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POR QUE DEVEMOS NOS PREOCUPAR COM A DESIGUALDADE?

POR QUE DEVEMOS NOS PREOCUPAR COM A DESIGUALDADE?

Que a desigualdade social no Brasil é um grande e permanente problema a ser enfrentado, isso já se tornou quase um clichê. De acordo com dados do IBGE o problema tem piorado. Mesmo durante a tímida recuperação econômica (2017-2018), desconsiderando os efeitos da pandemia – o rendimento dos 10% mais ricos aumentou 4,1%, enquanto o rendimento dos 40% mais pobres caiu 0,8%. Já a pandemia do novo coronavírus intensificou essa desigualdade: o que antes era um problema que afetava muito mais os mais ricos, hoje é o estrato mais pobre da população que paga o preço maior.

Desigualdade nem sempre está relacionada apenas à renda, mas há uma grande aceitação científica de que a desigualdade de renda esteja intimamente correlacionada com outras desigualdades. Por isso, tradicionalmente, mede-se a desigualdade de renda através do índice de Gini, em que quanto mais próximo de 1, mais desigual.

Na prática, mesmo em uma sociedade ideal, alguma desigualdade sempre vai existir. Inclusive, é essa desigualdade que funciona como um mecanismo de incentivo para que as pessoas trabalhem mais, aspirando uma mobilidade social. Mas esse argumento, resumido na frase “a desigualdade pode ser boa”, é viesado e nocivo para a sociedade. O fato de que alguma desigualdade sempre vai haver não significa que não devemos fazer nada diante dela.

A desigualdade de renda mascara uma desigualdade ainda mais nociva que é a desigualdade de oportunidades. O fato de um indivíduo nascer pobre pode ser determinante para muito daquilo que este indivíduo irá conquistar, se irá estudar em boas escolas e desenvolver as habilidades necessárias para ter uma profissão de alto nível, se terá um ambiente estimulante, aprenderá outras línguas, entre outros exemplos.

De fato, pesquisadores do FMI chegaram à conclusão empírica de que a desigualdade de renda reduz o crescimento econômico. Segundo esse estudo, nos países da OCDE o aumento na desigualdade nos últimos 25 anos custou uma redução de 8,5% do PIB. Mesmo para os economistas que enxergam números ao invés de pessoas, a desigualdade pode ser financeiramente inviável se comparada ao custo de programas sociais de redistribuição de renda.

Ainda que seja muito difícil inferir causalidade em estudos sociais, uma sociedade em que a camada 1% mais rica receba 34 vezes a renda dos 50% mais pobres, deixa transparecer uma enorme lacuna de injustiça social que precisa ser combatida.

professordabliu

Economista, Doutor em Desenvolvimento Econômico (UFPR/UCL). Atualmente é professor da Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP) e na Business School da Universidade Positivo (UP). É também avaliador dos cursos de graduação pelo INEP.

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