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EUA alertam Bolsonaro: se tentar golpe, terá reação séria

EUA alertam Bolsonaro: se tentar golpe, terá reação séria
residente da República, Jair Bolsonaro, durante Reunião bilateral com o senhor Donald J. Trump, ex-presidente dos Estados Unidos da América. (Foto: Alan Santos/PR)

Diante das constantes ameaças do presidente Jair Bolsonaro (PL) de não respeitar o resultado das próximas eleições, o diplomata norte-americano Arturo Valenzuela enviou um recado para o mandatário: se não respeitar o resultado das eleições de 2022, o Brasil vai sofrer consequências. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Segundo o diplomata, caso o atual presidente siga ameaçando a democracia e, com isso, escolha não passar o cargo ao eleito em outubro, as consequências serão sérias e aplicadas também por outras nações. “Acho que não só os EUA, mas os países pelo mundo que estão preocupados com questões assim vão levar isso muito a sério, assim como muitos brasileiros”, afirmou ao jornal.

O diplomata disse que os Estados Unidos enfrentaram problemas no campo democrático nos últimos anos e que, assim como eles fizeram por lá, ele espera que o Brasil consiga retomar o papel das instituições. “Precisamos deixar claro que não se trata de os EUA darem exemplo para o mundo. Os EUA têm mostrado ter alguns problemas significativos com a própria democracia, e isso requer mudanças e reformas. O Brasil enfrentará o mesmo tipo de coisa. Então, espero que sejamos capazes de voltar a um ponto em que, junto com europeus e a América Latina, possamos colocar o foco em tentar reconstruir as instituições, de modo a ter um mundo mais pacífico”, declarou.

“É preciso haver um esforço constante para fortalecer as instituições. Há certa fragmentação das forças políticas no mundo, falta coesão, mas estou confiante de que vamos ver forças se unindo —e será o caso do Brasil também”, avaliou na entrevista para a Folha.

Ele também disse acreditar que o país conseguirá superar o momento de tensão gerado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. “Sou otimista. Trabalhei no Brasil como pesquisador acadêmico por muitos anos. Fui convidado para ir ao Brasil quando a democracia foi restabelecida, para discutir como fortalecer as instituições. Estou bem confiante de que esse momento difícil será superado, mas não será fácil. Vemos uma fragmentação das instituições e a falta de partidos fortes e coesos”, disse.

Bolsonaro é uma ameaça constante à democracia

Em janeiro deste ano, um relatório da ONH Human Rights Watch (HRW) publicado apontou que o presidente Bolsonaro “ameaçou os pilares da democracia no Brasil ao tentar minar a confiança no sistema eleitoral, a liberdade de expressão e a independência do judiciário”. O relatório dedica um grande espaço para listar a deterioração das instituições e as violações aos direitos humanos no Brasil ao longo de 2021. Entre as violações, a ONG chama atenção para a letalidade policial, desmatamento e ameaças aos povos indígenas.

A HRW resgata o histórico de ataques do presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF), “que conduzia quatro investigações sobre sua conduta, incluindo se interferiu em nomeações da Polícia Federal a fim de promover seus interesses pessoais, e se cometeu prevaricação em relação a um caso de suposta corrupção envolvendo a compra de vacinas para a Covid- 19”. Bolsonaro chegou a pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moares e, no ápice dos ataques, chegou a dizer que não cumpriria mais decisões do ministro.

Os ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral também não passaram despercebidos no relatório. “O presidente Bolsonaro procurou desacreditar o sistema eleitoral brasileiro, alegando fraude eleitoral sem nenhuma evidência. O Congresso rejeitou uma emenda constitucional defendida por Bolsonaro para mudar o processo eleitoral. Em seguida, Bolsonaro sinalizou que poderia cancelar as eleições, a menos que suas propostas fossem implementadas”, traz o documento.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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