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CRESCE NÚMERO DE POLICIAIS EM GRUPOS BOLSONARISTAS RADICAIS NAS REDES SOCIAIS

CRESCE NÚMERO DE POLICIAIS EM GRUPOS BOLSONARISTAS RADICAIS NAS REDES SOCIAIS
Imagem de fsHH por Pixabay

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) acende um alerta sobre a radicalização das forças de segurança pública no Brasil. O estudo, divulgado nas vésperas das manifestações bolsonaristas do dia 7 de setembro, mostra um salto na participação de oficiais da Polícia Militar e profissionais da Polícia Civil em ambientes radicais. 

A cooptação de profissionais da segurança pública pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para uma tentativa de ruptura institucional foi tema de uma reunião entre 24 governadores na semana passada. A temperatura da crise tem aumentado, assim como a apreensão entre políticos em Brasília. Dentre as ameaças feitas por apoiadores de Bolsonaro e que circulam nos bastidores da política está a de uma possível invasão de manifestantes ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora, nos bastidores, seja dado como certo que as Forças Armadas não embarcariam em uma aventura golpista, a situação das polícias militares não é tão cristalina. 

Imagem de fsHH por Pixabay

O estudo do FBSP mostra que há motivos para preocupação. A presença de profissionais das forças de segurança em redes bolsonaristas no digital aumentou 27% entre 2020 e 2021. Já a base dos membros de segurança pública que interagem nas redes sociais em ambientes bolsonaristas radicais subiu 24%.

O estudo considerou redes bolsonaristas aquelas com participação expressiva de seguidores de páginas relacionadas a políticos de direita mas que, não obstante o discurso radical, estão dentro da institucionalidade do jogo político partidário. Já os grupos radicais são aqueles que contam com participação expressiva de seguidores de páginas declaradas fãs e militantes do presidente Jair Bolsonaro e sua visão de mundo, independentemente do jogo político e das instituições. 

Os dados referentes a 2021 mostram que 21% dos profissionais de segurança pública do Brasil interagem em grupos radicais e 17% em grupos bolsonaristas “moderados”. 

O número de oficiais da Polícia Militar (PM) em grupos radicais subiu 35% de um ano para o outro. Em 2020, eram 17%. Já em 2021, são 23%. Outros 21% dos oficiais interagem em grupos “moderados” – um aumento de 17% em relação a 2020. 

Além disso, 30% dos praças da PM interagem em grupos radicais – 20% a mais do que em 2020. Outros 21% interagem em grupos bolsonaristas “moderados” – aumento de 31% em relação ao ano passado. 

A participação de investigadores, peritos e escrivães da Polícia Civil nesses ambientes virtuais também cresceu. Houve um crescimento de 100% nos grupos “moderados” – agora são 12% dos profissionais. Nos grupos radicais, o percentual passou de 4% para 7%. Já o número de delegados da Polícia Civil em grupos bolsonaristas caiu de 2020 para 2021. Eram 7% no ano passado e, agora, 2%. 

O número de delegados da Polícia Federal em grupos bolsonaristas, porém, subiu. Eram 12% em 2020 e agora são 13% – 5% deles em grupos radicais. Em relação aos agentes da PF, o crescimento foi ainda maior. Em 2020, 7% dos agentes interagiam em grupos “moderados”. Em 2021, são 11% – um aumento de 57%. Já o número de agentes em grupos radicais cresceu 50%, de 6% em 2020 para 9% neste ano. 

O estudo analisou 651 usuários no Facebook e Instagram com cargos em instituições de Polícias, garantindo um nível de confiança de 95% e 3% de margem de erro. Os dados foram extraídos de Portais da Transparência. Os dados de redes coletados foram: atividades dos usuários, interesses relacionados, principais figuras de influência nas redes, participação em ambientes de política e religião. 

Na semana passada, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) determinou o afastamento do chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 da PM, coronel Aleksander Lacerda, que vinha convocando manifestações contra os poderes Legislativo e Judiciário. 

“Creiam, amigos governadores, isso que está acontecendo em São Paulo pode acontecer também nos seus estados, fiquem atentos. Temos uma inteligência da Polícia Civil que indica claramente o crescimento desse movimento autoritário para criar limitações, restrições e emparedamento de governadores e prefeitos que defendem a democracia”, disse Doria em reunião do Fórum de governadores na segunda-feira (23). 

Flávio Dino (PSB), governador do Maranhão, elogiou a atitude Doria e comparou os movimentos para os atos com o mesmo cenário político de 1964, ano do golpe militar. “Esse clima que se avizinha para o 7 de Setembro não se insere na democracia. Pessoas armadas na rua é motim”, disse. 

Estimativas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) dão conta de que haveria no Brasil de 120 a 140 mil PMs radicalizados ideologicamente. 

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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