EXONERADO DIRETOR DE LOGÍSTICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE QUE TERIA PROPOSTO PROPINA DE US$1 POR DOSE DA VACINA ASTRAZENECA

O Ministério da Saúde anunciou em nota no final desta terça-feira (29) a exoneração do diretor de Logística, Roberto Ferreira Dias. A informação foi confirmada posteriormente por Marcelo Queiroga, ministro da pasta, à reportagem da CNN.

Segundo o ministério da Saúde, essa decisão teria sido tomada pela manhã e não seria fruto das denúncias do jornal “Folha de São Paulo”, em que o empresário Luiz Paulo Dominquetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, afirmou que teria recebido o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina da Astrazeneca em troca do fechamento do contrato como o Ministério da Saúde.

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

De acordo com a denúncia do jornal, o diretor de Logística do Ministério teria feito essa proposta de propina em um jantar em Brasília, mas o acordo não chegou a ser fechado. A Folha de S. Paulo ainda apontou que Roberto Dias teria sido indicado ao cargo pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

Barros prontamente se defendeu e afirmou em nota que “em relação à matéria da Folha de São Paulo, reitero que a nomeação de Roberto Ferreira Dias no Ministério da Saúde ocorreu no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando eu não estava alinhado ao governo.  Repito a informação que já disse à imprensa: não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati”, declarou.

Senadores pedem impeachment de Bolsonaro depois de polêmicas na compra da vacina Covaxin

Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contrato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a notícia-crime que acusa o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) de prevaricação no caso do suposto esquema ilegal de compra bilionária da vacina Covaxin, conhecida também como “vacina indiana”. A ministra Rosa Weber será a relatora do caso.

Na última sexta-feira (26), em depoimento à CPI da Pandemia, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, esclareceram sobre os apontamentos que fizeram de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin. Luis Miranda relatou que informou ao presidente Bolsonaro, durante uma reunião, as possíveis irregularidades Ministério da Saúde e que o presidente teria afirmado que sabia do envolvimento do deputado Ricardo Barros (PP-RR), líder do governo na Câmara, e que iria alertar a Polícia Federal, mas não o fez.

Os senadores, que são representados pelo advogado Ruben Bemerguy, destacam que Bolsonaro deveria ter solicitado instauração das investigações necessárias para a apuração do esquema e interrompido as negociações com a empresa responsável. Porém, segundo o documento enviado ao STF, ao invés disso, o que aconteceu foi uma agilidade maior na compra das vacinas, mesmo com os indícios de graves irregularidades.

Segundo os parlamentares, o presidente deveria ter comunicado as autoridades competentes, mas fez o contrário, cometeu o crime de prevaricação, deixando de praticar o ato de ofício visando apenas um interesse pessoal. A notícia-crime ainda ressalta que isso pode caracterizar improbidade administrativa, que no caso do presidente da República, é tipificada como um crime de responsabilidade e deve ser apurado num eventual processo de impeachment.

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