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Cura do HIV: entenda o caso

Cura do HIV: entenda o caso
(Foto: Getty Images)

Nesta quarta-feira (27), um quarto paciente foi curado da infecção pelo HIV. Com 66 anos, o paciente estava há 17 meses sem sinais do vírus do corpo, apesar de ter suspendido o tratamento com medicamentos antivirais. Após sua cura, recebeu o apelido de “paciente de City of Hope”, pois esse é o nome da unidade de saúde de Duarte, Califórnia, em que foi tratado. Após 31 anos de infecção, trata-se do paciente com HIV mais longevo a se curar após um transplante de medula. Porém, especialistas ressaltam que o tratamento utilizado para a remissão do vírus não é viável em larga escala.

O que explica a singularidade do caso é que a remissão do vírus do HIV ocorreu como consequência do tratamento de uma segunda doença: a leucemia. O paciente, cujo nome não foi revelado, passou por um transplante de medula e, por isso, os médicos buscaram um doador que fosse naturalmente imune ao vírus HIV. 

Esses doadores devem ter uma rara mutação no gene CCR5, responsável pela produção de uma proteína que libera a entrada do vírus HIV nas células humanas de defesa CD4+. Por isso, pessoas que receberam uma determinada mutação do CCR5, tanto do pai quanto da mãe, são resistentes à infecção por algumas das variantes do HIV.

Há três anos e meio, o paciente realizou o transplante de medula quanto tinha 63 anos e, após o procedimento cirúrgico, continuou o tratamento contra o HIV. Por precaução, o uso de antivirais só foi suspenso após o momento em que “City of Hope” foi vacinado contra a Covid-19. 

Antes desse caso, outros três pacientes com HIV foram curados no mundo. Em dois deles, os homens receberam células-tronco adultas, mais frequentemente utilizadas em transplantes de medula óssea. No terceiro caso, uma paciente norte-americana com leucemia que também recebeu um transplante de células-tronco de um doador com mutação no gene CCR5, ou seja, que era naturalmente resistente ao vírus.

O primeiro caso de remissão ocorreu em 2007, com um paciente de Berlim, Timothy Ray Brown. Já o segundo ocorreu com o “paciente de Londres”, o venezuelano Adam Castillejo. Ambos conseguiram a remissão do HIV através do transplante de medula óssea de pacientes com mutação no gene CCR5-delta 32, tornando-as naturalmente resistentes à infecção pelo vírus. O terceiro caso, por sua vez, foi de uma paciente de 64 anos que realizou o transplante de medula para curar-se da leucemia e, consequentemente, conseguiu a remissão do HIV. 

Embora as notícias de remissão do HIV sejam animadoras, o uso do transplante de medula como estratégia de cura pode trazer mais malefícios do que benefícios, caso não haja uma indicação clínica para o procedimento em pacientes que, por exemplo, não têm leucemia. Existem casos de transplante que provocam o fenômeno da “doença do enxerto contra o hospedeiro”, que consiste no ataque a órgãos do transplantado por parte das células da medula óssea do doador. Porém, o caso de “City of Hope” mostrou, pela quarta vez, que existe uma evidência acerca da possibilidade de cura do HIV através de transplantes de medula.

Qual é a diferença entre remissão e cura?

No senso comum, não existe diferença entre remissão e cura. Porém, médicos afirmam que o termo “cura” não é o mais indicado, sendo o mais correto afirmar que, nos quatro casos citados, houve “remissão sustentada do HIV sem medicamentos antirretrovirais”. 

Em entrevista ao G1, o médico infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ricardo Diaz, explicou que o termo “remissão” se refere ao fato de suspender o tratamento e o vírus HIV não voltar. “Em algumas pessoas a gente tem evidências muito fortes de que realmente o vírus não existe mais. Nenhum pedacinho do vírus, nem qualquer sinal de que ele esteja escondido no corpo”, afirma.

No entanto, Diaz ressalta que é preciso esperar ao menos dois anos para diagnosticar uma remissão do vírus HIV, pois a suspensão do tratamento com antirretrovirais em um momento inadequado pode estimular a multiplicação do vírus no organismo. Dessa forma, a intenção da terapia antirretroviral é “acordar” o vírus que está latente, dentro das células, e eliminá-lo; porém, a cura é demorada. “Para curar uma pessoa, você teria que tratar de forma efetiva por 80 anos. Por isso que não dá para interromper o tratamento – porque, na hora que você interrompe, aparece um vírus latente”, explica Diaz.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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