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BOLSONARO DIZ QUE VAI SE REUNIR COM CONSELHO DA REPÚBLICA NESTA QUARTA-FEIRA

BOLSONARO DIZ QUE VAI SE REUNIR COM CONSELHO DA REPÚBLICA NESTA QUARTA-FEIRA
Cerimônia comemorativa do 7 de Setembro, no Palácio da Alvorada. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta terça-feira (7) que vai se reunir com o Conselho da República nesta quarta-feira (8). O colegiado analisa a estabilidade das instituições e precisa ser ouvido caso o presidente pretenda decretar estado de defesa ou estado de sítio no Brasil.

A declaração de Bolsonaro foi feita em seu discurso a manifestantes que pedem a volta da ditadura, o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal (STF) e outras pautas antidemocráticas na Esplanada dos Ministérios. “Amanhã estarei no Conselho da República, para nós, juntamente com os presidente da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, mostrar para onde nós todos devemos ir”, declarou Bolsonaro.

Cerimônia comemorativa do 7 de Setembro, no Palácio da Alvorada. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apesar da declaração, os integrantes do Conselho da República não foram avisados da reunião. Até hoje, o Conselho da República só se reuniu uma vez, em 2018, para definir a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. No mês passado, havia agendada uma reunião entre os chefes dos Três Poderes no Brasil, mas o encontro foi cancelado pelo presidente do STF, Luiz Fux, diante da escalada golpista no discurso de Bolsonaro.

O Conselho da República é o órgão superior de consulta da Presidência da República, criado para assessorar o mandatário do país em momentos de crise. O colegiado é composto pelo vice-presidente da República, pelos presidentes da Câmara, do Senado, por líderes da maioria e da minoria da Câmara e do Senado, pelo ministro da Justiça e seis cidadãos brasileiros.

Em seu discurso aos manifestantes nesta terça-feira (7), Bolsonaro voltou a fazer ameaças golpistas. “Não mais aceitaremos que qualquer autoridade, usando a força do poder, passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação, ou qualquer certeza que venha de fora das quatro linhas da Constituição. Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica [em alusão a Moraes] da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse poder [Luiz Fux] enquadra o seu [Moraes], ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos. Porque nós valirzamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada poder da República”, disse Bolsonaro. “Aqui na Praça dos Três Poderes, juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede pra sair”, completou.

Os manifestantes foram convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para participar de um ato com pautas antidemocráticas, com ameaças a ministros do STF e ao Congresso Nacional. Na semana passada, Bolsonaro chegou a dizer que os atos do feriado seriam “um ultimato” a ministros do Supremo.

A utilização de PMs em uma tentativa de Bolsonaro em criar uma ruptura institucional é vista com preocupação por governadores e especialistas em segurança pública. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) acende um alerta sobre a radicalização das forças de segurança pública no Brasil. O estudo mostra um salto na participação de oficiais da Polícia Militar e profissionais da Polícia Civil em ambientes radicais. 

A temperatura da crise tem aumentado, assim como a apreensão entre políticos em Brasília. Dentre as ameaças feitas por apoiadores de Bolsonaro e que circulam nos bastidores da política está a de uma possível invasão de manifestantes ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora, nos bastidores, seja dado como certo que as Forças Armadas não embarcariam em uma aventura golpista, a situação das polícias militares não é tão cristalina. 

Nesta segunda-feira (6), ex-presidentes, ministros e parlamentares de 26 países demonstram preocupação com manifestações bolsonaristas de 7 de setembro. Mais de 150 autoridades assinam o documento capitaneado pela rede global Progressive International.

“Nós, representantes eleitos e líderes de todo o mundo, soamos o alarme: Em 7 de setembro de 2021, uma possível insurreição colocará em perigo a democracia no Brasil”, diz trecho da carta.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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