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Eleições Colômbia: Admirador de Hitler ou apoiado por miliciano contra esquerda

Eleições Colômbia: Admirador de Hitler ou apoiado por miliciano contra esquerda
Rodolfo Hernandez, político da Colômbia seguidor de Hitler (Foto: reprodução / Notícias Caracol)

Desde 2002 a Colômbia é governada por líderes de direita e extrema-direita. Mas, neste ano, a campanha de Gustavo Petro, tem alcançado um feito inédito nos últimos pleitos: ampla vantagem da esquerda, com quase 40% das intenções de votos, segundo os últimos levantamentos, contra 25% do segundo colocado que representa a direita conservadora no país, Federico “Fico” Gutiérrez. Porém, o clima de “já ganhou” tem dado lugar a preocupação no núcleo da campanha de Petro, pois os últimos levantamentos têm demonstrado crescimento do terceiro colocado nas pesquisas, que já se declarou admirador de Hitler, Rodolfo Hernandéz.

Trata-se de um empresário multimilionário, com uma fortuna avaliada em mais de US$ 100 milhões, e que defende “expulsar” a classe política do país. Investigado por corrupção, prega perseguição aos corruptos. Ele saiu de 13% para 20% em poucas semanas, o que tem preocupado os democratas do país. Sua estratégia de campanha é focada nas redes sociais, onde publica uma mescla de vídeos com discursos radicais e memes de si mesmo, semelhante ao que Jair Bolsonaro (PL) fez no Brasil e Donald Trump (REPUBLICANO) fez nos Estados Unidos.

“A chave para sair da pobreza é: expulsar todos esses políticos ladrões que nos deixaram imersos na pobreza”, disse recentemente. “Sou seguidor de um grande pensador alemão. Seu nome é Adolf Hitler”, afirmou em 2016 em entrevista à rede de rádio RCN.

Há outros três candidatos no pleito, mas sem chances reais de vitória. Quase 15% da população afirma seguir indecisa.

Segundo lugar é apoiado por Uribe

O segundo lugar nas pesquisas, Fico Gutiérrez é apoiado por Álvaro Uribe, que presidiu o país de 2002 a 2010 e tem apoiado candidaturas vencedoras desde então, como é o caso do atual presidente Ivan Duque. O temor na oposição é que Fico dê continuidade para a política uribista, que adotou o massacre como ferramenta de governo para, supostamente, combater o narcotráfico. Segundo o cientista político Andrés Ávila, da Pontifícia Universidad Javeriana, da Colômbia, Gutiérrez “tenta ser uma versão 2.0 de Uribe”. A declaração foi dada à AFP.

Uribe é acusado de ter apoiado e financiado a criação do grupo paramilitar Bloque Metro, um braço das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Criadas nos 1980, as milicias ganharam força e foram anistiadas pelo governo de Uribe. Testemunhas afirmam que houve realizações de exercícios paramilitares nas propriedades do ex-presidente.

Segundo a Justiça Especial para a Paz (JEP), o governo de Uribe foi responsável por ao menos 6.400 assassinatos de civis inocentes, em um caso que ficou conhecido como “falsos positivos”.

Na tentativa de mostrar para a população de que tinha eficiência no combate ao crime organizado, Uribe criou recompensas em dinheiro, medalhas, férias, promoções e outras vantagens para militares que assassinavam rebeldes oposicionistas, com incentivo maior para a eliminação dos esquerdistas radicais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Logo iniciou-se assassinato de pessoas inocentes, que eram retiradas de seus vilarejos isolados sob a promessa de trabalho. Levados aos campos, os oficiais do governo assassinavam esses cidadãos e os vestiam com fardas das Farc para receberem as recompensas.

Tensão pré-eleição

Desde a gestão uribista, as eleições na Colômbia acontecem sob o clima de tensão e violência. Neste ano, não é diferente. A campanha de Gustavo Petro mostra-se preocupada com a segurança do candidato e tem reforçado a segurança. Nos últimos atos de campanha, Petro tem discursado sob a proteção de guarda costas com escudos blindados.

O voto não é obrigatório na Colômbia e a expectativa é que menos 60% dos eleitores compareçam.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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