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O Chile saiu do armário

O Chile saiu do armário
Foto: Reprodução

Olá querides leitores e leitoras! Após anos de espera da comunidade LGBTQIA+ do Chile, finalmente o Parlamento legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A lei que autoriza o casamento igualitário foi revisada pela Comissão de Constituição do Senado e foi aprovada com 21 votos.

Aprovado em 2015, atualmente o único meio oficial para unir casais gays no Chile é o acordo de União Civil, que permite o acesso a quase todos os direitos estabelecidos pelo casamento, porém não autoriza a adoção e direitos de filiação de crianças filhos de casais do mesmo sexo.

“É essencial avançar na dignidade com o casamento igualitário, porque o amor não pode ser condicionado”, declarou, a democrata-cristã Ximena Rincón, presidente do Senado, em uma entrevista à um jornal local.

Em 1990, quando o Chile voltou à democracia, o casamento igualitário parecia algo impossível. Não havia lei de divórcio até o ano de 2004 e o aborto era totalmente proibido. O projeto também reconhece a maternidade de mulheres trans e a paternidade de homens trans nas certidões de nascimento de seus filhos e filhas.

São décadas de uma luta pela inclusão, em uma sociedade que há poucos anos se via em situações assustadoras.

Em maio de 2004, a Suprema Corte decidiu que a juíza Atala não poderia ter a custódia de suas três filhas porque ela era lésbica e vivia com sua parceira. Foi o primeiro caso dessas características que se tornou conhecido na opinião pública chilena e deu início ao debate. As meninas tinham três, quatro e oito anos quando a Justiça as retirou e as entregou ao pai, o ex-marido da juíza, que a acusou de não poder exercer a maternidade por ser homossexual.

“Ser privada de criar as próprias filhas, que você teve no ventre, deu à luz e amamentou é uma dor indescritível”, disse a juíza, na audiência pública do julgamento contra o Estado do Chile na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

De acordo com uma pesquisa recente da MOVILH, 82,8% dos casais do mesmo sexo planejam se casar e 91,8% dos parceiros civis irão cancelar esse vínculo para se casar.

É uma grande vitória para todos, quanto mais países se conscientizarem e aprovarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais teremos liberdade de sermos quem somos.

Jhey Borges

Jenifer Borges, publicitária, colunista e ativista das causas das mulheres, negros, jovens e LGBTQIA+, escrever é um ato político desde que suas palavras sejam condizentes com igualdade social e sua própria índole

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