DESCONECTAR É PRECISO?

Em 2016 assisti Black Mirror pela primeira vez. Assisti ao primeiro episódio da terceira temporada, que conta a história de um mundo em que a posição social de uma pessoa é definida por uma nota gerada pelos “likes” que essa pessoa recebe. Para comprar uma casa de determinado valor, em uma determinada região, você precisaria atingir um mínimo de pontos, assim como para frequentar certos lugares e ser socialmente aceito em certos grupos.

Não vou dar mais spoilers aqui, mas fiquei chocado. Primeiro porque aquilo que eu estava assistindo não tinha nada de fictício e muito menos futurístico. Vivíamos uma sociedade, no auge da popularidade do Facebook, em que as redes sociais tinham se tornado um termômetro para muitas pessoas, da sua felicidade perante os outros, da sua aceitação social e popularidade.

Foi um momento marcante. A partir de então, parei completamente de expor a minha vida pessoal nas redes, sumi do mundo virtual e só anos depois, com um controle precisamente calculado, posto uma coisa ou outra da minha vida pessoal. Uso para fomentar meu trabalho e minha música e me conectar aos meus amigos.

Desde então meu telefone não toca e não vibra, não mostra notificações de nada. Uso uma extensão chamada “Kill News Feed” que faz meu Facebook não ter timeline (recomendo!). Nos intervalos do trabalho, verifico se há mensagens, respondo às de trabalho, e deixo os amigos para responder com a qualidade merecida mais tarde.

Agora que estamos – os privilegiados que podem se dar esse luxo – trabalhando de casa nessa quarentena, o título desse post se torna uma afirmação: desconectar é preciso. Além das questões biológicas – a luz azul das nossas telas inibe a produção da melatonina, o que afeta nosso sono e, por consequência, nosso corpo inteiro –, estar o tempo todo conectado pode ser muito nocivo para nossa mente.

É tão gostoso passar aquela tarde com amigos e depois se dar conta de que esqueceu de registrar o momento. Sinal de que estamos vivendo no presente e que estamos usando as ferramentas tecnológicas e não o contrário. Falo, dentre outras coisas, da necessidade de viver no presente para se dar conta do que realmente importa em nossas vidas, no meu último livro publicado “Mill Sentidos da Vida”. Deixarei o link do livro no final desta matéria.

E você, o que faz para conseguir se desconectar desse mundo tecnológico e se conectar com você mesmo e as pessoas e coisas que importam?

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