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DESAPEGO – UMA LIÇÃO QUASE ENSINADA PELA MINHA AVÓ

DESAPEGO – UMA LIÇÃO QUASE ENSINADA PELA MINHA AVÓ
Eline Carrano - Sonhos do Avesso

Minha avó me fez crescer com o fundamento de independência muito forte. Repetidas vezes me aconselhava: Não se apegue. Não se apegue aos erros, aos sonhos que não fazem sentido, não se prenda em vidas que não te abrigam ou não te cabem mais, não se apegue nos comentários que não te fazem crescer, nos amores que já não te fazem mais feliz.

Não insista em convencer ninguém o seu valor, não crie raízes que te prendam numa vida sem conhecimento, não se apegue nos lutos que a vida tem com suas mortes diárias, não viva apenas das despedidas. Seja grata. Seja honesta. Seja inteira. E principalmente: Seja livre para sair ou ficar de tudo e de todos. Não perca a liberdade de escolher nada. “Ninguém paga a liberdade da gente”, ela repete todas as manhãs.

Dona Maria é uma mulher de partidas. Já disse adeus para milhares de pessoas, dentre essa lista foram-se amigos, filho, amores, pessoas que foram ajudadas e não voltam nunca mais, outros simplesmente esqueceram de agradecer o que ela fez em suas vidas- mas ela não liga, amor nunca foi sua moeda de troca- pessoas que nunca a deixaram de verdade. Segue doce, gentil e bem humorada até quando está tudo meio desajeitado.

Minha avó (nossa avó, como diz meu irmão) aspira lar. Ela tem colo que abraça e mãos que nos seguram e dão o suporte necessário para enfrentar o mundo. Enfim, Dona Maria segue firme dando seu adeus e desejando sorte pra todos que cruzaram a soleira da porta de sua casa ou trocaram sua vida de alguma forma. Segue fiel em quase todos os seus princípios. Quase. O maior de todos eles ela acaba falhando: ela não aprendeu ainda como ser uma pessoa impossível de se apegar

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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