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No mês da consciência negra, LGBT’s negros comandam as redes

No mês da consciência negra, LGBT’s negros comandam as redes
Foto: Doug Oliver/Divulgação

Olá querides companheiros e companheiras! No mundo das redes sociais de hoje enfestado de fake news e notícias de diversas vertentes ficou complicado disseminar coisas boas em meio à tanto ódio. No mês de novembro comemoramos o dia da consciência negra e por isso hoje vamos falar deste protagonismo que vem ganhando espaço nas redes sociais trazendo diversos conteúdos diferentes.

A população negra LGBTQIAP+ vem crescendo neste campo, vem trazendo ângulos diferentes sobre temas que estão há muito tempo sendo debatidos nas redes, mas sem o protagonismo negro e LGBT. No universo dos influencers estas pessoas têm contribuído efetivamente sobre sexualidade e diversidade nas redes do TikTok, Instagram e Twitter.

Nos últimos 40 anos no Brasil, passamos a conviver com um conjunto de iniciativas que foram chamadas como “novos movimentos sociais”. Mais do que nunca é importante entender as nuances e questões que permeiam a vida de pessoas negras que pertencem a sigla LGBTQIAP+.  As várias inquietações voltadas para a representatividade do povo negro já é uma realidade dura e complicada de lidar, quando se une à representatividade negra e LGBT fica ainda mais complexo e de relevância ainda maior.

Recentemente na série Pose (2018) vimos a cultura dos Ballrooms na Nova York de 1980. Onde uma transexual abriga jovens LGBT’s que foram expulsos de suas casas em uma época marcada pela ascensão dos bailes. O elenco é majoritariamente composto por mulheres trans e homens gays negros. Este protagonismo nas grandes produções gera impacto direto nas lutas e na busca por espaços dentro da comunidade cis/ branca, levando outros tipos de temas ao palco de importância que precisam.

Foto: Raphael Vicente/Divulgação

Raphael Vicente, de 21 anos é um jovem negro gay que está ativamente na plataforma do TikTok com cerca de 2,3 milhões de seguidores. Morador do complexo da Maré, no Rio de Janeiro, ele tem se tornado cada vez mais protagonista de pautas que levam a sua realidade para o grande universo das redes sociais. “Muitos influenciadores não se posicionam, mas eu não quero ser só mais um”, diz.

A visibilidade do seu trabalho em uma rede social tão importante como o TikTok traz inspiração para jovens que tenham a mesma realidade de Raphael.  “Criando conteúdo com minha realidade, eu posso incentivar outras pessoas que vivem como eu a criarem alguma coisa, mostrar que elas também podem fazer isso, independente do lugar onde moram.”

Numa realidade onde o negro sempre foi e ainda é pautado nas manchetes de racismo e de discriminação, ter uma outra realidade de esperança faz toda a diferença.  Doug Oliver, ativista das causas LGBTQIAP+, tem mais de 500 mil seguidores no Instagram e no TikTok. Um dos maiores motivos para sua ascensão foi ter unido amigos para a criação do canal Mansão das Poc (termo para se referir a membros da comunidade LGBTQIA + ). Eles vivem na mesma casa e compartilham a sua rotina com quase 500 mil inscritos no YouTube.

Foto: Doug Oliver/Divulgação

“Quando eu era um espectador, não havia muitos criadores de conteúdo como eu: afeminado, negro. Hoje, muitas pessoas negras chegam em mim e falam que sou uma inspiração. Sempre fico muito feliz quando isso acontece “, diz ele.

Nem tudo são flores, quanto mais visibilidade mais ataques eles sofrem, mais violência eles presenciam e mais coragem precisam para aprender a lutar por sobrevivência. “Quando a gente é uma pessoa LGBT e negra, já está preparado para isso. Eu já saio com a ideia de que eu vou ter que, de alguma forma, me defender de um ataque”, afirma.

Recentemente os produtores do grande reality show BBB (Big Brother Brasil) apostaram numa gama de pessoas negras em seu elenco. A edição do programa, que hoje ocupa um espaço muito significativo também nas redes e não só na TV aberta, gerou polêmicas entorno da causa negra e gay ao mesmo tempo. Havia participantes gays e negros como o Gil do Vigor e também participantes bissexuais e negros como o Lucas Penteado, ambos viveram um afair juntos em uma das festas transmitidas ao vivo.

Isso tudo levou vários debates para as redes sociais que é onde tudo acontece com intensidade. Mais uma vez o foco estava na sexualidade da comunidade negra e desta vez o protagonismo também viera de forma ruim para muitos haters.

A expansão desse tipo de conteúdo vem tomando forma significativa e vem tornando pautas sobre racismo e sexualidade, uma realidade comum e importante. Cada vez que nosso povo garantir mais espaço e mais visibilidade vamos vir aqui “expor” e contextualizar nossas lutas, um dia talvez não precisemos mais falar sobre ocupar lugares que não são nossos e sim sobre como aproveitar melhor esses lugares que também são nossos por direito.

Jhey Borges

Jenifer Borges, publicitária, colunista e ativista das causas das mulheres, negros, jovens e LGBTQIA+, escrever é um ato político desde que suas palavras sejam condizentes com igualdade social e sua própria índole

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