O caos e o nada

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Você foi o sol.

Com toda aquela luz e todo aquele calor e a atração que você causava por onde passava e o astro rei que você se tornava em qualquer roda de conversa, olha, você foi sem sombra de dúvidas o sol mais gigantesco que eu já vi. O mais repentino sol que devolve esperança aos desabrigados, promete que haverá boa safra nos campos e nos faz abrir cortinas e janelas e nos cega. Nos cega completamente e insanamente e nos tapa também os ouvidos e a boca e nos tira a voz e as escolhas e o ar. Eu me ceguei por você. Orbitei ao seu redor. Fui recomeço para todos os teus finais. Saída para todas as suas fugas. As minhas horas dependeram da sua natureza instável. Eu fui todos os eufemismos possíveis e todas as metáforas que você possa fazer e possa imaginar nos próximos cinquenta anos.

Você foi o sangue.

Pulsando nas minhas veias, saindo pelas lacunas da pele e fazendo adoecer até o mais íntimo que eu carrego na sua mínima falta. Eu entreguei tudo, eu fui inteira, eu não pedi troco e nem comprovante. Os meus amigos viam na minha pele as marcas que você deixava. As olheiras de insônia, os cortes nas mãos, os fios de cabelo tão perdidos quanto eu e eu mentia. Eu chovia. Era temporal. Oásis de coragem. Era secura, porque você também era minha água, minha saliva e conseguia estar presente nos meus poros. Eu fui te seguindo na tentativa de te tocar. Desidratei. Se eu me virasse um pouco mais, um tanto de pele cairia no meio da rua e deixaria exposta a fila de fraquezas e incertezas que eu carrego por baixo de camadas e camadas de ironia.

Você foi cura.

Chegou até o mais íntimo dos meus ossos e me deu vitaminas. Me alimentou. Foi indicado pelos médicos, pelas benzedeiras, pelos conselheiros de plantão, todo mundo sabia que você era sol e que sol é o que rege a vida e a minha vida era sem sombra de dúvidas orientada por você, você que também era sangue e caminho e danos eminentes, mas se solidificou nos meus calos e se eternizou nas minhas cicatrizes e virou tatuagem na pele. Os meus calendários todos estavam ao seu dispor, as horas e semanas, qualquer momento, qualquer lugar, porque eu quis. Porque eu acreditei em cada verdade, em cada mentira e em cada hipótese.

Você, sol.

Você, sangue.

Eu, silêncio. Caminho. Danos eminentes.

Agora, enquanto a minha estrada se estende atrás das minhas costas, enquanto eu olho os cruzamentos e não sei para onde ir, cansada demais para reagir. Agora, enquanto eu não consigo pronunciar as causas e as escusas, enquanto a vida é pó e sopro- agora você é só um pedaço morto enquanto eu fico parada, trocando o peso entre os pés. Um peso que eu não meço mais, que me acompanha como uma parte indissolúvel de quem eu sou e que é parte da identidade incerta que eu penso possuir. Lá, onde ficam as memórias antigas de quem um dia eu fui- e eu fui um tanto você– onde as casas e os cortes estão todos expostos demais para serem ignorados, nesse lugar onde você não vai, você não olha e você não toca e que é o que sobra depois do caos, eu só consigo pensar que nesse exato momento eu sou tudo aquilo que me destruiu um dia.

Eu ainda sou tudo isso, afinal, e você não é mais nada.

Os bastidores do ensaio mais louco dos últimos tempos

Recentemente nós divulgamos o ensaio feito pelo fotógrafo Benjamin Von Wong. Ele tinha sido desafiado pela Nike a desenvolver um ensaio burlando as leis da física. O resultado foi incrível. Relembre aqui.

Hoje retomamos o tema para lhe mostrar os bastidores dessa aventura. Não foi apenas os modelos que tiveram que se “jogar de peito”. O fotógrafo, iluminadores e equipe técnica se aventuraram para captar essas imagens! Confira os bastidores.

