fbpx

Estupro de pessoas LGBTQIA+ aumenta 88,4% no Brasil

Estupro de pessoas LGBTQIA+ aumenta 88,4% no Brasil
(Foto: Daniel James - Unsplash)

Mesmo durante a pandemia e com a subnotificação da violência contra essa população nos estados, os registros de estupro de pessoas LGBTQIA+ saltaram de 95 para 179 entre 2020 e 2021, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública nesta terça-feira (28), reconhecido como Dia do Orgulho LGBTQIA+. Os resultados mostram que o a comunidade convive com um aumento de 88,4% na violência sexual contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e outras orientações ou identidades. Além disso, os crimes de lesão corporal dolosa (intencional) e assassinatos de LGBTQIA+ também cresceram em 35% (de 1.271 para 1.719) e 7% (de 167 para 179), respectivamente.

Em números absolutos, o Anuário constatou 448 agressões, 84 estupros e 12 homicídios a mais contra a população LGBTQIA+ entre 2020 e 2021. No entanto, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Rio Grande do Sul não apresentaram informações sobre a violência contra a população LGBTQIA+ entre 2020 e 2021, demonstrando a subnotificação dos casos. Juntas, essas unidades federativas representam cerca de 46% da população brasileira. 

Nesse sentido, a ausência de registros nos estados citados torna impossível dimensionar o índice de violência contra a população LGBTQIA+ entre quase a metade dos brasileiros, ou cerca de 98 milhões de habitantes. Apenas em São Paulo um milhão de pessoas (2,3% da população) se declara homossexual ou bissexual, segundo a primeira pesquisa do IBGE sobre orientação sexual dos brasileiros, divulgada no dia 25 de maio de 2022. 

Dia do Orgulho LGBTQIA+ é marcado por protestos em todo país

Com o aumento preocupante e exponencial da violência contra a população LGBTQIA+ no Brasil, diversas cidades do Brasil registraram protestos e ações pacíficas relacionados ao Dia do Orgulho LGBTQIA+ nesta terça-feira (28), realizados com o objetivo de estimular o respeito à diversidade e fomentar a visibilidade da comunidade LGBTQIA+. Coletivos e associações de Brasília (DF), Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Fortaleza (CE) mobilizaram atividades como exposições da bandeira LGBTQIA+ em pontos turísticos, distribuição de materiais informativos, rodas de conversa sobre a importância dos direitos humanos e da luta por cidadania.

Em Brasília (DF), uma iniciativa da associação Brasília Orgulho, com produção de Igor Albuquerque e do Birosca, realizou diversas instalações de arco-íris em vários pontos turísticos da capital, os quais permanecerão colorindo locais como a Torre de TV, Museu Nacional, Teatro Nacional, Metrô-DF e Relógio do Sol, no lago do Parque da Cidade, até 11 de julho. Porém, para o Brasília Orgulho, as cores das instalações transcendem a estética. Para a associação, “ocupamos espaços e as ruas para mostrar a força da comunidade LGBT do DF e o quanto temos a celebrar e ainda a conquistar até a cidadania plena”.

Em Juiz de Fora (MG), a celebração do Dia do Orgulho ocorrerá com um evento no Calçadão da Rua Halfeld, organizado pela Câmara Municipal, Casa da Mulher, Centro de Atenção ao Cidadão (CAC), Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM), Centro de Referência em Direitos Humanos (CDRH) e Centro de Referência LGBTQIA+ (CeR – Diverse). Com a distribuição de materiais informativos, rodas de conversa, dança e a estreia do documentário “Tynna” no Teatro Paschoal Carlos Magno, o evento busca explorar, divulgar e legitimar a produção cultural LGBTQIA+, a qual tende a ser invisibilizada na sociedade assim como os membros da comunidade.

Em Fortaleza (CE), o dia do Orgulho será marcado por um ato organizado por movimentos sociais, ONGs e parcerias LGBTQIAP+ na Praça da Gentilândia, chamado “Grito do Orgulho”. Além de abrir espaço para shows de artistas locais, o evento também traz uma demanda social importante: a reivindicação do direito à realização da XXI Parada da Diversidade de Fortaleza, prevista para ocorrer em 7 de agosto. 

No Rio de Janeiro (RJ), os diversos eventos que a capital promove hoje se somam à iniciativas cidadãs, como o quarto mutirão de Requalificação Civil de pessoas trans e não-bináries, promovido pelo projeto Justiça Itinerante do Tribunal de Justiça do Rio, em parceria com o Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual da Defensoria Pública. A iniciativa ocorrerá na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), das 13h às 17h, com o objetivo de corrigir nomes e gêneros de pessoas transgêneros e não binárias na certidão de nascimento, o que facilita a mudança nos demais documentos de identidade. A previsão é de atender cem pessoas que já fizeram o cadastro prévio para a ação.

Por que 28 de junho? 

O dia escolhido para a celebração do orgulho LGBTQIA+ é 28 de junho devido à data da rebelião de Stonewall, em Nova York, no ano de 1969. Na época, o bar Stonewall Inn já era conhecido como um local acolhedor para a comunidade LGBTQIA+ e, por isso, era alvo de constantes e violentas abordagens policiais.

Apesar da circulação de ideias progressistas na região, as leis contra homossexuais ainda eram rígidas, colocando em risco de vida aqueles que demonstravam afeto não heterossexual em público. A repressão existia até mesmo para o consumo de bebida, pois a regulamentação estadual proibia os homossexuais de consumirem bebidas alcoólicas. Por isso, o Stonewall Inn surgiu através de uma iniciativa do mafioso “Fat Tony” para burlar a lei vigente.

Foi apenas em 28 de junho de 1969 que os frequentadores do bar reagiram à repressão, cansados de aceitarem a truculência das abordagens. Essa reação ocorreu em virtude de invasões em série da polícia nova-iorquina no Stonewall Inn, começando em 24 de junho e, depois, da noite de 27 para 28, quando os policiais voltaram ao clube na intenção de destruir e fechar definitivamente o bar.

Cerca de 2 mil manifestantes bloquearam a frente do bar e a Rua Christopher com seus corpos, protestando com as mãos dadas e gritando frases como “poder gay”, “queremos liberdade agora” e “Christopher Street pertence às rainhas”. O clima de revolta se manteve por algumas semanas, e a rebelião terminou com a prisão de 21 pessoas e a morte de um motorista de táxi por infarto, após ter seu veículo invadido. 

Um ano depois, os manifestantes decidiram celebrar a data hoje reconhecida como a primeira marcha do Orgulho, chamando-a de “Dia da Libertação da Christopher Street”, que era o nome da rua onde o bar Stonewall Inn se situava. Esse foi o início do evento anual e atualmente conhecido como “Parada Gay” ou Parada do Orgulho LGBT. No Brasil, a Parada de São Paulo é um dos maiores desfiles do mundo, e acontece anualmente na Avenida Paulista como forma de protesto pelos direitos civis da comunidade e combate à LGBTfobia.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

Deixe uma resposta

La Brea da vida real Macabras pedras da fome surgem na Europa 3 músicos independentes que você precisa conhecer O que você não sabe sobre povos indígenas ​9 curiosidades sobre seu gato
%d blogueiros gostam disto: