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Com 8 candidatos para cada criança, por que a fila de adoção não zera?

Com 8 candidatos para cada criança, por que a fila de adoção não zera?
(Foto: Pixabay)

No Brasil quase cinco mil crianças aguardam para serem adotadas, enquanto o número de pais e mães na fila de adoção chega próximo de 40 mil. O alto número de pretensos adotantes não significa que a fila irá diminuir e, ao contrário do que muitos podem imaginar, não são as burocracias que agem como empecilhos para isso. Dentre os entraves está o perfil buscado pela maioria dos pais, que não aceitam crianças negras, nem maiores de quatro anos, por exemplo.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) compilados pelo Observatório do 3º Setor apontam 26,1% dos pretendentes a adotar desejam crianças brancas, que representam apenas 16,68% dos cadastrados na fila para adoção. Crianças de até 4 anos são desejadas por 58%, desses, 51% exigem que elas tenham de 0 a 3 anos e 61,5% não aceitam irmãos. 57,7% dos pretendentes não aceitam crianças ou adolescentes com nenhum tipo de doença. E se a criança tem mais de 8 anos, as chances dela conseguir ser adotada cai abruptamente, pois somente 4,52% dos candidatos aceitam adotar quem tem mais de 8 anos. 

Enquanto menos de 17% das crianças e adolescentes cadastrados na fila de ação são brancas, quase 49,7% são pardas. Em suma, 92% das crianças e adolescentes não estão dentre o perfil buscado pelos candidatos a pais e mães. 

Para a advogada, mestre e doutora em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Glenda Gondim, especializada em direito familiar, muitos pretendentes entram na fila da adoção com uma visão que objetifica a criança, escolhendo ou rejeitando aqueles que não se adaptam no perfil físico esperado. Segundo Gondim, isso pode vir a trazer prejuízos para esse núcleo familiar no futuro. “Que tipo de família é essa que você está formando, se família é ninho? Como é que você deseja essas características? E essa pessoa fugir desses critérios em determinado momento? E se ela não for exatamente o que você está desejando? Se ela em algum momento tiver aqui alguma situação, alguma dúvida diferente do que você está esperando que ela tenha? Porque ela é um ser humano. As crianças nascem pelos pais e não dos pais”, reflete a doutra.

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Faltam políticas públicas

Um dos caminhos para mudar este cenário e chegar mais próximo de zerar a fila de espera da ação no Brasil passa, necessariamente, pela construção e implementação de políticas públicas para isso. Porém, segundo Glenda Gondim, o governo federal não tem apresentado medidas satisfatórias nesse sentido.

“Não temos políticas públicas adequadas para isso. Já tivemos algumas iniciativas, mas atualmente não temos. O que a gente tem visto muito são iniciativas privadas, ou seja, pessoas que criam mecanismos para fomentar a fala da adoção, para discutir esse tema tão importante”, aponta Gondim.

Neste dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção, mas o que se tem visto é um apagão quanto a importância da data. “Veja, até mesmo quando a gente tem aí no mês de maio a data da adoção, quando nós deveríamos estar sendo levados em enxurradas de publicidade, de políticas públicas, não vimos”, diz a advogada.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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