CPI: RENAN CALHEIROS QUER CONVOCAR BRAGA NETTO PARA PRESTAR DEPOIMENTO

Durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, nesta terça-feira (13), o senador e relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), defendeu a convocação do ministro da Defesa, Braga Netto. O relator citou a nota assinada pelo ministro e por comandantes das Forças Armadas contra uma fala do presidente da comissão, o senador Omar Aziz (Dem-AM). 

Para Renan Calheiros, há algum tempo o ministro fez ameaças de golpes e precisar ser investigado pela Comissão. “Braga Netto faz ameaças diuturnas, com retrocesso, com golpes, desfazendo a própria essência dos golpes. Nós já tivemos golpes no Brasil, rupturas institucionais, mas nós nunca tivemos um golpe como este que está sendo ameaçado, na defesa de um governo corrupto e impopular, de acordo com o entendimento da população brasileira”, disse. De acordo com o site O Globo, há na Comissão três requerimentos de convocação de Braga Netto que não foram analisados. 

O ministro da Defesa, Braga Netto. Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) também defendeu a necessidade de aprovar a convocação do ministro. “Havendo a necessidade de ser convocado a esta comissão, ele tem que ser convocado. Nós não podemos nos submeter a um ato intimidatório e, aí, não fazer a nossa investigação devida. Precisamos fazer essa investigação”,disse.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou um requerimento de convocação e relembrou o período em que o ministro esteve à frente da Casa Civil e disse que é preciso que a CPI investigue a comunicação de Braga Netto com o Ministério da Saúde. Para Rogério Carvalho, as intimidações do ministro contra a CPI podem ser uma tentativa de evitar que as investigações cheguem até ele. 

“Isso pode ser a base da tentativa de intimidar a comissão, para que esta comissão não solicite a comunicação interna dele [na Casa Civil] com os demais ministros da Esplanada para ver como ele conduziu no combate à Covid-19”, disse. 

Relembre o caso

Em 7 de julho, durante a CPI da Pandemia, que resultou na prisão do ex-secretário de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, Omar Aziz (Dem-AM) disse que há muito tempo não via militares envolvidos em escândalos de corrupção. A afirmação não foi bem recebida por membros das Forças Armadas que se manifestaram por meio de nota.  

“Fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos”, disse Aziz se referindo a alguns militares. A declaração foi feita após o senador questionar o cargo de Roberto Dias nas Forças Armadas, o ex-secretário afirmou que foi sargento da Aeronáutica.

Após a fala de Aziz, o ministro de Estado da Defesa, Braga Netto, e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica publicaram uma nota repudiando a fala do senador que, segundo eles, generalizou o esquema de corrupção e desrespeitou militares das Forças Armadas. “Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”, diz a manifestação. 

Em entrevista à coluna da jornalista do O Globo, Bela Megale, membros da cúpula das Forças Armadas afirmaram que se a Comissão voltar a citar casos de corrupção entre militares a reação será mais dura, no entanto, eles não deram detalhes do que poderá acontecer. 

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