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Crianças protestam com flores contra a mineração na Serra do Curral (MG) 

Crianças protestam com flores contra a mineração na Serra do Curral (MG) 
Foto: Jeanine Oliveira/Projeto Manuelzão

Na manhã desta quinta-feira (09), um grupo de crianças se reuniu em frente ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) para pedir a suspensão da licença de exploração que permite a mineração na Serra do Curral. A licença foi concedida pelo governo de Minas Gerais no fim de abril e libera a atividade para a empresa Tamisa.

Coordenada pela campanha Tira o Pé da Minha Serra, a ação utilizou espécies de flores da região como símbolo de protesto, as quais foram colhidas sob a supervisão da ambientalista do Projeto Manuelzão, Jeanine Oliveira, em áreas da Serra onde a coleta é permitida. Essas flores foram reunidas em um buquê e entregue ao presidente do Tribunal, o desembargador Gilson Soares Lemes, o qual é um dos responsáveis por julgar a continuidade ou a suspensão da atividade mineradora na região da Serra do Curral.

Paralelamente, o Projeto Manuelzão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou, nas redes sociais, um vídeo que mostra as flores sendo colhidas pelas crianças. Com o slogan “Que nosso futuro seja preservado”, a ação objetiva trazer força à demanda popular de preservação da Serra do Curral e contra a mineração na região, que atende diversas comunidades ribeirinhas. No momento, o juiz Rogério Santos Abreu é o responsável pelo julgamento da permanência da licença de exploração de minérios concedida pelo governo estadual à empresa Tamisa. 

Após diversas licenças de mineração recusadas para a instalação do Complexo Minerário, a Tamisa adotou uma nova manobra judicial: excluiu a fase três do projeto do pedido de licenciamento, reduzindo o período de exploração de 30 para 13 anos e a previsão de extração de 1,2 bilhão para 31 milhões de toneladas de minério. Porém, os impactos ambientais do empreendimento ainda preocupam ambientalistas da região. “Nossa esperança é que o Judiciário se sensibilize e perceba o que está em jogo e quantas pessoas vão ficar em uma péssima situação caso nós não preservemos áreas verdes que nos prestam serviços ecossistêmicos imprescindíveis para que a gente tenha saúde e a própria vida”, explica a pesquisadora Jeanine Oliveira.

A manifestação em frente ao Tribunal de Justiça foi pacífica e direcionada para a promoção de uma mudança real no cenário ambiental e contrária a mineração na região. “O objetivo é dizer do que se trata nossa luta, que é o tanto que a Serra do Curral é uma área importante para o nosso futuro. Já que estamos falando de preservação ambiental, também falamos de crianças, porque o futuro é delas”, afirma Jeanine.

A pesquisadora também ressalta como a ação foi prazerosa para as crianças envolvidas, afirmando que os jovens da comunidade ribeirinha são “vidrados” pela Serra do Curral. “O que eu mais gosto e o que me deixa mais encantada é que eles sempre tem alguma coisa muito nova sobre a Serra. As crianças do território tem uma identificação com a região, que é na verdade o quintal delas, como foi o meu antigamente. Agora, também é parte do meu trabalho e da minha vida. Por exemplo, uma das crianças que participou do vídeo de divulgação disse que a gravação foi um dos melhores dias da vida dele. Acho que isso diz tudo!”

O Manuelzão foi criado como projeto de extensão do curso de Medicina da UFMG. Sua fundação ocorreu por meio de médicos que entenderam, ao longo da sua formação, que as próprias comunidades criam e espalham a maior parte das doenças que as acometem por transmissão livre, iniciada em águas contaminadas. Logo, eles pensaram que seria mais interessante tratar o meio ambiente para, consequentemente, prevenir de doenças todos os seres que ali habitam. Neste ano, o projeto de instalação de uma nova mineradora preocupa ambientalistas e organizações da sociedade civil, especialmente o projeto Manuelzão.

Há sete anos, Tamisa tenta instalar seu complexo minerário em uma área de preservação ambiental da Serra do Curral, na divisa com Belo Horizonte e Sabará, que terão suas áreas urbanas afetadas pelo projeto. Inicialmente, a Tamisa previu retirar 1,2 bilhão de toneladas de minério de ferro ao longo de 30 anos, em três fases. Porém, em nota, integrantes do projeto Manuelzão alertam que a divisão do projeto de mineração em fases é uma manobra comum das empresas para mascarar o impacto ambiental total, ao final das três fases, e aumentar as chances de obter a anuência junto aos órgãos ambientais.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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