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Dados de desmatamento na Amazônia desmentem discurso do Brasil na COP26

Dados de desmatamento na Amazônia desmentem discurso do Brasil na COP26

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), que aconteceu entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro, mais de 9 milhões de árvores foram derrubadas na Amazônia. Os números são da plataforma de controle do desmatamento PlenaMata, uma iniciativa do MapBiomas, InfoAmazonia, Natura&Co e Hacklab.

Ainda que o discurso do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, no plenário da Conferência fosse apaziguador e de compromisso contra o desmatamento, os números apontam que o Brasil é o quarto país que mais contribui para o aumento da temperatura média global desde 1850, segundo a análise da Carbon Brief.

Os órgãos ambientais que são responsáveis pela fiscalização desse tipo de crime, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), receberam durante a gestão do atual governo o menor orçamento dos últimos 20 anos. Além disso, servidores ambientais alegam que os órgãos estão sendo aparelhados por militares e há uma carência de cerca de 4.000 servidores capacitados.

As terras que deveriam ser preservadas pelo governo federal tiveram, segundo pesquisas do Instituto de Pesquisa Ambiental (Ipam), 3,7 mil km² de área desmatada entre o mês de agosto de 2020 e julho de 2021. Esses números representam 28% de todo o desmate que aconteceu de forma criminosa neste período. Ainda, segundo os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), as áreas da Amazônia que foram mais atingidas são as chamadas “florestas públicas não destinadas”, que perderam um total de 13 mil km² para o desmate.

Outra pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que a Amazônia Legal teve uma área de cerca de 877 km² em alerta de desmatamento. Esse número é 5% maior em relação ao ano passado. Além disso, os dados de desmatamento são divulgados geralmente antes da COP, mas este ano o governo adiou os números e distorceu informações na Conferência.

Mourão se manifesta a respeito dos altos índices de desmatamento na Amazônia

Hamilton Mourão, vice-presidente da República, afirmou nesta segunda-feira (22) que é preciso “manter a pressão nas operações” que punem os crimes ambientais na região da floresta Amazônica. Mourão ainda defendeu que é preciso avançar na cobrança de pagamentos por serviços ambientais e regularização fundiária.

O vice-presidente comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal que foi recriado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2020, na intenção de combater o desmatamento e as queimadas com a ajuda das Forças Armadas, por meio de operações de garantia da lei e da ordem (GLO’s).

Contudo, as atuações do Ibama caíram ainda mais no último ano. Segundo o Observatório do Clima, houve enfraquecimento nas ações de fiscalização, o que acarretou maiores índices de crimes ambientais, já que foram lavrados apenas 2.742 autos de infração entre 2020 e 2021. Este número é 41% menor do que o último monitoramento feito antes da gestão do atual governo e a menor na série histórica deste período.

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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