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Dentes e neuroses

Dentes e neuroses
Foto: Pixabay

Bem, hoje, venho contar mais um fato que serve de prova de que eu e a Kelli somos a mesma pessoa. A Kel tem um dente que ela trata a vida inteira e que, sem brincadeira, já caiu em situações tão inusitadas a ponto de termos que estar na emergência, bêbadas, porque DO NADA ela sentiu o dente cair no meio de um rolê.

No meu caso, eu tenho um dente que eu quebrei quando tinha oito anos, mordendo uma rolha de champanhe. Minha avó, na época, ficou furiosa e com razão. A dentista (que cuidou do meu pai, da minha avó e cuida de mim desde pequena) fez uma obturação, daquelas antigonas, de amálgama e até meus 25 anos ela nunca deu problema. Até que um dia, comendo um torrone no escritório, senti que meu dente fez uma ponta. Além de engolir a parte quebrada, fiquei o dia todo rindo de canto e tive que sair do escritório direto para a emergência. Resumo, foi preciso refazê-lo quase inteiro por causa de uma infiltração.

Hoje, antes de escrever essas lindas palavras ortodônticas, fui à dentista que já é quase da família, porque aos 30 anos o meu siso resolveu nascer. Aliás, dois deles resolveram dar a luz da graça. Na avaliação, ela me diz que novamente meu dente que eu quebrei duas vezes na vida precisa de reparo, porque ele infiltrou de novo. Eu ri, é claro. Porque fiquei pensando se ele cai no meio de um rolê ou de uma reunião, assim, do nada? Será que eu saberia lidar com a calma da Kelli? Porque a Kelli é a única pessoa que termina de rir de uma piada e diz: “viu, gente, meu dente caiu”. Sem nenhum tipo de crise. Juro. É bizarro. 

E eu acho bizarra essa calma, porque eu não sei se eu já expus isso, mas uma das minhas maiores neuroses sempre foi com dentes. Eu sempre cuidei ao máximo deles por pura vaidade e pela pressão psicológica que a minha avó fazia, porque ela gastou quase 10 mil reais no meu tratamento de aparelho/clareamento quando eu era mais nova. E ela sempre me jogava na cara isso quando me via com um cigarro na mão, inclusive. Sendo assim, quebrar ou perder um dente sempre foi uma neura muito grande. Ter uma cárie então? Nunca tive! E acho que eu surtaria se tivesse. Hoje mesmo, descobri que um dos dentes mais do fundo nasceu manchado e já fui falando “como que resolve isso?” A dentista vendo a neura passando nos meus olhos, riu. “Não precisa, isso é natural, já nasceu assim”. Não me convenceu. Já estou no google aqui vendo se isso pode ser algo grave e eu vou ter que colocar um implante. Oremos.

Então, é isso. Sigo aqui agora na saga do siso que envolve mais uma das minhas neuroses: anestesia. Mas isso fica para outro dia, prometo lhes manter informados!

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Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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