CAUANE MAIA FALA SOBRE RACISMO ESTRUTURAL NO BRASIL

Ao chegar em Santa Catarina, a pesquisadora, mestre e doutoranda em antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Cauane Maia, percebeu que os questionamentos dos moradores sulistas sobre a sua origem eram motivados não pelo sotaque baiano, mas sim por ela ser negra. 

“Quando eu fui para a pesquisa de campo, eu percebi na narrativa dos moradores, que estão na terceira geração de pessoas que nasceram em Florianópolis, o mesmo tipo de indagação. Então corpos negros são sistematicamente interpelados pela ideia de pertencimento ao local”, diz Cauane Maia em entrevista aos jornalistas Eline Carrano e Erick Mota no Regra Entrevista dessa terça-feira (16).   

Segundo Cauane, a presença de outras etnias no Sul do país é sempre questionada pois há uma exaltação muito acentuada da cultura europeia nesta região. Durante as pesquisas para a construção dos estudos acadêmicos na área antropológica, Cauane Maia morou por um tempo em uma das comunidades mais antigas  e com maior contingente negro da capital catarinense, em Morro da Caixa/Monte Serrat, em Florianópolis (SC). 

Uma das percepções que a doutoranda teve ao conversar com os moradores da comunidade, foi a forma como eles veem, de forma inconsciente, uma fronteira entre o Morro e os outros bairros. “Os próprios moradores do território pensam na fronteira do lugar como ‘aqui são os moradores do Morro daqui pra lá são os brancos’”, relembra. Cauane explica que essa ideia da divisa entre brancos e negros não quer dizer que só naquela região de Florianopolis há pessoas negras, mas que “Inconsistente por conta do racismo estrutural a gente vai pensar a ideia de pertencimento através dos corpos”. 

“Eu sou uma pessoa de fora porque sou de Salvador, mas eu sou também de fora porque sou uma pessoa um corpo negro em um lugar que se reividica asoriano. Zero problema reivindicar a descendência européia. Acho que essa não é a grande questão, a grande questão é o que ela exclui e porque elas não podem co-existir”, aponta. Cauane explica que essa busca por exaltar as origens negras causa uma exclusão da cultura dos povos originários e demais etnias que também vivem na região. 

As pesquisas sobre o protagonismo e as formas de resistência da população negra de Florianópolis estão reunidas no livro “Vozes negras em Florianópolis: escrevivências antropológicas do Morro das Mulheres”, fruto das pesquisas de mestrado da Cauane.

Confira a entrevista completa:

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