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COMO ESTAVAM FHC, LULA E DILMA UM ANO ANTES DE DISPUTAREM A REELEIÇÃO

COMO ESTAVAM FHC, LULA E DILMA UM ANO ANTES DE DISPUTAREM A REELEIÇÃO
Foto: Alan Santos/PR

No último domingo (26), o Instituto Datafolha divulgou no jornal Folha de S. Paulo uma nova pesquisa de intenção de votos para as eleições de 2022. O levantamento mostrou que 26% dos eleitores que votaram no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018 não votariam nele novamente em 2022. O resultado pode dificultar os planos do presidente de uma reeleição no ano ano que vem.

Embora pareça pouco provável que Bolsonaro consiga se reeleger ao analisar os dados do Datafolha, o feito não é impossível, como mostra a história recente. Após quatro anos de mandato, os presidentes que optam por uma recandidatura ao posto mais alto do Executivo costumam ter a popularidade e confiança dos eleitores um pouco abalada. Afinal, a população já sabe como é a gestão do candidato em questão.

O Regra dos Terços fez um levantamento de pesquisas de intenção de votos feitas pelo Datafolha em 1998, ano que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (do PSDB, conhecido como FHC) foi reeleito e dos anos 2005, ano anterior ao pleito que reelegeu Lula (PT) e 2013, um ano antes do início do segundo turno que reelegeu a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

Em julho de 1998, alguns meses anteriores ao pleito que decidiria quem ocuparia a presidência do Brasil, uma pesquisa do Datafolha publicada no jornal Folha de S. Paulo, mostrou que a disputa entre FHC, que estava tentando uma reeleição, e Lula estava acirrada. Entre maio e junho de 1998, os presidentes estavam quase empatados no percentual de intenção de votos: FHC contabilizava 33% das intenções de voto, enquanto Lula 30%. 

No entanto, com a aprovação do Plano Real pelo povo brasileiro,  em julho do mesmo ano, o percentual de eleitores que votariam no FCH para um segundo mandato subiu para 40% e Lula caiu para 28%. 

Anos depois, era Lula que estava em busca de uma reeleição à presidência. Em agosto de 2005, período em que estava acontecendo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurava casos de corrupção no governo Lula, as intenções de votos para o ex-presidente Lula estavam cada vez menores – assim como ocorre com Bolsonaro, pressionado pelos escândalos desvendados pela CPI da Pandemia.

No entanto, o candidato petista ainda era favorito entre os entrevistados (30%) em relação ao concorrente e então candidato, José Serra (28%), nas eleições de primeiro turno. Mas em simulação de um segundo turno, era Serra quem tinha mais chances de vencer, com 36% das intenções de voto, enquanto Lula permanecia com 30%.

A sucessora de Lula foi a ex-presidente Dilma Rousseff, eleita pela primeira vez em 2010 e reeleita em 2014. Em 2013, o levantamento do Datafolha mostrou que se as eleições acontecessem em novembro daquele ano, ela venceria as eleições em primeiro turno. A candidata tinha 47% das intenções de voto. Os concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), tinham 19% e 11% das intenções de votos, respectivamente. A amostra analisava apenas as intenções de votos para o primeiro turno com base em possíveis candidatos para a época, onde Lula também era cogitado como um possível candidato pelo PT.

Avaliação de Bolsonaro e eleições de 2022

A gestão de Bolsonaro tem sido marcada por polêmicas e suspeitas de crimes praticados pelo presidente, parlamentares e ministros próximos a ele. Alguns fatores como a crise econômica e a má gestão da crise sanitária causada pela pandemia de covid-19 têm contribuído fortemente para os resultados das pesquisas de intenção de votos no próximo ano.

Bolsonaro
Foto: Alan Santos/PR

Das 3.667 pessoas de 190 municípios brasileiros ouvidos pela pesquisa Datafolha entre os dias 13 e 15 de setembro, 66% afirma que não votaria no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições. 46% rejeitam a possível candidatura do atual governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB). Ciro Gomes (PDT) tem 40% de rejeição e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), 20%. 

Em um possível segundo turno entre Bolsonaro e Lula, 23% dos eleitores de Bolsonaro em 2018 disseram que votariam em Lula, 65% repetiriam o voto no atual presidente e 12% em nenhum, branco ou nulo, segundo o Datafolha mais atual. 

Gestão, confiança e abertura de impeachment 

A pesquisa questionou os entrevistados sobre qual era a opinião deles em relação ao governo Bolsonaro. Dentre os apoiadores do presidente, 46% consideram a gestão ótima ou boa; 31% regular e 22% ruim ou péssima. No cenário geral, a avaliação total do governo é diferente: 53% analisam como ruim ou péssima; 24% regular e 22% ótima ou boa. 

A confiança nas falas de Bolsonaro entre os apoiadores do presidente, também mudaram: 25% afirmaram que nunca confiam nas declarações do mandatário; 34% sempre confiam e 40% confiam às vezes. Analisando todas as respostas, 57% nunca confiam, 28% às vezes e 8% confiam sempre. 

Em relação à abertura de um impeachment, 24% dos eleitores do presidente disseram que o Congresso deveria abrir o processo de afastamento contra Bolsonaro; 73% não concordam. No entanto, de todos os entrevistados pela pesquisa, 56% diz que a Câmara deveria abrir o processo de impeachment. 

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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