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EM 36 ANOS, MINERAÇÃO CRESCEU MAIS DE 564% NO BRASIL, APONTA ESTUDO

EM 36 ANOS, MINERAÇÃO CRESCEU MAIS DE 564% NO BRASIL, APONTA ESTUDO
Foto: Divulgação / ISA

Nesta segunda-feira (30), o MapBiomas, projeto do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC), divulgou um novo relatório sobre os índices de mineração e garimpo no Brasil. De acordo com o estudo, nos últimos 36 anos, a área de mineração cresceu cerca de 564%. Já o garimpo, nos últimos 10 anos, cresceu 301% em áreas de conservação e 495% em terras indígenas. 

O levantamento feito com base em imagens de satélites e em inteligência artificial mostra que quando se trata do garimpo, quase toda exploração é realizada na Amazônia (93,7%) e menos da metade é feita pela indústria legalizada (49,2%). A mineração em terras indígenas e áreas de conservação é proibida por lei, mesmo assim, a atividade segue sendo exercida nesses locais. Dos registros de garimpo em 2020, 40% é em áreas de conservação e 9% em terras indígenas.

mineração garimpo ilegal
Foto: Divulgação / ISA

A mineração industrial em um conceito simples, conforme explicou um dos representantes do MapBiomas Cesar Diniz durante a apresentação do estudo, é a atividade de extração de minerais de valor econômico ou outros materiais geológicos da crosta terrestre. Essa extração é feita por maquinários ou humanos que cavam buracos em busca de ouro e outros minérios, ele é processado, transportado e vendido.

“Desde 1985 até 2020, nós saltamos de 31 mil hectares para 206 mil ha, isso incluindo tanto a mineração industrial quanto o garimpo”, disse o professor da Universidade Federal do Pará e integrante do projeto, Pedro Walfir. Os dados foram separados em atividades de garimpo e mineração industrial. “Hoje a gente tem mais área de garimpo do que de mineração industrial”, disse Walfir. Ele explicou que o crescimento de minérios como ouro e ferro tem relação direta com o aumento da exploração. 

“Antes de 2000, o preço das commodities era muito estável, a partir de 2010, há um crescimento tanto do ouro quanto do ferro e a partir de 2008, há uma escalada no preço das commodities como nunca tinha se visto antes. Isso é um motor da economia, então existe uma relação muito grande entre o preço das commodities e o aumento das áreas mineradas no país”, explicou. 

Dentre as terras indígenas que mais registraram garimpo nos limites do território estão as TI dos Kayapó (7.602 ha); Munduruku (1.592 ha); Yanomami (414 ha) e Sawrp Muybu (128 ha). Das áreas de conservação: Apa do Tapajós (34.740 ha); Flona do Amaná (4.150 ha); Parna do Rio Novo (1.752 ha) e Flona do Crepori (1.281 ha).  

Desmatamento e mineração

O grande avanço do garimpo também aumenta o desmatamento no país. Segundo o MapBiomas, em 2020, 24 árvores foram cortadas a cada segundo. No dia mais crítico de desmatamento, 31 de julho, foram desmatados 4.968 hectares, quase 575 m2 por segundo. O Alerta aponta que o desmatamento subiu 14% no ano passado; 99,8% dos desmates têm indício de ilegalidade e só 2% tiveram alguma providência do Ibama. 

Em nota, o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, afirma que o desmatamento aumentou em todos os biomas e que o grau de ilegalidade continua muito alto. “Para isso, é preciso garantir que o desmatamento seja detectado e reportado e que os responsáveis sejam devidamente penalizados e não consigam aferir benefícios das áreas desmatadas”.

“Em mais de dois terços dos casos, também é possível saber quem é o responsável. É preciso que os órgãos de controle autuem e embarguem as áreas desmatadas ilegalmente e as empresas eliminem essas áreas de suas cadeias de produção”, explicou. 

Confira a apresentação do projeto:

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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