CPI DA PANDEMIA APROVA REQUERIMENTO DE ESCLARECIMENTO DE PONTOS DO DEPOIMENTO DE NISE YAMAGUCHI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia aprovou nesta quarta-feira (9) um requerimento do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), para alterar as regras de classificação de documentos enviados à comissão. Só serão consideradas sigilosas, reservadas ou pessoais, as informações expressamente classificadas por lei.

A comissão também aprovou, em outra frente, requerimentos para esclarecer pontos do depoimento da médica Nise Yamaguchi. O Ministério da Saúde deverá informar eventuais contratos ou repasses de recursos para pessoas jurídicas que tenham Nise como sócia. As companhias aéreas Azul, Gol e Latam devem repassar ao colegiado os registros de voo realizados pela médica e por seus dois irmãos, Greici Yamaguchi e Charles Takahito.

Reprodução: TV Senado

Foi aprovado ainda um pedido para que a Polícia Federal (PF) realize uma perícia no aplicativo TrateCov que, segundo depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria sido alvo de hackeamento e extração indevida de dados. Ainda há desejo dos senadores de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se manifeste sobre o posicionamento da empresa farmacêutica Aspen, que se posicionou favorável ao uso da hidroxicloroquina no combate à covid-19. Vale lembrar que esta droga não tem eficácia comprovada contra a doença.

CPI vai ouvir auditor do TCU

A CPI também aprovou a convocação do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele é autor de um suposto estudo que supõe que metade dos óbitos por covid-19 no Brasil não teriam ocorrido.

Esse “estudo paralelo” foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicamente na tentativa de minimizar o impacto do coronavírus. No entanto, os dados oficiais apontam mais de 476 mil mortes no país. Bolsonaro chegou a assumir que os dados não eram verdadeiros e que estava equivocado na informação, mas não deixou de expor que acredita que esteja certo em seu posicionamento de desacreditar nos números oficiais.

Influência do Exército

O coronel Antônio Élcio Franco Filho, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, foi ouvido pela CPI nesta quarta-feira (9). Franco chamou atenção logo no início de sua fala ao assumir que os nomes indicados para compor a equipe do ministério foram determinados pelo Exército.

“Destaco que o general Pazuello recebeu sua missão diretamente do presidente da República, com aval do ministro da Defesa e do comandante do Exército. Fomos reforçados com 17 militares da ativa, selecionados e designados pelo Exército, para auxiliar em cargos chaves para uma missão que teria duração de 90 dias”, afirmou em seu discurso inicial. Isso deixou claro que a gestão do então ministro Pazuello teve interferência direta do Exército brasileiro.

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