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Denúncias recorrentes de invasões a terras indígenas chegam à ONU

Denúncias recorrentes de invasões a terras indígenas chegam à ONU
Comunidade Pilão, do povo Maraguá, no Rio Abacaxis. Foto: Carla Cetina e Luiza Machado

Povos indígenas Maraguá e Munduruku denunciaram as constantes invasões de seus territórios por turistas, madeireiros, caçadores, pescadores predatórios, garimpeiros e operações policiais violentas na 49º sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A denúncia foi feita pelo tuxaua geral do povo Maraguá, Jair Seixas Reis, dois anos após o massacre de quatro ribeirinhos e dois indígenas Munduruku na região do rios Abacaxis e Marimari (AM), nos municípios de Nova Olinda do Norte e Borba.

Na época, o massacre do rio Abacaxis foi provocado por um grupo de turistas que ingressaram ilegalmente no local para praticar pesca esportiva. Além das mortes de ribeirinhos e indígenas, a operação que a Polícia Militar realizou no local é cercada de relatos de violações de direitos humanos que permanecem impunes. Outra consequência do conflito foi o impacto ambiental causado nos rios Abacaxis e Marimari. “Nossa água foi contaminada pelos corpos dos mortos deixados pela Polícia. Tivemos sede, fome e nosso povo ficou com muito medo”, revela o tuxaua Maraguá Jair Seixas Reis. 

Um ano após o massacre, diversas organizações sociais organizaram o webinário “Um ano do massacre do Abacaxis: Haverá justiça?” e redigiram uma nota conjunta, com cobranças públicas por uma apuração rigorosa da Polícia Militar sobre o caso.

Os coletivos questionam o objetivo inicial da polícia ao realizar a operação na região do rio Abacaxis, afirmando que a abordagem violenta se tratou de um ato de vingança, e não de um procedimento padrão para a busca por traficantes no território indígena. “Os dias que seguiram, daquele mês, foram marcados por fome, sede, humilhações, prisões ilegais, torturas, assassinatos e diversas outras violações de direitos humanos. Foram dias sombrios e de matança para as populações da região do Abacaxis, com um saldo de oito mortos e dois desaparecidos, que comoveram e tiveram repercussão local e nacional”, ressalta o documento.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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