As crianças de Curitiba podem curtir shows e oficinas gratuitas

Semana das Crianças terá eventos gratuitos para os pequenos

Para comemorar o Dia das Crianças, a Mercadoteca apresenta uma semana especialmente dedicada aos pequenos. Entre as atrações está o show Rita LEEtle, com a cantora Alexandra Scotti, que apresenta aos pequenos, de forma lúdica, a obra de Rita Lee. Outro destaque é o espetáculo Menestrel, que une circo, música e teatro de sombras em uma criação do ator, iluminador, músico e diretor teatral Marcelo Karagozwk.

Além dos shows, que são gratuitos, a Mercadoteca promove oito oficinas, que vão ensinar crianças de até 12 anos a fazerem biscoitos, massinhas, máscaras, hortinhas e até bolinhas de sabão. Os pequenos com menos de três anos podem participar, mas devem estar acompanhados de um responsável.

“Vai ser uma semana de muita diversão e música aqui na Mercadoteca. Tudo pensado para que os avós, pais, filhos e netos divirtam-se juntos, nosso espaço é ideal para a família passar bons momentos. E em outubro comemoramos também nossos dois anos de história. Esse mês promete!”, antecipa a gerente Alessandra Vianna

Na Semana da Criança da Mercadoteca há atividades gratuitas e outras com valor de adesão, mas nenhum ingresso custa mais de R$15. As inscrições podem ser feitas pelo e-maileventos@mercadoteca.com.br ou pelo telefone (41) 3205-3901.

O evento tem produção da Criança na Plateia e patrocínio da escola Umbrella e da Xiquita Premium. As oficinas serão conduzidas pela EsalFlores e Mania de Cuidar Recreação. Confira a programação completa: 

Dia 10, terça-feira
Minha pequena hortinha com EsalFlores
19h – Gratuita

Dia 11, quarta-feira
Caça ao tesouro com prêmios em moedas de chocolate
18h30 às 20h – R$15

Dia 12, quinta-feira
Oficina de Massinha
11h às 12h30 – R$15

Oficina de Pintura
14h às 15h30 – R$15

Rita LEEtle com Alexandra Scotti e banda
16h – Gratuita 

Dia 13, sexta-feira
Oficina de Máscara e Bolha de Sabão
11h às 12h30 – R$15

Oficina de Biscoito
14h às 15h30 – R$15

Show do Menestrel com músicas e histórias de Marcelo Karagozwk
16h – Gratuita 

Dias 14 e 15, sábado e domingo
Oficina de Instrumentos
14h às 16h – R$ 15

SERVIÇO
Semana da Criança da Mercadoteca
De terça a sábado, das 10h às 22h.
Domingo das 11h às 20h.
Endereço: Rua Paulo Gorski, 1.309, Campo Comprido, Curitiba/PR
Inscrições pelo e-mail eventos@mercadoteca.com.br ou pelo telefone (41) 3205-3901.

Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte final: 99% anjo e 1% vagabundo.

Para quem ainda não leu os dois primeiros textos da série, pode clicar aqui 1ª parte e aqui 2ª parte.

 

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O crossfit continuava a disputar espaço no meu coração e no meu abdômen com a cerveja. Reeducar-se na alimentação era foda demais pra bancar o bom moço na box. Quanto mais você deseja levar a sério o esporte, mais eventos regados à cerveja e acompanhamentos aparecem. Eu era uma presa fácil.

No crossfit comecei a perceber a diferença de performance quando ingeria álcool. Se você praticamente “morre” fazendo um exercício, alcoolizado você “morre” e vai para o inferno fritar seus músculos. Essa diferença pode ser exemplificada.

