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Indigenista e jornalista assassinados na Amazônia: entidades expressam indignação e cobram respostas

Indigenista e jornalista assassinados na Amazônia: entidades expressam indignação e cobram respostas
Foto: Reprodução

A Polícia Federal confirmou nesta quarta-feira (15) o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, que estavam desaparecidos desde semana passada na Amazônia. Os dois foram vistos pela última vez na comunidade São Rafael, a cerca de 2 horas de lancha da sede de Atalaia do Norte e próxima à Terra Indígena Vale do Javari. A reserva indígena é palco de conflitos relacionados ao garimpo ilegal, roubo de madeira e tráfico de drogas. Organizações ligadas à defesa das liberdades de expressão e de imprensa expressaram indignação e cobraram respostas. Em nota, as entidades questionam presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre estímulo à ocupação ilegal das terras de povos originários e ataques contra jornalistas que denunciam irregularidades.

“Reforçamos nossos pedidos às autoridades nacionais e internacionais para que a execução seja apurada de forma célere, transparente e independente, sem qualquer interferência que possa atrapalhar a investigação. É preciso investigar e responsabilizar os envolvidos na morte de Dom e Bruno, daqueles que perpetraram o crime àqueles que o ordenaram”, diz a nota. A manifestação é assinada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji); Associação de Jornalismo Digital (Ajor); Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Artigo 19; Intervozes; Instituto Palavra Aberta; Instituto Vladimir Herzog; Repórteres sem Fronteiras (RSF); e Tornavoz.

Os irmãos Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, e Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos, foram presos durante as investigações e, segundo a PF, Amarildo confessou o assassinato. A PF afirma que as investigações seguem em sigilo e ainda não é possível afirmar a motivação do crime.

Os corpos foram enterrados e restos mortais foram encontrados cerca de 3 km de distância de onde objetos pessoais de Bruno e Dom Phillips, como cartão de saúde e notebook, haviam sido encontrados dias atrás.

A busca pelos dois começou ainda no domingo do desaparecimento, dia 5 de junho, por integrantes da Univaja. As autoridades foram acionadas, mas os indígenas apontam a demora na ação das forças do Estado.

Na semana passada, Bolsonaro comentou o desaparecimento e afirmou que os dois haviam se lançado na região sabendo dos riscos, “em uma aventura que não é recomendável que se faça”. Nesta quarta-feira (15), o presidente do Brasil descreveu Dom Phillips como “malvisto na região” por fazer “muita matéria contra garimpeiro” e chamou de “excursão” o trabalho do correspondente do The Gardian, que, segundo o presidente, deveria “ter segurança mais que redobrada consigo próprio”.

“Seu comentário, mais uma vez, tenta isentar o Estado brasileiro de qualquer responsabilidade em garantir a segurança do trabalho de jornalistas, indigenistas e ambientalistas no Vale do Javari, e praticamente admite que criminosos assumiram o controle da região”, dizem as organizações ligadas à defesa das liberdades de expressão e de imprensa.

As entidades destacam que Bruno Pereira e Dom Phillips “estavam prestando um importante serviço para a sociedade ao reportarem a realidade amazônica”. “

Nos últimos anos, jornalistas e ambientalistas mostraram recordes de desmatamento e avanços de garimpeiros e madeireiros, da pesca predatória e do narcotráfico sobre territórios indígenas. Também foram divulgados assassinatos de ativistas e o enfraquecimento de órgãos de controle e de fiscalização pelo governo federal. Não se trata de aventura, e sim de jornalismo”, diz a nota.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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