DEVOLVA-ME

Eu te conheci no meio do caminho. De dois caminhos. E a água que passava por debaixo de nossas pontes, molhava nossos joelhos e afogava nossas angústias. E cada angústia que eu contei na meia luz do seu peito, se tornaria uma forma de me acusar por ser tanto e não saber a hora de parar de sermos nós. Foi como entregar nas mãos do algoz a munição para ser ferido. Feri meus pés, mas continuei andando.

“Ninguém poderia ter tanto de si na própria vida, a ponto de não deixar ninguém entrar”, eu pensava. E eu pesava. Eu pesava milhares de quilos de borboletas que morreram no meu estômago todas as vezes que nesses meios de caminhos, você seguia e soltava minha mão. E soltava uma ilusão que daria de cara com o muro que eu fui erguendo a cada novo tropeço e morreria como tantas outras borboletas tristes.

E do lado de fora de toda essa vida que poderia ser simples, tão fácil quanto os outros amores que acontecem por aí, eu fechei meus olhos no meio de dois caminhos. E fui soltando de dentro de mim os perdões que eu deixei para depois. E fui amando meus demônios como se fosse possível realmente me resolver com eles. E os pares de caminhos foram se abrindo, eu fui vendo espelhos diante de mim e fui tentando abrir meus olhos e começar a admirar tudo aquilo que você não ama. E encontrei, entre dois caminhos, quem precisava de todo amor do mundo e tinha se esquecido disso.

Eu me abracei, eu me apertei nos meus braços e beijei minha testa em sinal de respeito. Eu depositei em mim todas as minhas esperanças. Eu segurei firme a minha mão. E eu me acompanhei, mesmo querendo que ao meu lado estivesse você. Porque entre todos os caminhos que eu poderia ter cruzado, nenhum deles me faria chegar até aqui. Nenhum deles me daria as dores e as certezas que eu tenho agora. Nenhum deles me tiraria de você para me devolver a ponto de entender que de nós só restou o silêncio.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: