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Deus, a guerra e o Brasil preocupado com testosterona

Deus, a guerra e o Brasil preocupado com testosterona
Foto: Reprodução/Twitter

Estamos em um momento histórico que os livros terão que ser muito bem roteirizados futuramente. Como descrever uma pandemia, as mudanças climáticas e, agora, uma possível terceira guerra mundial? Complicado.

Mas, meu papel nunca foi ser historiadora, apesar de gostar muito de falar sobre a vida cotidiana, que é a parte mais delicada da nossa história.

A internet trouxe a guerra para mais perto de nós, em tempo real. Se antes esperávamos um jornal, um comunicado oficial com 2 dias de delay, hoje vemos vídeos ao vivo dos imigrantes e das bombas sendo soltas nas casas de civis inocentes. Estão morrendo pessoas que cumprem horário de trabalho, que compram presentes de aniversário para seus filhos e que passeiam de manhã com seus cachorros. Morrem pessoas de verdade, não aqueles que estão se abrigando em desculpas desconexas de invasão, defesa e ataque, seja lá o que for. A guerra sempre me chocou por isso, por matar pessoas que não mereciam uma morte tão violenta e lutos tão repentinos.

Se a pandemia nos ensinou que a vida é frágil e qualquer vírus pode tirar quem amamos, a guerra nos ensina que a vida não tem valor algum para líderes políticos. Enquanto isso, militares se sacrificam por causas sem respaldo político, econômico ou qualquer argumento que talvez alguém venha usar para causar esse pânico no mundo. Não é só sobre o impacto financeiro, não é sobre a possível escassez de alimentos, não é só sobre isso tudo que uma guerra provoca. Não existe justiça em uma morte causada pela ganância de um tirano (ou vários tiranos).

E, enquanto vamos vendo esses horrores, temos um presidente despreparado e seguidores cegos desse imenso jumento com faixa de poder. Novamente, Jair Bolsonaro mostra que precisa se atualizar a respeito das questões de política (interna e externa), sobre noção de mundo. Outro dia vi um apoiador do presidente compartilhando a seguinte postagem:

“Rússia treinou homens para serem “super soldados”, o resto da Europa treinou homens para serem sensíveis e empáticos, os USA nomeou a primeira trans no comando do exército. Caso a China resolva atuar com a Rússia, existe um curso de masculinidade na China. Enfim, agora vamos descobrir o quanto a testosterona faz a diferença.”

Ler uma imbecilidade dessa me dá vergonha do Brasil que nos tornamos e me faz perguntar qual é essa neurose com testosterona e homossexuais. É sempre uma necessidade de afirmar uma masculinidade que a gente sabe que é frágil e criticar quem tem uma orientação sexual bem definida (já que os donos de toda testosterona não me parecem ter tanta certeza assim de seus desejos). Mas, ok, cada um fica focado no que quiser, quem sou eu para dizer alguma coisa, né? O Brasil mostra uma face de um ser preconceituoso, raso e sem nenhum tipo de evolução espiritual.

Um Brasil que se diz cristão e faz esse tipo de postagem que vai contra todos os preceitos de Jesus, é apenas um Brasil de hipócritas, que defendem a família, mas frequentam locais de prostituição. O mesmo brasileiro que faz esse tipo de comentário homofóbico e machista, é aquele que ajuda todo mundo no bairro e trata a mãe de forma grosseira. Cristo, esse que é citado para justificar um governo ignorante e a disseminação de ideias tão ridículas, incluiu em seus atos de amor judeus e samaritanos, ensinando claramente que todo indivíduo é filho de Deus e que devemos nos amar a despeito de nossas diferenças mais profundas, incluindo diferenças religiosas, políticas, sexuais e culturais. Se você não entende a importância desse ato, peço que volte duas casas e refaça a catequese.

Esse tipo de postagem que usa da guerra, que está matando, para fomentar uma falta de caráter e caridade, só me prova que essa não será a última e que são nessas horas que vemos o mais podre do ser humano. Afinal, só uma pessoa que não aprendeu nada com a vida, com os erros e se recusa a ver Deus na plenitude do amor e da caridade, para apoiar determinadas pautas.

Sigo aqui, falando com meu Deus que não somente sangra nesse momento junto de suas criaturas, como também deixou uma lista gigantesca de formas de boa convivência, começando pelo seu filho crucificado e que disse “Pai, perdoai”.

Que saibamos nos perdoar, superar e, acima de tudo, conviver, afinal eles realmente não sabem o que fazem. O mundo precisa crescer de alguma forma, sigo esperançosa.

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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