CPI DA COVID: EMANUELA MEDRADES DEPÕE NESTA QUARTA E FRANCISCO MAXIMIANO SERÁ OUVIDO EM AGOSTO

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, instalada pelo Senado, pretendia ouvir nesta quarta-feira (14) dois representantes da Precisa Medicamentos, empresa que teria feito intermediação nas negociações para compra da vacina indiana, Covaxin.

Os depoimentos esperados eram do sócio-administrador, Francisco Emerson Maximiano, e Emanuela Medrades, diretora da empresa. Os dois conseguiram no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de permanecerem em silêncio nos depoimentos. Após Medrades se posicionar na terça-feira (13) afirmando que permaneceria em silêncio, a CPI pediu ao órgão uma explicação sobre o alcance da decisão da diretora. Medrades ainda alegou no final do dia estar muito cansada para depor, o que levou ao adiamento do depoimento para esta quarta (14).

Pedro França/Agência Senado

Maximiano, por sua vez, teve seu depoimento adiado para agosto. A decisão foi tomada pela Comissão e anunciada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que afirmou não ter tempo hábil para ouvir os dois depoentes no mesmo dia. Nesta quinta-feira (15), deve depor Cristiano Alberto Carvalho, que se apresenta como procurador da empresa Davati Medical Supply.

Além disso, foi aprovado também o pedido para que a Polícia Federal (PF) compartilhe com a CPI o depoimento da diretora que aconteceu na segunda-feira (12). O Senado Federal afirmou que os membros das investigações já receberam a maioria destes documentos.

Governo Bolsonaro é atingido em cheio pelas polêmicas envolvendo negociações de vacinas

O escândalo envolvendo irregularidades na compra de vacinas contra a Covid-19 atingiu em cheio o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Além do atraso na compra dos imunizantes, das ofertas ignoradas da Pfizer e das irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin, o governo agora também se vê em meio a mais uma denúncia: a de que teria cobrado US$ 1 de propina por dose comercializada da AstraZeneca.

A Folha de S. Paulo revelou com exclusividade no último dia 29 que o representante de uma vendedora de vacinas afirmou ter recebido o pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde. Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, disse que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, foi o responsável pelo pedido de propina, que ocorreu em uma reunião no dia 25 de fevereiro. A empresa buscou o Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca com uma proposta feita de US$ 3,5 por cada.

Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O parlamentar também tem o nome envolvido em outro escândalo, da Covaxin.

Em depoimento à CPI da Pandemia no Senado, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, disseram ter levado pessoalmente ao presidente Bolsonaro suspeitas de irregularidades na compra da vacina.

Na conversa, Bolsonaro teria dito que as irregularidades tinham o dedo de Ricardo Barros e prometeu acionar a Polícia Federal para investigar o caso, o que não aconteceu. A importação das doses da Covaxin só foi suspensa pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dias depois.

A revista Crusoé mostrou ainda que o deputado Luís Miranda teria recebido propostas para receber propina de US$ 0,06 por dose da Covaxin importada caso não atrapalhasse a negociação. O valor poderia chegar a US$ 1,2 milhão – R$ 6 milhões – caso ele aceitasse a proposta.

Segundo a revista Crusoé, Miranda teve dois encontros com um lobista em Brasília para tratar do assunto. Na segunda reunião, o próprio Ricardo Barros teria estado presente, segundo a reportagem.

Em nota pública, o deputado Ricardo Barros afirmou nunca ter participado de qualquer negociação em relação à compra de vacinas. Já Bolsonaro confirmou ter se reunido com os irmãos Miranda em março de 2021, mas afirma que não houve qualquer comunicação de corrupção. 

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