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COORDENADOR DA FUNAI PROPÕE “METER FOGO” EM ÍNDIGENAS ISOLADOS DO AMAZONAS

COORDENADOR DA FUNAI PROPÕE “METER FOGO” EM ÍNDIGENAS ISOLADOS DO AMAZONAS
O Ministério Público Federal do Amazonas está investigando uma denúncia de que garimpeiros ilegais no rio Jandiatuba, na Amazônia, massacraram “mais de dez” membros de uma tribo isolada. Caso confirmado, isso significa que até um quinto de uma tribo inteira pode ter sido exterminada. Tribos isoladas na Amazônia brasileira, imagem aérea em 2010. © G.Miranda/FUNAI/Survival

A Folha de S. Paulo divulgou nesta quinta-feira (22) um áudio em que o tenente da reserva do Exército e coordenador da Funai, Henry Charles Lima da Silva, encoraja que líderes do povo marubo disparassem contra indígenas isolados em caso de importunação. “Eu vou entrar em contato com o pessoal da Frente [de Proteção Etnoambiental] e pressionar: ‘Vocês têm de cuidar dos índios isolados, porque senão eu vou, junto com os marubos, meter fogo nos isolados’”, disse Henry, no dia 23 de junho em uma reunião na aldeia Paulinho.

Imagem aérea em 2010. © G.Miranda/FUNAI/Survival

Segundo relatos dos marubos, uma mulher de 37 anos teria sido raptada dezesseis dias antes dessa reunião. A vítima teria sido encontrada depois de quatro horas de busca com as mãos amarradas e sozinha. Essa teria sido a terceira tentativa de sequestro da mesma mulher desde o final do ano passado.

“São eles que estão saindo do território deles para importunar os marubos”, disse ainda Henry na gravação. “Não estou aqui para desarmar ninguém, também não estou aqui para ser falso e levantar bandeira de paz. Eu passei muito tempo da minha vida evitando a guerra, mas se a guerra vier, nós também não vamos correr. Se vierem na terra de vocês, vocês têm todo o direito de se defender”, continuou.

“Se eles [os isolados] cometerem algum delito, alguma ameaça a vocês, a gente tem de ver o que pode fazer pra poder parar”, argumentou o coordenador. “Eles já entendem. Já pedem cesta básica, já falam português, já têm contato direto com a frente, não se justificam certas atitudes deles”, completou.

A matéria da Folha ainda destacou que não existem povos isolados que falam português e nem que recebam algum tipo de cesta básica. Hnery está no cargo há um ano e possivelmente se confundiu com os korubos, povo indígena de recente contato.

No final de sua fala, Henry diz que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não consegue atuar na área indígena por, segundo ele, questões ideológicas. “A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) vai, denuncia, e a gente fica nesse impasse”, acusou.

*Com informações da Folha de S. Paulo

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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