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Coach no crossfit há dois anos e meio, Cristiane Hanke desistiu de beber nos fins de semana, pois sua performance na semana posterior era totalmente influenciada pelo consumo de álcool. Após parar de beber, afirma que sentiu “diferença além de física – esteticamente, propriamente dito – também uma otimização em performance de treinamento em qualidade de vida”.

Imagine então quem bebia cerveja e comia maus carboidratos na semana toda? Era difícil evoluir e reduzir peso, no meu caso. Não basta mudar o corpo sem mudar a mente. O “anjinho” e a “diabinha” não iriam fazer um brinde, nem fazer burpees sincronizados, mas quem sabe cada um poderia ter o seu espaço, não é mesmo?

Agora que comecei a dar ouvidos para o “anjinho” (pelo menos um dos ouvidos), mudar a mente começou a se tornar possível. Os resultados estavam aparecendo. As medidas, o percentual de gordura e o peso reduzindo. As bermudas estavam servindo novamente. Aliás, agora com cinto. Os movimentos que pareciam impossíveis de fazer estão sendo executados, e mesmo os que não estão, parecem me desafiar para que eu tente até conseguir. As desculpas terminaram. Isso é crossfit. Eita “Anjinho” RX (RX é quando o exercício é feito sem adaptação, conforme prescrito originalmente)! Diferente de mim, ainda. O sujeitinho foi tão efetivo que não tive a mínima vergonha de entrar em um programa para obesos no local em que trabalho. Aproveitei a falta de interesse das pessoas que não querem mudar a mente e consegui uma vaga, mesmo não estando tão acima do peso. Tudo isso, mesmo com alguns deslizes, é uma evolução e tanta para mudar hábitos.

Aquela saudade da loirinha não batia, porque nos víamos às vezes, sem exageros. Isso vai ao encontro do que a crossfiter e nutricionista Thalita Pigato diz a seguir: “se você vê o crossfit como um hobbie, como um lazer, fica mais fácil conciliar a cerveja com o esporte. No entanto, evite ‘beber até morrer’, pois isso fará mal ao seu organismo. Beba em comemorações ou festas, mas sempre pensando em beber moderadamente, sem exageros”. Para os profissionais e para quem deseja a famosa barriguinha de “tanquinho”, ela recomenda que pare com a ingestão de álcool. Depende do objetivo de cada um a cada momento.

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Neste momento, meu objetivo é o equilíbrio. Fazer por merecer a cerveja no fim de semana, conforme pratico o crossfit. É não sentir saudade de tomar uma, por não ter que se privar disso, mas selecionar o “quando tomar”. É não sentir saudade do crossfit por estar praticando quase todo dia. Dar o melhor sempre, foco e realidade para evoluir. Equilíbrio é respeitar o treino e o descanso. É ter a consciência de que o 99% anjo e 1% vagabundo é algo totalmente aceitável nessa relação. Se fosse 99% vagabundo seria um “problemão”.

Lembre-se que o centro de gravidade de cada um é diferente. Onde uma pessoa se equilibra não necessariamente outra irá se equilibrar e vice-versa. Pode se alcançar um equilíbrio só com o exercício ou só com a cerveja, como relatado, no caso da Cristiane e do Guilherme, ou até em nenhum dos dois casos. O que é bom ou ruim? “Anjinho” ou “diabinha”? A resposta poderá até ser as duas coisas. Uma maçã, por exemplo, pode representar um fruto proibido, uma fruta saudável ou o símbolo do conhecimento; um exercício lesivo e saudável; uma cerveja lesiva ou saudável. Como quase dizia um tigre por aí, “desperte o equilíbrio que há em você”.

Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte II: motivos para tomar, motivos para suar

Se ainda não leu a primeira parte, clique aqui.

