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Ex-Twister, Sander Mecca se liberta de drogas, mentiras e demônios em novo livro

Ex-Twister, Sander Mecca se liberta de drogas, mentiras e demônios em novo livro
Sander Mecca. Foto: Reprodução/@sandermecca

Preso pela fama, preso pela Justiça, preso pelas drogas. No entanto, liberto por meio das palavras. Em novo livro, Sander Mecca, ex-Twister e sucesso da música brasileira nos anos 2000, pôde se redimir. “Quando eu saí da cadeia, eu achei que eu não fosse passar por nada pior do que lá. Mas a dependência química foi me levando para lugares que eu jamais imaginei passar. Essa prisão que eu não vejo, mas que eu sinto, foi muito pior do que a prisão no sentido literal da palavra”, conta ele. São as “Correntes Invisíveis” de Sander, segundo trabalho literário do artista, depois de “Inferno Amarelo”, escrito enquanto esteve encarcerado (2003-2005). 

O novo livro não é apenas para o público. É também, e talvez muito mais, para o próprio Sander. O transcorrer das páginas acompanhou o processo terapêutico do músico, que entendeu a necessidade de um mergulho no tratamento para “ficar limpo”. Entre recaídas nas drogas, ele conheceu o verdadeiro problema: adicção, um distúrbio neuropsicológico responsável por causar o incontrolável desejo de consumir determinada substância. Um desejo insaciável, um desejo que acorrenta.

“Se eu beber um gole de cerveja eu viro um demônio, vou parar depois de uma semana, depois de ter acabado com todo meu físico, meu dinheiro”, desabafa. O álcool, aliado aos remédios, foi o pior demônio do inferno particular do ex-Twister. Preso por tráfico sem ter sido traficante, como ele diz, Sander admite já ter sido a favor da legalização do uso de determinadas drogas, como a maconha, mas as próprias dificuldades em se distanciar de entorpecentes o fez mudar de posição. Ele relembra acordar, em um dos surtos, em uma cela, sem saber porquê e onde estava. Tudo por causa da condição médica.

“Correntes Invisíveis”, inclusive, foi a oportunidade de Sander fazer um mea culpa, confessar que mentiu com a intenção de mascarar os vícios. “Quando eu escrevi o Inferno Amarelo, eu ainda não sabia que eu era doente. Eu achava que eu tinha controle da droga. Eu não tinha consciência. Eu camuflei algumas coisas. No primeiro livro, eu disse que quando eu entrei na cadeia eu parei de usar drogas. Na verdade, eu comecei a usar cocaína todos os dias, saí de lá completamente viciado”, desmente o artista.

Mesmo quem frequentou programas televisivos de grande audiência, teve músicas ouvidas nas rádios e carrega até hoje o legado de uma geração formada por boy bands pode se desfazer de parte da trajetória após colocar os pés dentro de um presídio. Pelo menos, aos olhos dos contratantes. Depois de cumprir a pena, “muitas portas foram fechadas. Na época, tiveram alguns presidentes de gravadoras, grandes nomes, que me conheciam, que disseram: ‘o Sander acabou com a carreira dele”. O artista foi condenado após ser apreendido com ecstasy, LSD e cocaína aos 19 anos. 

Correntes Invisíveis, segundo livro de Sander Mecca. Foto: Reprodução/@sandermecca

Com duas décadas a mais de existência, Sander não busca mais bater à porta das gravadoras e grandes nomes da época, nem das gravadoras e grandes nomes da atualidade. Longo do holofote, está, enfim, bem. “Eu não penso mais como eu pensava quando eu era adolescente, que eu queria a fama e paguei qualquer preço por ela. Paguei o preço para ser famoso”, conta. O artista alega ter sofrido abuso sexual de um empresário do Twister, que já teria tentado agredi-lo diversas vezes desde que ele tinha 15 anos. “Não é a fama que eu quero. É fazer arte, seja ela como for”.

Com esposa – admiradora desde o Twister e do cabelo espetado – e à espera de uma filha, Sander Mecca planeja abrir um restaurante para continuar os trabalhos de cozinha que toca desde o início da pandemia. Depois de descobrir que “as pessoas ficam sem consumir arte, mas não ficam sem comer”, o artista investiu na ideia, que se tornou a principal fonte de renda. 

Com a possibilidade de falar abertamente pelas linhas de mais um livro, sem a preocupação em ser rotulado por fulano ou ciclano, Sander faz lançamento oficial do trabalho em 17 setembro, já com quase 500 cópias vendidas por ele mesmo. A comunidade de leitores, ouvintes, fãs e, inevitavelmente, seguidores nas redes sociais é restrita, mas fiel. E com eles, após deixar as trevas e alcançar o sucesso pessoal, Sander é ele mesmo. Não ex-twister, ex-presidiário ou ex-usuário de drogas. Mas futuro pai, quem sabe chefe de cozinha e certamente mais um sobrevivente.

Eduardo Veiga

Estudante de Jornalismo e redator freelancer. Já trabalhou em Rádio Banda B, Portal Banda B e publicou no Jornal Plural. Atualmente, é estagiário no Regra.

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