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Desmatamentos na Amazônia podem causar aumentos das temperaturas e mortes, alerta pesquisa

Desmatamentos na Amazônia podem causar aumentos das temperaturas e mortes, alerta pesquisa
Área com desmatamento em polígono de desmatamento recente, identificado pelo Deter 2021 e Prodes 2019 e 2020, em Aripuanã, Mato Grosso. Foto: © Christian Braga / Greenpeace

Dados de uma pesquisa publicada na revista Communications Earth & Environment nesta sexta-feira (1°) mostram que a contínua destruição da Amazônia junto com a crise climática global podem causar o aumento das temperaturas no Brasil. A estimativa é que a sensação térmica pode chegar até 34°C, na sombra. Além das consequências climáticas, o índice de mortalidade entre idosos e crianças pode aumentar. 

De acordo com outros estudos e projeções, se a situação ambiental continuar na mesma velocidade, esse cenário pode acontecer em pouco tempo. “As indicações são contundentes de que a floresta está em um processo avançado de savanização”, disse o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) Paulo Nobre, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo

Área com desmatamento em polígono de desmatamento recente, identificado pelo Deter 2021 e Prodes 2019 e 2020, em Aripuanã, Mato Grosso. Foto: © Christian Braga / Greenpeace

O aumento das temperaturas podem causar uma série de graves problemas para a saúde da população, principalmente entre os moradores da região Norte do país, onde as mudanças climáticas serão percebidas de forma mais acentuada. De acordo a pesquisa, o índice de mortalidade pode aumentar entre as faixas etárias mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com comorbidades.   

Além desses, pessoas em situação de vulnerabilidade social também correm risco. “Quando essas ondas de calor chegarem, não tem vacina. Não tem como se defender. O efeito combinado do desflorestamento, savanização e mudança do clima representa um perigo para a saúde pública que não tivemos até aqui”, alerta Nobre na entrevista à Folha. 

A pesquisa foi feita considerando dois cenários: um mais pessimista e outro intermediário. Desenvolvido pelo Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC), esse método de pesquisa apontou que até o final deste século o aumento das temperaturas se relaciona diretamente com o processo de savanização da Amazônia, ou seja, o bioma amazônico, devido o desmatamento, está caminhando para ficar semelhante às savanas. 

No cenário intermediário, as previsões mostram que a temperatura na sombra pode chegar a 37°C, já no pessimista a máxima pode ser de 41°C. Vale lembrar que a partir de 34°C, há riscos para a saúde humana. “Quando você tem 40°C na sombra, para onde você vai? Onde você vai se esconder?”, diz Nobre. 

A situação da Amazônia pode ser revertida?

De acordo com Nobre, a situação ainda pode ser revertida. No entanto, não é apenas o fim do desmatamento que irá mudar a situação, é preciso investir em reflorestamento na Amazônia e nos outros biomas, além do investimento e criação de medidas públicas de proteção ambiental. “Parar de desmatar não é suficiente. No Titanic não era mais suficiente parar os motores para não bater no iceberg” comparou. 

Desmatamento

De acordo com um mapeamento feito pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado em agosto, o acumulado de alertas de desmatamento em 2021 na Amazônia foi de 8.712 km². É a segunda pior temporada em cinco anos, segundo os dados do Deter.

A medição é entre agosto de 2020 e 30 de julho deste ano. A temporada é considerada por causa das variações do clima na Amazônia. No período de um ano, a área desmatada equivale a mais que cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo. A redução, em relação ao período anterior, foi apenas de 5,47%. Com isso, a redução de 30% no desmatamento ilegal até 2022 prometida pelo vice-presidente da república e presidente do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão torna-se cada vez mais inatingível. 

Entre 1° e 30 de julho de 2021, foram registrados 1.416,78 km², avisos de desmatamento, segundo o Deter. No mesmo período, o estado do Pará foi o mais desmatado, seguido por Amazonas e Rondônia. 

*Com informações Folha de S. Paulo

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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