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Como o PSL virou comunista para Bolsonaro

Como o PSL virou comunista para Bolsonaro
Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

Após aderir à onda bolsonarista nas eleições de 2018, o Partido Social Liberal (PSL) saltou de uma representatividade irrisória na Câmara para se tornar o segundo partido que mais elegeu deputados federais, saindo de um parlamentar eleito em 2014 para 51 em 2018. Em 2020, o PSL foi o partido que mais ganhou nos filiados nas eleições, apesar da saída de Bolsonaro da legenda em novembro de 2019. No entanto, o crescimento exponencial não acompanhou a evolução da articulação e da experiência política dos principais nomes da legenda, como Carla Zambelli (SP), Major Vitor Hugo (GO), Felipe Barros (PR) e Bia Kicis (DF), prejudicando os acordos internos, o alinhamento com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas votações em plenário e a sustentação política. 

Um dos principais aspectos que evidencia a confusão interna e a falta de articulação política do PSL é a divergência entre o alinhamento do governo e o do antigo partido de Bolsonaro nas votações na Câmara dos Deputados. Já em fevereiro de 2019, o então presidente do PSL e deputado pernambucano Luciano Bivar votou contra o governo na Casa, impondo a primeira derrota do Planalto na Câmara. O parlamentar votou pela aprovação da urgência do projeto que derrubava o decreto de alteração da Lei de Acesso à Informação (LAI), publicado em janeiro pela gestão Bolsonaro.

Bolsonarismo: da ascensão à queda
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O voto de Bivar, porém, foi interpretado como um protesto do Congresso ao Executivo, de forma a demonstrar a insatisfação crescente dos deputados do PSL com a falta de interlocução com o governo, que já se aproximava de políticos e de partidos do Centrão em busca de angariar mais apoio nas votações de projetos de lei. O PSL também se afastou de Bolsonaro por não ter sido consultado para discutir a reforma da Previdência antes da apresentação da proposta à Câmara.

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Por outro lado, embora a lealdade de poucos parlamentares bolsonaristas tenha resistido às eleições de 2018, a falta de articulação do PSL prejudicou o cálculo político do partido na votação a favor de uma das principais bandeiras eleitorais de Bolsonaro: o voto impresso. Desde 2018, o presidente suscitou dúvidas sobre a lisura do sistema de votação no Brasil e sobre a urna eletrônica, apesar de não apresentar nenhuma prova de fraude. Embora o deputado bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR) tenha se tornado relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso na Câmara, o PSL não conseguiu articular o número de votos suficientes para aprovar a proposta, alcançando apenas 229 do mínimo de 308 votos favoráveis para a aprovação de uma PEC.

As brigas envolvendo a liderança do PSL na Câmara renderam não apenas uma confusão envolvendo diversas listas de apoio, mas também uma cisão interna no partido. A disputa entre os deputados Eduardo Bolsonaro (PT) e Delegado Waldir (GO) terminou com a vitória do filho do presidente em 21 de outubro de 2019, após os deputados Daniel Freitas (SC) e Léo Motta (MG) retirarem o apoio a Waldir e garantirem a vitória por duas assinaturas a mais do filho de Bolsonaro, após assinarem tanto a lista a favor do Delegado Waldir quanto a lista a favor de Eduardo Bolsonaro.

Em 17 de outubro de 2019, pouco antes da vitória de Eduardo Bolsonaro, Delegado Waldir foi nomeado líder da bancada do PSL na Câmara pela Secretária-Geral da Mesa. Porém, uma nova crise entre Bolsonaro e o PSL começou após uma reunião interna do partido, na qual Waldir afirmou que iria “implodir” o presidente Bolsonaro devido à pressão que o presidente exercia na época para que seus aliados apoiassem Eduardo como líder da bancada do PSL. “Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, afirmou o delegado, em áudio obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O que será do PSL no futuro?

Embora o PSL tenha uma série de lideranças envolvidas em polêmicas que prejudicam a imagem do partido diante do eleitorado, o cientista político Ricardo Ismael afirma que o principal motivo da ruína política foi recusar que Bolsonaro assumisse o comando informal do partido. “Ao rejeitar que Bolsonaro se tornasse dono do partido, o PSL passou a enfrentar uma grande dificuldade. O presidente foi realmente o que fez o PSL evoluir de um deputado eleito em 2014 para 51 em 2018. E se o Bolsonaro tem a caneta e distribui cargos para partidos do Centrão em vez do PSL, não existem figuras no partido carismáticas o bastante para angariar votos sem a onda bolsonarista. Luciano Bivar, por exemplo, é uma piada em termos de competitividade como candidato à presidência”, afirma o cientista político.

Após a janela partidária encerrada em 1º de abril deste ano, o atual partido do presidente Bolsonaro, PL, se consolidou como maior bancada da Câmara ao absorver 33 deputados federais e alcançar 73 cadeiras na Casa. A maioria dos deputados vieram do partido que mais perdeu filiados, isto é, o União Brasil. O partido criado pela fusão entre DEM  e PSL passou de 81 para 50 deputados, evidenciando a erosão política do antigo partido de Bolsonaro. 

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Mesmo considerando que o União Brasil tem acesso a um grande fundo eleitoral devido à fusão entre partidos, Ricardo Ismael acredita que o PSL de 2018 teve apenas dois caminhos a seguir: filiar-se ao PL junto com Bolsonaro durante a janela partidária, ou permanecer no PSL e trabalhar para construir uma candidatura viável sem a popularidade do bolsonarismo. “O meu prognóstico é que, desse PSL eleito em 2018, os que têm mais chance de se elegerem são os que estão ao lado de Bolsonaro, porque se o presidente tiver 30% dos votos nacionais, essa turminha de apoiadores será eleita. Por outro lado, o pessoal que era do PSL e agora é União Brasil, sustentando o antibolsonarismo, terá que se livrar de algo muito difícil, que é o fato de já terem sido bolsonaristas e, agora, serem chamados de oportunistas pelo eleitor”, explica Ismael.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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