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QUAIS AS CHANCES DE UMA TERCEIRA VIA NO BRASIL EM 2022?

QUAIS AS CHANCES DE UMA TERCEIRA VIA NO BRASIL EM 2022?
TSE - Tribunal Superior Eleitoral

Após o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) anunciar que pretende se candidatar às eleições de 2022, a busca por um nome para uma uma terceira via se intensificou no país. Mas, após a redemocratização, ainda não houve um terceiro nome que rompesse com a polarização que partidos de ditos de esquerda e direita travaram em anos eleitorais. 

A cada quatro anos acontecem as eleições presidenciais que mexem com todo país, afinal, um nome será escolhido para governar uma nação durante os 1.460 dias seguintes. Cerca de um ano antes do pleito, começaram a surgir possíveis nomes para possíveis candidaturas. Alguns, já conhecidos em outras áreas não ligadas ao governo, outros são personalidades bastante conhecidas na política.  

TSE – Tribunal Superior Eleitoral

Para as eleições presidenciais de 2022, a polarização entre as possíveis candidaturas de Lula e Jair Bolsonaro (sem partido) divide opiniões. Há, ainda, a possibilidade de uma terceira via, ou seja, um terceiro nome que poderá modificar os resultados nas urnas no próximo ano. 

O professor de políticas públicas e relações institucionais do Ibmec Brasília, Eduardo Galvão, explica que sempre houve a tentativa de emplacar um terceiro candidato capaz de ser eleitoralmente competitivo. No entanto, na maioria das eleições esse esforço serviu apenas para dividir os votos no primeiro turno, porém, no segundo a terceira via não tinha a possibilidade de vencer, pois nesse momento, o que decide o resultado é o chamado voto útil. “Ou seja, o eleitor vota naquele candidato que ele detesta menos, não necessariamente naquele candidato que é o da sua preferência, mas aquele que ele rejeita menos”, explica. 

Até 2003, ano em que o Lula foi eleito pela primeira vez, segundo Galvão, a narrativa dos candidatos e partidos de esquerda não tinham conquistado tantos votos a ponto de eleger alguém para a presidência. Anterior a ele, estava no poder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), reeleito em primeiro turno nas eleições de 1995. 

Após a eleição de Lula, que permaneceu no cargo por dois mandatos consecutivos, veio a ex-presidente Dilma, também do PT. E logo após, foi eleito o atual mandatário Jair Bolsonaro. Para Galvão, a narrativa de todas as disputas eleitorais, desde a redemocratização no Brasil, sempre esteve enquadrada como: o discurso da esquerda, personificada pelo PT, e outro candidato. Para ele, o PT “sempre funcionou como um grande centro gravitacional dos partidos de esquerda, contra a narrativa anti-PT, que não era necessariamente uma narrativa de direita. Mas o que acontece é que nas nossas eleições sempre houve essa disputa de narrativas entre PT e anti-PT”, analisa.   

Ao longo dos anos, os discursos entre candidatos são sempre pautados nas diferenças ideológicas entre direita e esquerda, o que norteia também as campanhas eleitorais. No entanto, no atual momento histórico político vivido no país, esse tipo de narrativa talvez não seja suficiente para eleger Lula ou reeleger Bolsonaro, pois ambos os lados estão com altos índices de rejeição. 

“A esquerda personificada pelo PT, principalmente o PT que ainda sofre uma grande rejeição ainda pelos escândalos de corrupção que vêm desde o governo Lula. E a direita personificada pelo presidente Jair Bolsonaro sofre também de grande rejeição do público eleitoral, principalmente por causa dos resultados da economia nos últimos tempos e também pela forma como a pandemia foi gerenciada”.

Galvão avalia que a rejeição que ambas ideologias ganharam, na personificação dos governos Lula e Bolsonaro, faz com que a terceira via seja uma chance de novos rumos para o país. “A terceira via aparece como uma janela de possibilidade para que dessa vez, se valendo da rejeição da direita e da esquerda, possa atrair para si esses votos e criar uma candidatura à presidência que seja de fato competitiva eleitoralmente para 2022”, diz.    

De acordo com uma pesquisa feita pela XP/Ipespe, em um cenário com Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes (PDT), Sergio Moro (ex-ministro da Justiça), Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro da Saúde) e Eduardo Leite (PSDB), o ex-presidente Lula seria eleito com 40% dos votos, Bolsonaro receberia 24% dos votos, as demais intenções de votos ficam divididas entre os demais. 

Outra estudo, também produzido pela XP/Ipespe, onde entram na lista João Doria (PSDB), o apresentador Datena (PSL) e o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), Lula e Bolsonaro ainda lideram as intenções de votos, com 37% e 28%, respectivamente. Uma pesquisa feita pelo DataFolha, publicada em julho deste ano também apontou resultados semelhantes. Ou seja, por enquanto, nenhum nome apontado como terceira via conseguiu alcançar um número expressivo de votos nas pesquisas.  

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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