PRESIDENTE DA ANVISA DIZ QUE GENERAL BRAGA NETTO CONVOCOU REUNIÃO PARA MUDAR BULA DA CLOROQUINA

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, disse nesta terça-feira (11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado que partiu do então ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, a convocação de uma reunião para discutir mudanças na bula da cloroquina, por meio de decreto. Barra Torres foi ouvido como testemunha na CPI, que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento à crise sanitária causada pelo coronavírus.

Barra Torres confirmou que a reunião, no Planalto, com a presença do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, e da médica Nise Yamaguchi, defensora da cloroquina, tinha como único objetivo massificar o uso do tratamento precoce com o medicamento, incluindo na sua bula o combate à Covid-19.

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em seu depoimento, Barra Torres disse que rejeitou prontamente a ideia por “não ter cabimento”. “Passou a haver um consumo bem maior que a produção, e numa velocidade avassaladora”, explicou Barra Torres. “Então precisávamos garantir o uso para quem efetivamente precisasse, caso do uso para pacientes lúpicos, maláricos e artríticos. Como o medicamento sumiu das prateleiras, entendemos que era hora de desburocratizar”, completou.

A Anvisa, porém, nunca referendou o uso da cloroquina para Covid-19. Barra Torres reforçou que não há comprovação de eficácia no uso do medicamento para tratar casos de Covid-19.

“Até o presente momento, no mundo todo, os estudos apontam a não eficácia comprovada em estudos ortodoxamente regulados, ou seja, placebos controlados, duplo-cego e randomizados. Então, até o momento, as informações vão contra a possibilidade do uso na covid-19”, disse.

Compra de vacinas

Durante o depoimento na CPI da Pandemia, o diretor da Anvisa destacou que não existe a obrigatoriedade de autorização do órgão para compra de vacinas. “Ou seja, o presidente podia ter comprado a vacina da Pfizer, já que não era necessária a autorização da Anvisa para compra, apenas para o uso”, pontuou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

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