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O povo pode? Documentário mostra retrocessos do governo Bolsonaro e perseguição da Lava Jato a Lula

O povo pode? Documentário mostra retrocessos do governo Bolsonaro e perseguição da Lava Jato a Lula
Detalhe do filme O povo pode? – Um país pelo olhar de brasileiros”, dirigido por Max Alvim (Foto: Paulo Alberton)

Raros são os documentários que são contados pela ótica do povo, sem referendo de especialistas e analistas. Essa é a intenção do filme O povo pode? – Um país pelo olhar de brasileiros, de Max Alvim. Com imagens fortes, manchetes de jornais e explicações pela boca do povo mais pobre desse país, o documentário mostra os retrocessos que o Brasil tem vivido desde 2016, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu um impeachment.

Max ouviu quilombolas, camponeses, moradores de palafitas, voluntárias e trabalhadoras sem terra, que contam o que mudou para melhor quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito em 2002 e o que pensam sobre a prisão do petista.

Recheado de manchetes de jornais, o filme, que é contado pela ótica de grande parte da esquerda brasileira, levanta suspeitas sobre a verdadeira intenção dos procuradores do Ministério Público do Paraná, que comandaram a Operação Lava Jato, em especial do ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenou o grupo. A conduta de Sergio Moro, que foi o juiz que julgou o caso e condenou o ex-presidente Lula à prisão, também é questionada.

Uma grande sacada do filme são os recortes de manchetes de jornais, dentre eles o Jornal Nacional. Através desses destaques o filme mostra, sem precisar enfatizar verbalmente, como parte da grande imprensa brasileira embarcou no lavajatismo e como a operação Lava Jato utilizou da mídia para que obtivesse sucesso.

Ao não colocar isso na boca de nenhum personagem e nem do diretor Max Alvim, o filme foge do clichê de chamar a imprensa de golpista, fascista ou qualquer coisa que o valha, deixando assim, os próprios expectadores fazerem suas leituras.

Segundo jornais da época, que são mostrados no documentário, o ex-juiz conversou com a equipe do então candidato à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro, na época filiado ao extinto PSL (que virou UNIÃO BRASIL, partido que abriga Moro atualmente) e hoje no PL, sobre sua possível ida ao governo antes da realização do primeiro turno das eleições de 2018. A prisão de Lula, que era líder nas pesquisas eleitorais, o impediu de concorrer ao pleito, mesmo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmando que isso violaria os direitos políticos presentes em um Estado Democrático de Direito, o que resultou na eleição de Bolsonaro.

Após a eleição do atual mandatário, Moro anunciou sua ida ao governo federal. O filme mostra também, envolvimento dos Estados Unidos no andamento da operação Lava Jato e sugere que isso ocorreu para impedir o crescimento da Petrobras, alvo das investigações e que estava dominando o mercado internacional.

A petrolífera sofreu grande desvalorização após a Lava Jato e passou a vender subsidiárias após o impeachment da ex-presidente Dilma. Depois da saída do governo, Sergio Moro trabalhou para a empresa que advoga para a Odebrecht, principal empreiteira investigada na Lava Jato. O ex-ministro do governo Bolsonaro tentou se lançar pré-candidato à presidência da República, primeiro pelo PODEMOS e depois pelo UNIÃO BRASIL, mas foi descartado nas negociações partidárias. Por ter sido finalizado em 2021, o filme não mostra esta última parte dos fatos.

Dallagnol e Moro negam as acusações de perseguição política ou interesses escusos no andamento das investigações. A operação Lava Jato recuperou mais de R$ 25 bilhões de dinheiro oriundo da corrupção.

O Brasil piorou depois do impeachment

O filme elenca os principais retrocessos desde o impeachment da ex-presidente do PT. Dentre os pontos apresentados estão as interferência na Polícia Federal (PF) para que os casos de corrupção de pessoas próximas ao presidente Bolsonaro não fossem investigados, os desmandos na saúde que resultaram na morte de mais de 550 mil brasileiros (números da época em que o filme foi finalizado, mas que já ultrapassaram 665 mil vítimas fatais), destruição do sistema público de educação, desmatamentos e queimadas recordes na Amazônia e a volta da extrema pobreza e fome no país.

Apoio ao retorno do ex-presidente Lula ao poder

Todos os entrevistados no documentário são simpáticos a Lula e apresentam o desejo do retorno do petista à presidência da República. A fotografia do filme é impecável, assim como as artes que aparecem na tela e o ritmo em que a história é contada. A trilha é envolvente e aparece como a cereja do bolo.

Diferente do filme Democracia em Vertigem, da cineasta Petra Costa, que conta a história do impeachment através da visão da documentarista, O povo pode? – Um país pelo olhar de brasileiros, como o próprio nome indica, mostra toda a história pelo olhar do povo. De semelhança com o trabalho de Petra tem somente o recorte através da visão petista.

É um filme necessário para todos que desejam entender como grande parte da esquerda brasileira enxerga o que aconteceu no país nos últimos anos e também aqueles que vivem à beira da miséria e precisam de apoio governamental para se sustentar.

Como mostra o filme, o Brasil piorou desde o impeachment. O povo até pode reverter isso, mas somente se houver união.

Serviço

Atualmente as exibições acontecem exclusivamente presenciais, sempre com sessões gratuitas. A última edição aconteceu em Brasília, no dia 19, no Auditório da Câmara legislativa do Distrito Federal. As próximas exibições são:

Dia 27 – São Cristóvão (cidade histórica vizinha a Aracaju) – Lançamento em Sergipe – Praça São Francisco às 19h
Dia 28 – João Pessoa – Lançamento na Paraíba – Teatro Paulo Pontes às 19h
Dia 29 – Campina Grande – Cine teatro São José às 16h

Segundo o diretor Max Alvim, também “estão previstos os lançamentos no Ceará, Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, mas as datas ainda estão em negociação”.

Max afirmou ao Regra dos Terços que a intenção é deixar o filme público em plataformas de streaming a partir de agosto. “Até lá seguiremos com exibições presenciais, sempre gratuitas, em todo o Brasil através de parcerias com movimentos populares, sindicatos, cineclubes, pontos de cultura, centros culturais e demais organizações de interesse público”, disse.

Créditos

Financiamento coletivo
DCM

Realização
TVT
Instituto Alvorada Brasil
Canal Independente.

Direção, roteiro e montagem
Max Alvim

Assistência de Direção e Segunda Unidade de Câmera
Paulo Alberton

Direção de Fotografia
Aldo Ribeiro

Pesquisa
Max Alvim

Músicas Originais
Arismar do Espírito Santo

Música Adicional
Livio Tragtenberg
Narração
Kátia Klock
Max Alvim

Direção de Arte
Erico Dias

Consultoria de Conteúdo
LInC – Laboratório de Inteligência Coletiva
Luiz Augusto de Paula Souza – Tuto
Rogério da Costa
Vera Lúcia Ferreira Mendes

Imagens de apoio na entrevista com Lula na PF em Curitiba
João Wainer

Direção de Fotografia de Imagens Exclusivas da Caravana Lula Pelo Brasil
Ricardo Stuckert

Coordenação do Financiamento Coletivo
Marcelo Godoy

Produção Executiva
Francisco Almeida
Antonio Jordão Pacheco

Produtor Associado
Mauro di Deus

Conselho Editorial
Clarice dos Santos
Edson Barbeiro Campos
Jeter Gomes
Ronaldo de Moura

Assessoria Jurídica
Telesca Advogados Associados
Max Telesca

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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