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Com anúncio de “manchas de sangue nas paredes”, antigo Dops aparece no Airbnb

Com anúncio de “manchas de sangue nas paredes”, antigo Dops aparece no Airbnb
Foto: Reprodução/Airbnb

Um antigo centro de tortura, conhecido como Dopinho, estava sendo oferecido pelo Airbnb como uma casa para hospedagem, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O local, que tem o nome em referência ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), é considerado o primeiro centro clandestino de repressão do regime militar e funcionou entre 1964 e 1966.

De acordo com o Nossa, do portal Uol, na plataforma de hospedagem, o imóvel era anunciado como uma “linda casa de época moderna”. E não dizia nada sobre o histórico do local. 

A ilustradora Carolina Porfírio, de 36 anos, estava quase reservando o imóvel sem saber da história da casa. Ela relatou ao Nossa do portal Uol, que estava procurando uma residência para alugar em setembro com um grupo de pessoas para ir em um evento de quadrinhos que acontece na cidade, mas por conta de uma avaliação negativa na plataforma descobriu que no local já funcionou uma centro de detenção do regime militar.

Na avaliação que a ilustradora se referia, um outro usuário do site contava que a tentativa de alugar o local foi a “pior experiência” dele na plataforma. “A casa tem uma energia péssima, vários pichos na frente com a palavra ‘sangue’, a casa estava toda manchada de pingos vermelhos e na frente uma placa da prefeitura dizendo que neste local morreram muitas pessoas torturadas pela ditadura, pois é um ex-Dopinho. Tive que cancelar a reserva e achar outro Airbnb no dia da minha formatura, foi terrível conseguir contornar a situação”, escreveu o homem.

Na frente do imóvel, foi instalada uma placa que explica a história do centro de detenção que era comandado pelo major Luiz Carlos Menna Barreto. Segundo a peça, colocada em agosto de 2015, ali funcionava uma “estrutura paramilitar para sequestro, interrogatório, tortura e extermínio de pessoas ordenadas pelo regime militar de 1964”. A placa ainda detalhava que o Dopinho foi desativado, mas que o local conta “com as paredes manchadas de sangue”. 

“O major Luiz Carlos Menna Barreto comandou o terror praticado por 28 militares, policiais, agentes do DOPS e civis, até que apareceu no Guaíba o corpo com as mãos amarradas de Manoel Raimundo Soares, que suportou 152 dias de tortura, inclusive no casarão. Em 1966, com paredes manchadas de sangue, o Dopinho foi desativado e os crimes ali cometidos ficaram impunes”, dizia o texto. 

Mas essa primeira placa foi coberta com concreto pelos donos do imóvel. E só depois de um inquérito aberto pelo Ministério Público, o objeto foi reinstalado em 2021.

A proprietária do local, identificada como Maria Laura, contou ao Nossa que o imóvel sempre foi da família, mas que eles gostariam de ocultar que ali no passado funcionou um centro de tortura clandestino. “O fato de ser Dopinha na década de 1960 é algo que queremos esquecer”, relatou a dona.

O Airbnb disse em nota que desativou as reservas da acomodação para avaliar o caso. “O Airbnb tem regras e políticas que determinam como a comunidade deve usar a plataforma para criar uma experiência em que as pessoas se sintam em casa em qualquer lugar e está comprometido a aplicar suas políticas para proteger a comunidade”, afirmou o comunicado enviado ao Nossa, do portal Uol.

Rafaela Moreira

Jornalista, repórter do Regra dos Terços e diretora de programas de televisão na TV Band e na Rede Super.

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