fbpx

COP26: primeiro texto oficial é considerado fraco e insuficiente

COP26: primeiro texto oficial é considerado fraco e insuficiente
Protesto em Madrid, na Espanha, onde aconteceu a COP25 em 2019. (Foto: Pablo Bazquez/Greenpeace) © Pablo Bazquez/Greenpeace

O fim da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) foi marcado por fortes críticas de entidades ambientalistas, tanto pela ausência do governo do Brasil, como pelo rascunho do texto final, considerado como fraco. Para o Greenpeace, por exemplo, o texto falha ao “não mencionar o fim dos combustíveis fósseis, apesar do consenso de especialistas sobre a necessidade de acabar com o carvão, petróleo e gás imediatamente para cumprir as metas do Acordo de Paris, e limitar o aquecimento do planeta em 1,5 °C até 2100″.

O Greenpeace se uniu a ativistas de todo o mundo, para exigir que os negociadores “enfrentem os países produtores de combustíveis fósseis, como a Arábia Saudita (petróleo) e a Austrália (carvão), que bloqueiam as negociações para impor seus interesses”. Segundo a entidade, nos últimos 25 anos as COPs vêm obstruindo o debate sobre a redução dos combustíveis foceis.

Outro ponto relevante do documento, é que ele retira qualquer menção ao prazo para implantação do fundo de US$ 100 bilhões por ano para países em desenvolvimento.

O texto divulgado nesta sexta-feira (12) pede apenas que os países “acelerarem o desenvolvimento, implantação e disseminação de tecnologias, e a adoção de políticas, para a transição para sistemas energéticos de baixa emissão, incluindo o rápido aumento da geração de energia limpa e a aceleração da eliminação progressiva do uso sem restrições da energia a carvão e dos subsídios ineficientes para combustíveis fósseis”. Ambientalistas consideraram os termos genéricos e temem que o “sem restrições” e o “ineficientes” sirvam de pretexto para países continuarem usando carvão como fonte de energia.

Pontos de atenção da COP26

Apesar das fortes críticas ao rascunho da carta de compromisso do evento, o Greenpeace não está completamente pessimista com o evento e elencou também alguns pontos de possíveis avanças, que são:

• As negociações devem limitar o aumento da temperatura global a 1,5 ° C, ou os líderes não assinarão um pacto climático, mas uma sentença de morte para muitos países.

• O texto do acordo deve se comprometer com a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, ou não atingirá a meta 1,5 C°.

• Cumprir esses objetivos significa não permitir trapaças, ou buscar brechas, como mecanismos de compensação e falsas soluções (como mercado de carbono).

• Os negociadores devem superar o retrocesso imposto por países como Arábia Saudita, Austrália e, infelizmente, o que foi apresentado pelo governo brasileiro, um campeão de falsas soluções.

• Os países mais vulneráveis ​​às alterações do clima devem receber ajuda financeira dos países mais ricos, os maiores responsáveis pela crise climática.

Ausência do governo brasileiro

Mas o evento, que aconteceu em Glasgow, na Escócia, foi marcado pela ausência do governo brasileiro. Mas, apesar da falta do governo que é responsável – ou deveria ser – pela preservação de 6.700.000 km² da principal floresta tropical o mundo (Amazônia), a Conferência gerou momentos marcantes como o compromisso para salvar e recuperar florestas do planeta, que foi anunciado oficialmente no segundo dia de evento. 

Dentre os pontos firmados no acordo, está o freamento da destruição da biodiversidade, fome e proteção dos direitos dos povos indígenas. 

No evento foi assinado ainda, a Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra.  O primeiro ministro britânico, Boris Johnson, declarou que “proteger as florestas não é apenas uma ação para combater a mudança climática, mas também um ideal para um futuro mais próspero”. O Brasil, ao assinar a Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra, aderiu ao compromisso de reduzir em 30% a emissão de gás metano. 

Durante sua fala, o primeiro-ministro destacou que Brasil, China e Rússia estão entre os países que firmaram o acordo, e que isso também pode servir como uma oportunidade paralela para a criação de empregos. Jair Bolsonaro figurou somente através de um vídeo enviado, assim como o presidente da Rússia, Vladimir Putin.  

Outro foco importante da Conferência foi a denúncia sobre os gastos de dinheiro em práticas destrutivas do que para a proteção de florestas e agricultura sustentável, que na última década aumentou em 40 vezes. Diante deste cenário, mais de 30 instituições financeiras se comprometeram investir U$$ 8,7 trilhões para reverter esse quadro. 

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Atualmente é repórter de rede da Band e Bandnews TV em Brasília. Fundador do Regra dos Terços

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: