À CPI, QUEIROGA DIZ QUE NÃO AUTORIZOU DISTRIBUIÇÃO DE CLOROQUINA

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quinta-feira (6) à CPI da Pandemia no Senado que não autorizou a distribuição de cloroquina para tratar a Covid-19. Ele é a terceira testemunha a ser ouvida pelos senadores nesta semana. Já passaram pela CPI os ex-ministros da pasta, Henrique Mandetta e Nelson Teich.

Marcelo Queiroga está à frente do Ministério da Saúde desde 23 de março deste ano. O médico cardiologista assumiu o cargo com o desafio de chefiar a pasta no pior momento da pandemia no país, quando se somavam cerca de 300 mil mortes no Brasil.

“Eu não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão. Não tenho conhecimento de estar havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão”, disse o ministro. Queiroga também afirmou que desconhece “aconselhamento paralelo” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre temas relacionados à pandemia.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A denúncia de que há um aconselhamento paralelo ao presidente foi trazida à CPI por Mandetta, no início da semana. “Ele tinha um assessoramento paralelo”, afirmou, sem definir quem assessorava o presidente nestas questões.

“Olha, eu testemunhei várias reuniões de ministros onde o filho do presidente, que é vereador no Rio de Janeiro (Carlos Bolsonaro), estava lá tomando notas da reunião”, disse Mandetta. “Por essas questões indiretas, reuniões com outros médicos, eu imagino que ele construiu alguns aconselhamentos que os levaram para essas decisões, mas eu não saberia nominar”, completou Mandetta.

Ainda durante seu depoimento, Queiroga informou que o governo tem um contrato na iminência de ser assinado para aquisição de 100 milhões de doses de vacinas da Pfizer, sendo que 35 milhões devem chegar em setembro.

O ministro também reconheceu que o Brasil precisa de “mais doses e ativismo maior do governo” junto aos países produtores para acelerar o ritmo de vacinação. “Há uma dificuldade de vacinas a nível mundial. Temos dialogado”.

Já Teich disse à CPI que deixou o ministério por falta de autonomia para atuar. “Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências quanto à eficácia e extensão do uso da cloroquina”, disse o ex-ministro.

Saiba mais sobre a CPI

Além de ouvir depoimentos, a CPI também já aprovou centenas de requerimentos requisitando informações ao governo federal e a outras instituições, como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União (TCU) e governos estaduais.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou um plano de trabalho com seis linhas de investigação.

Ainda nesta quinta-feira (6) está previsto o depoimento do diretor-presidente da Agência de Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, às 14h.

Fabio Wajngarten, ex-secretário especial de Comunicação Social do governo federal, e Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, também serão ouvidos pela CPI, na semana que vem.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), já agendou o depoimento de Wajngarten para a próxima terça-feira (11) e o de Araújo para o dia 13.

Na terça-feira (11), além de Fabio Wajngarten, a CPI ouvirá Marta Dias, atual presidente da Pfizer no Brasil, e Carlos Murilo, que já ocupou esse mesmo cargo. Na quarta-feira (12), serão ouvidos Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, e Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan. Já na quinta-feira (13), além de Ernesto Araújo, a CPI agendou o depoimento do presidente da União Química, Fernando Marques — a União Química representa a vacina russa Sputnik V no Brasil, que teve sua aplicação negada no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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