Descomprometido com as atividades físicas, vi minha saúde cair de qualidade e minha barriga crescer junto com as desculpas. “Vou beber porque o cachorro do tio da vizinha fez aniversário; Vou comer porcaria porque tem jogo passando na TV; vou emendar a semana de provas com as férias, depois vejo o que eu faço”. Estava carente de alguma atividade física e explodindo de sódio e açúcares. A preocupação era minha, eu sei que muitos nem ligariam para isso. Somente beber parecia não ter graça, parecia que eu tinha que burlar uma dieta pra apimentar o negócio, ou melhor, fazer por merecer para tomar a tão esperada gelada.

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Parti para uma caminhada sem destino e percebi diversas ofertas nas ruas e nas redes sociais. Bares, igrejas, academias, parques. Precisava de algo para gastar as energias. Essa vida de Reginaldo Rossi em mesa de bar não leva a lugar algum. De longe avistei uma “academia de crossfit”, e depois descobri que chamavam de “box”. Falavam que os preços eram caros, entrei em uma e conferi. Realmente eram acima dos preços das academias. A respeito do esporte, ouvi vários comentários do tipo “isso não adianta nada”, “isso não foca em nenhum músculo”, “coisa de playboy”. No começo absorvi este discurso, sem ao menos ter visto como funcionava. Era a diabinha sussurrando no meu ouvido.

Por ironia do destino, um dos amigos que haviam absorvido esse discurso raso a respeito do crossfit comigo foi o primeiro a mudar de ideia e que me influenciou diretamente a iniciar na modalidade. “Você vai pagar tudo isso pra fazer?” Eu falava. Depois de muito pesquisar preços e finalidade, começamos a fazer. Era o desafio que eu precisava. Os exercícios são feitos em uma intensidade que eu nunca vi em outras atividades físicas que eu havia praticado. Lá eu posso suar sem ter vergonha . Há apoio para você terminar o exercício e ninguém te olhava diferente porque você não sabe fazer alguma coisa. Logo de cara percebi que é uma atividade diferenciada, e a estrutura (local, coaches) já me fez entender o investimento. Muito bem empregado por sinal, pois aproveito ao máximo. Comecei a me sentir parte de um grupo. O “anjinho fitness” que um dia foi sedentário estava sedento por exercício.

Só que a “outra” nem precisou mandar um “oi sumido” no whats…

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Para saber mais sobre o crossfit, clique aqui.

Há outras fontes na rede que também pode explicar mais detalhadamente sobre o Crossfit em geral.  Se interessou, procure uma box certificada em sua cidade.

continua…

 

Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte I: decisões

A partir de hoje começará a série em 3 capítulos no Regra denominada “Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers!”  Essa série contará o difícil caminho de um cidadão em equilibrar o álcool, a alimentação e as atividades físicas em sua vida. Sirvam-se, ou melhor preparem-se!

O telefone toca. É a outra. A outra face das vontades. Mesmo vestido para ir à academia, aquele convite sedutor pra tomar uma cerveja gelada cutuca, provoca. O tênis de treino, por um passe de mágica, já está desamarrado e o horário de ir para este encontro não programado foi decidido. A diabinha loira, com aquele colarinho, venceu novamente o “anjinho fitness” que fazia polichinelos no outro ombro.

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Havia tempos em que era uma decisão praticamente unânime. Se realmente fosse uma convenção diabólico-divina de “diabinhas” e “anjinhos”, minha alma já estava vendida, e por um preço baratinho. A cerveja sempre vencia a academia, e nem precisava de melhor de três. Ser ou não ser? Casar ou comprar uma bicicleta? O questionamento de correr ou beber não chegava perto dessas perguntas clássicas. A pergunta mais viável neste momento era Happy hour ou Happy day? Heineken ou Bud? Batata ou polenta frita?

Se fosse em pensamento, já havia disputado até o Iron Man. Lá na cachola, o desejo de ser um atleta é muito maior do que de ser um cara que deseja beber até morrer. Não que eu fosse um bebedor incontrolável, nunca passei sequer perto dessa condição, mas me refiro às decisões. Faltava a atitude. O “anjinho” encostava o peito no chão para fazer uma flexão, mas não levantava mais.

