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Endometriose: tudo que você precisa saber sobre a “doença da Anitta”

Endometriose: tudo que você precisa saber sobre a “doença da Anitta”
(Foto: Sora Shimazaki - Pixabay)

Mesmo sendo uma doença que afeta cerca de 10% das mulheres brasileiras, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a endometriose só se tornou tema de discussão e conscientização nas redes sociais após o desabafo da cantora Anitta, que revelou seu diagnóstico em 08 de julho e anunciou que passará por uma cirurgia.

Em sua conta no Twitter, Anitta alertou suas seguidoras sobre a invisibilidade da doença no Brasil, pois poucas mulheres conseguem identificar que dores frequentes, inchaços abdominais e dor nas relações sexuais não são sintomas normais. “Procurem mais de um médico, mais de uma opinião. Se um não resolver, vai para outro. Não é normal a gente viver com essa dor assim”, afirmou.

A endometriose é uma doença crônica do sistema reprodutor feminino, mais frequente entre mulheres de 25 a 35 anos de idade. Ela é caracterizada quando o tecido da camada interna do útero, que geralmente sai durante o período menstrual, começa a crescer fora dele. Esse crescimento do tecido uterino fora do útero funciona como uma cola em outros órgãos da mulher, podendo “grudar” no intestino, na parede vaginal, na bexiga e nas tubas uterinas, gerando até mesmo infertilidade em mais de 30% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Endometriose.

No Brasil, sete milhões de mulheres sofrem com essa doença inflamatória e crônica, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A nível mundial, são 180 milhões de mulheres. Os principais sintomas da endometriose incluem cólica no período menstrual, dor durante as relações sexuais e dor pélvica crônica, evacuações dolorosas, diarreia ou constipação durante a menstruação, dor ao urinar, saída de secreção, sangue ou dor no umbigo, distensão abdominal e fadiga crônica.

Embora a endometriose possa provocar infertilidade, existem tratamentos para aumentar as chances de gravidez, como a cirurgia que a própria Anitta irá fazer. Apesar de não melhorar as taxas de sucesso de uma possível fertilização, o procedimento cirúrgico aumenta as taxas de gestações espontâneas. Já o tratamento hormonal consegue controlar os sintomas, mas não resolve a endometriose, pois a doença não tem cura.

As causas da endometriose incluem fatores hormonais, imunológicos, relacionados ao estilo de vida e, principalmente, ao quesito genético. “Quando existe um antecedente familiar de endometriose, a chance de ter o diagnóstico é muito maior – está estimado entre 5 a 7 vezes maior que a população geral”, explicou o ginecologista Tomyo Arazawa. Além disso, hábitos como alimentação inadequada e imunidade baixa por conta de privação de sono influenciam a progressão dos sintomas da endometriose.

Apesar de o diagnóstico precoce ser fundamental para o tratamento da doença, muitas mulheres não procuram um ginecologista por acreditarem que é normal sentir fortes cólicas menstruais. Segundo documentos da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), as pesquisas científicas apontam que o intervalo médio entre o início dos sintomas até o diagnóstico varia, mundialmente, entre sete a 10 anos. 

Além disso, o despreparo e o desconhecimento dos próprios ginecologistas pode dificultar o diagnóstico correto. No caso de Anitta, a doença foi descoberta após nove anos sofrendo com dores causadas por inflamações na bexiga, as quais foram classificadas erroneamente como cistites de repetição. O diagnóstico da doença geralmente é feito com exames clínicos e  radiológicos, como ressonância e ultrassom transvaginal com protocolo específico para endometriose.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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