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Ministério da Justiça censura filme de Fábio Porchat e Danilo Gentili por “apologia à pedofilia”

Ministério da Justiça censura filme de Fábio Porchat e Danilo Gentili por “apologia à pedofilia”
Como se Tornar o Pior Aluno da Escola/Reprodução

Nesta terça-feira (15), o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a remoção cautelar do filme “Como se tornar o pior aluno da escola” (2017) de todas as plataformas de streaming do Brasil, como Netflix, YouTube, Globoplay, Amazon Prime Video e Apple TV. Essas empresas estão sujeitas a uma multa diária de R$ 50 mil caso mantenham o filme em seus catálogos. A censura determinada pelo governo federal foi motivada por protestos de influenciadores digitais sobre uma das cenas do filme, na qual o vilão encenado por Fábio Porchat, chamado Cristiano, pede para adolescentes se masturbarem.

Em 2017, época de lançamento do filme de Danilo Gentili, o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a classificação indicativa da produção audiovisual para pessoas acima de 14 anos, apesar de o livro que deu origem à obra ser recomendado para maiores de idade. A justificativa do Ministério da Justiça na época do lançamento foi de que o filme tinha um “contexto cômico e caricato”, mesmo abordando temas sexuais.

Porém, nesta semana, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (União Brasil-SP) compartilhou uma cena editada e fora de contexto do filme, alegando que ela faz “apologia à pedofilia”. Neste trecho, Cristiano (Fábio Porchat) provoca dois adolescentes por causa de seus próprios desvios sexuais: “Vocês são amigos, amigos não brigam. Vamos esquecer isso tudo? Deixar isso de lado? A gente esquece o que aconteceu e, em troca, vocês batem uma punheta pro tio”. Após a tentativa de Cristiano de convencer os dois adolescentes a fazerem sexo com ele, os menores de idade fogem rapidamente e nenhuma cena de sexo explícito é exibida. No entanto, a parte em que os jovens se afastam foi cortada do vídeo publicado pelo deputado.

Diante da decisão polêmica do governo federal, o ator Fábio Porchat manifestou-se contra as acusações de pedofilia dirigidas a ele em suas redes sociais. “Como funciona um filme de ficção? Alguém escreve um roteiro e pessoas são contratadas para atuarem nesse filme. Geralmente o filme tem o mocinho e o vilão. O vilão é um personagem mau. Que faz coisas horríveis. O vilão pode ser um nazista, um racista, um pedófilo, um agressor, pode matar e torturar pessoas… […]”, explica Porchat.

Ao final da nota, o ator traz uma provocação em relação à censura e à classificação indicativa dos filmes: “Agora, imagina se por conta disso não pudéssemos mais mostrar nas telas cenas fortes como tráfico de drogas e assassinatos? Não teríamos o excepcional ‘Cidade de Deus’? Ou tráfico de crianças em ‘Central do Brasil’? Ou a hipocrisia humana em O Auto da Compadecida. Mas ainda bem que é ficção, né? Tudo mentirinha”.

A decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi oficializada através do despacho nº625/2022 da Secretaria Nacional do Consumidor e do Departamento de Proteção e de Defesa do Consumidor. A justificativa para a censura do filme foi a “proteção à criança e ao adolescente consumerista”. O ministro da Justiça Anderson Torres classificou o filme como “asqueroso”, enquanto o secretário especial da Cultura, Mario Frias, afirmou que o filme faz uma “explícita apologia ao abuso sexual infantil” e, por isso, afronta as crianças e a família tradicional brasileira.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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