Até que, em um belo dia, a “diabinha” deixou a conta de suas muitas estripulias. Minhas bermudas recém-compradas entraram no armário de um tamanho e saíram de lá menores, em questão de dois meses. Como diria MC Kevinho: “essa novinha é terrorista, olha o que ela fez no baile funk com as amigas”. No meu caso, a novinha terrorista era a cerveja. As amigas, os petiscos.

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Definitivamente, fui à academia, dei um “gelo” nessa diabinha safada. Perdi uns quilinhos, era elogiado, mas vivia pensando nela, na cervejinha, que vinha companhada das más companhias: o amendoim japonês, o aipim frito com bacon. Ai meu coração, frito, na mesa do bar, com limão. Era o tão desejado dia do “lixo”. O problema não estava resolvido. A outra não saia da minha cabeça. Era como se fosse uma traição na lua de mel, que também me lembra daquele doce gostoso de mesmo nome. Pensamento obeso.

Mas muitos tratam a “outra” como oficial. Nem sempre a cerveja é vilã da história. No Egito Antigo, por exemplo, já foi utilizada até para tratamento de doenças. Hoje, também é paixão, é ganha-pão.

Para o sommelier de cervejas e dono de bar Guilherme Aleixo, a relação que leva com a cerveja é muito além de um passatempo. É caso sério, di tipo “bebeu e levou para casa”. Em virtude dessa nova paixão, que se tornou trabalho, Guilherme prioriza o que conquistou com a cerveja. A prioridade é seu bar e seu néctar dos Deuses, deixando o treino como segundo plano. Precisou abandonar a academia. Guilherme diz que a escolha foi algo natural, foi do tipo “rolou”, pintou a química. “Como eu já estava apaixonado pelo universo das cervejas, não foi muito difícil decidir que, se eu pudesse, optaria por viver de cerveja, fosse produzindo ou vendendo (melhor se forem os dois)”. Hoje, segue a filosofia do “beba menos, mas beba melhor”. Não é qualquer vagabunda que entra no seu bar. Nesse caso, a relação já atingiu um estágio ideal de maturação.

Mas essa não era a relação que eu queria e nenhuma história bonitinha do Gugu ou do Mussum me faria mudar de opinião.

Pensava na bebida só como a “outra”, tipo o “proibido é mais gostoso”. Na minha visão (e no meu paladar) o universo das cervejas era praticamente um “inferninho”, nada pueril. Eu não queria apresentar ela para a família, como fez Guilherme. A consequência disso é que não havia equilíbrio. O desinteresse pela academia era contagiante ao mesmo tempo em que minha cabeça não estava preparada psicologicamente para esquecer alguns “pecados” do passado. Não há como seguir uma relação séria sem tirar a outra da cabeça. A academia não me estimulava mais.

Não há como persistir em uma relação tão superficial desse jeito. Em outrora, gostava da natação, porém ela tirava muita grana do meu bolso e não devolvia minhas bermudas. Já as corridas me faziam bem, mas ainda faltava um tempero a mais.

 

continua…

 

 

Miniconto lança álbum nessa quinta

Com uma proposta artística marcada pelo intimismo e pela dramaticidade, o duo curitibano Miniconto apresenta seu novo álbum, “Casa”, assinado pela cantora e compositora Karla Díbia em conjunto com o violonista e compositor Daniel Amaral. O trabalho contempla seis faixas acompanhadas por ilustrações retratando a personagem que inspirou as letras.

No quinto disco da carreira, o duo mantém o estilo “mini” ou “diminuto”, que norteia sua atuação desde 2010. Essa possibilidade musical é expressada tanto na quantidade reduzida de instrumentação quanto na minutagem das músicas, que possuem arranjos e poesias especialmente elaboradas.

