ser o primeiro para que o time ganhe o campeonato.

Diante desse novo cenário a esquerda está com os olhos perdidos, procurando um novo líder que traga esperança de um retorno de um governo que tem como mote o povo mais humilde. Ciro Gomes observa esses olhares, e desde o final do primeiro turno percebeu que ao que tudo indica, se nenhum novo tsunami tomar conta do Brasil, será ele a nova voz a guiar grande parte da esquerda brasileira. O PT errou e a esquerda clama para que Ciro Gomes não erre tanto assim.