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Como o PT matou, de novo, a terceira via em 2022 ao “roubar” aliados de Ciro

Como o PT matou, de novo, a terceira via em 2022 ao “roubar” aliados de Ciro
Foto: Mário Miranda/Amcham/Divulgação

Com as principais candidaturas à presidência em polos opostos, o discurso de uma terceira via se torna cada vez mais inviável, pois um candidato moderado e palatável aos eleitores indecisos não é capaz de catalisar os sentimentos antipetistas e antibolsonaristas que definirão as eleições deste ano. Além disso, a dificuldade de evitar a concentração de votos em Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se soma à falta de coletividade e união interna entre os partidos que buscam lançar candidaturas moderadas, como o PSDB com Eduardo Leite, o PDT com Ciro gomes e o MDB com Simone Tebet. Nesse contexto, destacam-se as alianças entre o PT e partidos de esquerda como PCdoB e PV, que fortalecem o espectro ideológico de Lula e ampliam a rede de apoio político e articulações estaduais do partido, além de deixar Ciro Gomes quase sem opções para fazer alianças significativas.

Do ponto de vista político, os candidatos de terceira via permaneceram com perfis dúbios em relação a Bolsonaro, sem direcionar o marketing de suas campanhas para esclarecer suas contradições fundamentais com o presidente e secundários com Lula, buscando transmitir credibilidade com um perfil moderado. De maneira geral, as pesquisas eleitorais aparentam uma estabilidade das intenções de voto em Lula (PT) e Bolsonaro (PL) e uma pulverização dos candidatos de centro, principalmente após a desistência do governador de São Paulo João Doria (PSDB) e do ex-ministro Sérgio Moro (União Brasil). 

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Terceira via: A busca por um nome viável

Embora o PT esteja com uma candidatura relevante à presidência nestas eleições, o cientista político da Uninter, Doacir Quadros, explica o motivo que leva à movimentação constante de Lula em busca de acordos nas disputas estaduais. “Essa aliança entre partidos de esquerda ocorre devido ao fato de que o PT reduziu muito sua representação no Legislativo, o que faz falta na campanha presidencial. Por isso, é importante haver palanques estaduais fortes, em parceria com outras siglas do mesmo espectro ideológico.” 

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O único partido ideologicamente semelhante ao PT e que ainda resiste em aliar-se a ele é o PDT, sobretudo porque o presidenciável Ciro Gomes não negocia sua candidatura, contrariando pressões para que desista devido ao favoritismo de Lula na esquerda e de seu desempenho nas pesquisas eleitorais. Atualmente, Ciro busca alianças políticas mais ao centro, mas enfrenta resistências e se recusa a abrir mão de sua candidatura para aderir à possível unificação dos adversários comuns de Lula e Bolsonaro em apenas um nome da terceira via.

Segundo o cientista político Doacir Quadros, “se houvesse interesse do PT em lançar um candidato de terceira via, essa aliança já teria sido costurada no início do ano. E o PDT, por sua vez, é apenas o Ciro Gomes, que é um candidato que já tenta a campanha presidencial há muito tempo, com o apoio de um eleitorado que lhe é simpatizante, porém, não é fiel. Para Lula, o cenário é interessante por causa de seu histórico como gestor público e da revisão das decisões do ex-juiz Sérgio Moro por parcialidade, e isso traz fôlego eleitoral. Também existe a questão do voto retrospectivo, que considera a volta do desenvolvimento econômico durante a gestão Lula”, afirma.

Bolsonarismo: da ascensão à queda
Bolsonarismo: da ascensão à queda

Além de a popularidade de Lula e Bolsonaro reduzirem o impacto da imagem pública dos candidatos, a própria pulverização e baixa expressão das candidaturas de terceira via nas pesquisas eleitorais aprofunda seu fracasso. MDB e PSD, por exemplo, se dividiram em duas alas: uma que prefere a neutralidade na eleição nacional e a outra que opta por apoiar os candidatos mais bem colocados nas pesquisas, como Lula ou Bolsonaro.

A pressão intrapartidária é originada por candidatos ao Legislativo que não querem prejudicar suas candidaturas regionais. Por isso, não querem que suas siglas se vinculem a um dos dois antagonistas do embate público, ou desaprovam a canalização de verbas dos fundos partidário e eleitoral para candidaturas presidenciais sem potencial. O último caso foi, inclusive, um dos fatores que influenciou a saída de Sérgio Moro do Podemos ao União Brasil, bem como a desistência da legenda em lançá-lo candidato a presidente.

PT e PDT: semelhanças ideológicas não promovem aliança política

As desavenças entre Lula e Ciro se aprofundaram após 2018, quando o PT esvaziou as alianças do pedetista ao unir os partidos de esquerda em torno da candidatura de Fernando Haddad (PT). Ciro, por sua vez, recusou-se a subir no palanque do candidato do PT e permaneceu neutro no segundo turno. 

Para conseguir uma vaga no segundo turno em 2022, a campanha de Ciro ataca tanto Bolsonaro quanto Lula, mas especialmente o petista, devido à afinidade ideológica entre ambos. Em suas declarações e peças publicitárias, Ciro tenta lembrar ao eleitor que Lula errou ao escolher Dilma Rousseff (PT) como sucessora no Planalto, associando a escolha de Lula a um dos fatores que causou o cenário de desequilíbrio econômico e fiscal no Brasil atualmente. 

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Lulismo: As esperanças controversas

Nesse contexto, considerando que as pesquisas eleitorais apontam uma inviabilidade da candidatura de Ciro para o segundo turno, o PT passa a perder mais com o afastamento em relação ao PDT, pois é mais provável que o PT precise mais do voto cirista do que o contrário.

Para o cientista político da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rodrigo Stumpf Gonzalez, Ciro não consegue avançar nas pesquisas por falta de carisma político. “O Ciro Gomes vai continuar discutindo política e ninguém vai ouvir ele. Porém, em termos de perfil de proposta política, ele é o candidato que tem um perfil mais claro, que continua com um viés neodesenvolvimentista, com uma certa lógica de nacionalismo econômico, um pouco galgado na própria proposta mais tradicional do PDT”, explica.

O PT considera, inclusive, que a desistência da candidatura de Ciro poderia ajudar Lula a derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PL) já no primeiro turno. Porém, o pedetista já afastou a hipótese de desistir. Apesar de defender o nome de Ciro, o presidente do PDT, Carlos Lupi, sugeriu que não descarta a possibilidade de aliar-se regionalmente com o PT, pois “cada estado tem sua peculiaridade” na corrida ao Planalto.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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