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ESTUDO MOSTRA CONTRIBUIÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS PARA A AGRICULTURA URBANA

ESTUDO MOSTRA CONTRIBUIÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS PARA A AGRICULTURA URBANA

O engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Tomaz Lanza, estudou durante quatro anos (2016 a 2020) o sistema agrícola dos indígenas da etnia Kaxinawá de Nova Olinda, em Feijó, no interior do Acre (AC). Para o professor, os conhecimentos da agricultura desses povos trazem uma enorme contribuição para o cultivo agrícola na área urbana.

O estudo, apresentado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP), em 2020, avaliou os produtos cultivados pelos indígenas e as frutas encontradas na floresta. Ao todo, 115 espécies de plantas consumidas na comunidade foram catalogadas. Destas, 50 foram consideradas como cultivadas, por exemplo, milho, banana, cará, taioba, entre outras.

Para o pesquisador, os conhecimentos das comunidades tradicionais sobre o plantio e colheita trazem ensinamentos riquíssimos para a agricultura urbana. “Agricultura não é só tirar floresta, plantar e colher soja. A agricultura, independente do modelo, depende da natureza, do clima, da chuva, dos animais, dos microorganismos. Então esse entendimento talvez seja o grande aprendizado”, explica. “Há um respeito pleno à natureza, aos sinais, ao que a natureza ensina para ser incorporado nos sistemas de produção”, aponta.

Lanza explica que o papel das populações indígenas na conservação da biodiversidade está ligado à conservação do meio ambiente, com a plantação de diversos tipos de plantas comestíveis e medicinais. A variabilidade dessas plantações vai muito além do que é visto nas áreas urbanas.

“Entender que a conservação da biodiversidade está totalmente aliada à conservação do meio ambiente é extremamente importante, porque é a biodiversidade que traz mais estabilidade para os sistemas agrícolas”, disse o pesquisador em entrevista ao jornalista Erick Mota no programa Regra Entrevista

As invasões causadas por garimpos ilegais e pelo desmatamento a essas terras causam às populações indígenas inúmeras perdas e ameaças à integridade física e psicológica desses povos. Lanza aponta que os impactos das negligências contra os indígenas é muito maior e põe em risco todo o conhecimento e cultura desses povos. “O impacto da pandemia é em diversas esferas”, disse. 

Lanza é atuante na área de agroecologia focada em comunidades tradicionais e assentamentos rurais, é consultor agroambiental e sócio na startup Oportunidades Ambientais (@oportunidadesambientais) que reúne e divulga vagas do setor ambiental por meio do Instagram e Telegram, de forma gratuita.

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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