Explorando uma narrativa interligada com a literatura, “Casa” representa um amadurecimento para a dupla. “As melodias, por exemplo, são mais trabalhadas. Foram valorizadas e compostas ao piano, enquanto antes eram compostas ao violão”, conta Karla.

Outra novidade está na concepção instrumental do álbum. “As faixas são um crossover entre arranjos de violão e sintetizadores digitais. Além disso, todas têm tonalidades próximas e estão entrelaçadas”, afirma o violonista.

Em paralelo com as letras fortes e subjetivas, estão as ilustrações criadas por Thaise Severo Lima e finalizadas digitalmente por Iuri de Sá. “As frases e desenhos nos fazem imaginar uma possível morte, que pode ser entendida como um acontecimento drástico transformador, para em seguida surgir como redescoberta de vida e poder”, observa Thaise.

Lançamento
O show de estreia do álbum “Casa” acontece nesta quinta-feira (22), no Centro Cultural Sesi Heitor Stockler de França, às 20h. Além das músicas inéditas que integram o atual disco do Miniconto, o público também poderá conferir composições criadas anteriormente.

Para promover um intercâmbio musical, o evento também conta com a participação especial das musicistas Cida Airam, Érica Silva e Jessie Rolim. Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente pela plataforma Sympla, no valor de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Serviço
Show Miniconto – lançamento do álbum “Casa”
Data: 22 de junho, às 20h
Local: Centro Cultural Sesi Heitor Stockler de França
Endereço: avenida Marechal Floriano Peixoto, 458
Entrada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Ingressos antecipados: plataforma Sympla

A física (ou matemática?) do amor

​Eu sempre fui o tipo de pessoa que chora com muita facilidade. Sempre. Meus sentimentos são líquidos, densos e do tipo que se molda ao ambiente, mas não se altera. Eu sinto com jeito de água turva, maré enganosa. Eu esvaio feito rio que segue o fluxo e vai, sem saber o que o destino lhe reserva- uma queda d’água ou um oceano? De olhos fechados, vou. Eu nunca tive medo de me afogar dentro de mim e tampouco curiosidade por saber o que será lá no final. Por muito tempo me senti vagante, até poder aceitar meus ciclos e amar minhas vontades regidas por ordem da lua. Por isso o choro fácil, porque tem dias que simplesmente não caibo em sorrisos pálidos, eu não aprendi a ignorar a dor- minha ou sua.

Mas para meu azar- ou sorte- eu sempre amei pessoas sólidas. Pessoas que definiram o amor num manual, numa divisão, equação impossível de se calcular. Amei os que consideram isso uma fraqueza, um desvio, uma distração. Amei os que achavam que era assunto longo, um peso morto e já cheguei ouvir que o amor era só um teoria, uma brincadeira de enzimas no cérebro. Eu amei pessoas de olhos fixos, enquanto eu fluxo. Como raios eu pudera pensar que conseguiria viver eternamente assim, ao lado dos indifetentes? Amei a matemática dos que sentiam dentro do que era certo por regra enquanto eu fui sempre errante, enquanto eu era mar de letras, para explicar que eu gosto de fazer parte do que nos causa incômodo, porque só com isso eu encontro a paz. Sempre fui invasão, nunca soube amar de longe e respeitar as leis da física sobre dois corpos no mesmo espaço. Eu entro na sua pele e daí já sou as fibras dos seus músculos e casa dos seus exageros. Eu faço parte das juntas dos seus ossos e quero ser a saliva estrangeira que muda o gosto do que você sente. 

Amei os que sempre se orgulharam de suas vaidades e de suas capacidades  de passarem ilesos por paixões. Sabe, um dia achei que poderia me solidificar dessa maneira e quem sabe ser mais silêncio e não querer te manter no meio desses lençóis cor de cólera. Passei por esses amores pitagóricos, sem notar que tudo isso era apenas um abraço sádico da solidão que se faz amiga e destrói a capacidade bonita que nós temos de sentir. Por sorte, a conformidade não me assola, porque eu sou o caos e não consigo subsidiar a necessidade básica dos auto-suficientes, que é fechar os olhos para o que ocorre ao meu redor. Eu sou sempre um pedaço maior do que eu deveria ser e eu quero sempre dar tudo, mesmo quando eu não tenho nada. Eu sempre admirei essas pessoas falsamente fortes, representadas por discursos maduros e cheios de pseud. sabedoria, porque eu não era capaz de ver a insegurança triste escondida no prazer de afirmar: “Eu nunca digo ‘eu te amo'”. Achei por muito tempo que esses seres sólidos, tão discernidos, eram evoluídos sentimentalmente, mas percebi que isso é só o reflexo do medo coletivo que se estendeu pelo mundo de que alguém nos toque profundamente e nos altere a ponto de perdermos nossas confortáveis mentiras cotidianas que nos iludem dizendo que a liberdade não pode ser vivida em par.

Pois bem, eu nunca tive medo de permitir que alguém me altere, me toque e mergulhe e marque o que eu sou eternamente. Amei, amo e amarei por fidelidade ao que acredito. Desisti de tentar ser estrutura indestrutível, intocável. Até porque, nós sabemos que água sólida é gelo. Sendo assim, não aceito nada menos do que entrega voluntária e inteira. Nada menos do que o salto cego dos que estão dispostos a descobrirem para onde esse rio nos leva.

Segure minha mão, ouça meu fluxo. Derreta-se por mim.

Transmissão de futebol – parte 3: em qual canal está passando o jogo?

Chegou um belo dia em que assistir a um jogo do seu time (fora do eixo Rio-SP) deixou de ser uma utopia, mas o “almoço grátis” continua não existindo. Agora esta refeição pode ser rachada em mais pessoas na casa. Isso quer dizer que as pessoas crescem, entram no mercado de trabalho, ganham seus salários e gastam com os desejos e necessidades que bem entendem. Entre esses desejos, foi a “vaquinha” da TV a cabo.

Ah a tão sonhada TV a cabo! Coisa que nos anos 90 parecia era de magnata! A cobiça de “agora vou poder ver todos aqueles jogos” está tão próxima de se tornar realidade! Jogos em horários diferentes daqueles (depois do Faustão ou das novelas) era algo a ser comemorado, mas para alcançar a “plenitude” (que depois você descobre que não é tão plena assim) você precisava dar um passo a mais. A TV fechada joga  a isca, que é o campeonato que você quer assistir. Mesmo passando jogos em outros horários, ainda são limitados. O peixe mordeu a isca e  agora será puxado pelo anzol,  pois pode adquirir o Pay Per View.  O almoço que nunca foi grátis, agora precisa de uma “vaquinha” maior para o peixe assinar de vez o vínculo com o serviço.

Aquele ritual de ir até o Chevette ligar o rádio está cada vez mais distante.  Antes, o horário do jogo estava na agenda, na memória. Hoje, o jogo passou e a correria diária te faz ver o resultado depois, mesmo com aquele pensamento de “puts, perdi o jogo”. Muitos ainda mantém o compromisso,  mas outros só querem ver o resultado e zoar com a cara do amigo que torce para o rival sem sequer ter visto o jogo, nem os melhores momentos.  Até nisso a comunicação ficou mais dinâmica.  Hoje é muito fácil ver os gols no site ou nas redes sociais após a partida, ou apenas o resultado, é questão de segundos. Até se nem fizer nada,  o resultado chega até você.  Basta ter conexão  no seu celular, que irá receber milhares de memes via whatsapp. Memes dos mais criativos aos mais toscos.

O espectador não precisa mais ligar o rádio e ouvir meia hora de comentários se o que ele quer saber é apenas o resultado. Ele não precisa mais aguardar os gols do Fantástico no domingo à noite. Não mais.