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Problemas econômicos na gestão Macron estimulam avanço da extrema-direita nas eleições da França 

Problemas econômicos na gestão Macron estimulam avanço da extrema-direita nas eleições da França 
Palácio do Eliseu, centro da política francesa. Foto: Divulgação

Ao todo, 12 candidatos disputaram a vaga de presidente da França no último domingo (10). No primeiro turno das eleições, o atual presidente francês Emmanuel Macron (partido Em Marcha!) e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen (partido Reagrupamento Nacional) atingiram, respectivamente, 28% e 23,2% dos votos. Embora a macroeconomia francesa tenha alcançado um bom desempenho após a pandemia, o avanço de Le Pen na disputa eleitoral se justifica por suas críticas à diminuição do poder aquisitivo da população francesa, que marcou a gestão Macron. Como nenhum candidato atingiu mais de 50% dos votos, haverá segundo turno no próximo dia 24.

No primeiro turno das eleições presidenciais deste ano, o Instituto de Pesquisa Ipsos constatou que 73,8% dos eleitores franceses compareceram às urnas, apesar de o voto ser opcional na França, onde 48,7 milhões de pessoas estão aptas a votar. Além de Macron e Le Pen, os demais candidatos que alcançaram uma quantidade significativa de votos foram Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), com 21,7%; e Éric Zemmour (Reconquista), com 7%. 

Na macroeconomia, Macron aproximou-se de sua promessa de campanha de baixar a taxa de desemprego para 7%, mesmo após a pandemia da Covid-19. Atualmente, o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos constatou que a taxa de desemprego na França está em 7,4%. Porém, a despesa geral dos lares franceses está maior, fazendo com que a população se preocupe mais com a diminuição de seu poder aquisitivo do que com a segurança pública, imigração (temas da direita e da ultradireita) ou macroeconomia (tema de Macron). Dessa forma, as pautas mais importantes para os candidatos à presidência incluem propor soluções para reduzir o preço da energia elétrica, aumentar a geração de empregos e ampliar o acesso à moradia própria e ao aluguel popular. 

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Le Pen avança com pautas econômicas, conservadoras e nacionalistas

Durante comício realizado em 07 de abril, a candidata de extrema-direita à presidência Marine Le Pen mobilizou eleitores em Perpignan, no sul da França. Em seu terceiro ano na disputa à presidência, Le Pen tem grandes chances tanto de chegar ao segundo turno quanto de ganhar as eleições. “Não nos absteremos, especialmente se estivermos conscientes de que mais cinco anos de Macron nos levarão a pontos de não retorno, a um período de cinco anos sem limites, a um período de cinco anos de desconstrução nacional e desolação social”, declarou a candidata.

A candidata de extrema-direita planejou sua campanha com base em críticas à política elitista de Mácron, apresentado como “presidente dos ricos” pela campanha de Le Pen. Em seu discurso, Marine ressaltou a diminuição do poder aquisitivo dos franceses, que marcou a gestão de Mácron. Mesmo com um direcionamento nacionalista, Le Pen ganhou protagonismo político ao focar em questões e propostas econômicas. 

Inflação e crise energética prejudicam imagem pública do governo Macron 

A retomada econômica no período pós-pandemia provocou um aumento da inflação na França, que atualmente gira em torno de 3%, segundo o escritório de estatísticas do Banco Central Europeu, Eurostat. Na Europa, a inflação atingiu 5%. As restrições de circulação de pessoas, a redução na produção industrial e o aumento nos preços das matérias-primas foram os principais fatores que influenciaram o aumento da inflação na Europa e no mundo. 

Embora a matriz energética francesa tenha apenas 20% de sua capacidade dependente do gás natural russo, a guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe o aumento de 4% na conta de energia elétrica na França, fazendo com que a população pagasse mais caro por aquecimento doméstico nos meses de inverno. 

Com o objetivo de driblar a crise energética, o presidente Emmanuel Macron (Em Marcha!) anunciou, em 10 de fevereiro, um estímulo governamental para a produção de energia nuclear. O anúncio ocorreu antes da guerra promovida pela Rússia na Ucrânia, e marcou uma mudança na proposta original de governo de Macron. 

Em 2017, o atual presidente francês anunciou que pretendia abandonar a geração de energia nuclear, da qual a França é o segundo maior gerador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Já em 2022, Macron anunciou a encomenda de seis reatores de energia nuclear até 2050 e a possibilidade de construir outros oito. “A França está escolhendo sua independência e liberdade”, afirmou Macron. 

A declaração do presidente se refere à defesa da soberania nacional e à continuidade na geração de energia, temas que preocuparam a população, sobretudo após a aplicação de sanções econômicas à Rússia, no contexto da guerra contra a Ucrânia. A decisão de Macron foi contrária, inclusive, à política energética de outros membros da União Europeia, como a Alemanha, que adota um programa de eliminação progressiva da energia nuclear. 

Durante a pandemia, a gestão Macron também investiu em programas de seguridade social na pandemia, assim como a maioria dos países. O governo francês distribuiu vales de 100 euros (R$ 581) para ajudar as famílias a pagarem as contas de energia e mais 100 euros em “cheques-inflação” para as famílias mais pobres, como uma forma de aplacar os efeitos da perda do poder de compra. Porém, como esse programa de transferência de renda é momentâneo, não há resposta a médio e longo prazo para ajudar os franceses a lidar com a alta de preços e a diminuição do poder aquisitivo nacional. 

Possível vitória de Le Pen nas eleições pode comprometer a posição da França na União Europeia

Atualmente, a França está no comando da presidência rotativa da União Europeia. Dessa forma, a vitória de Marine Le Pen representaria um afastamento do país em relação ao bloco econômico europeu e a OTAN. Desde 2017, Le Pen declara abertamente seus planos de convocar um referendo sobre o Frexit, isto é, a saída da França da União Europeia. Com esse movimento político, a candidata de extrema-direita à presidência pretende abandonar o euro e retomar o controle das fronteiras para reduzir a imigração.

Macron e Le Pen empatam tecnicamente no segundo turno 

Segundo pesquisa do instituto Ipsos com 1.000 eleitores e o jornal britânico The Guardian, Macron teria 54% das intenções de voto no segundo turno, contra 46% de Le Pen. Essa última pesquisa parcial para o segundo turno é mais favorável a Macron do que a elaborada pelo Político Europe, em 8 de abril. 

Candidatos escolhem um lado

Em sua campanha, o ex-jornalista do periódico conservador Le Figaro Éric Zemmour defendeu pautas nacionalistas e xenófobas, repudiando os protestos dos “coletes amarelos” e a existência de uma comunidade muçulmana francesa. Por isso, devido à afinidade nos ideais nacionalistas, Zemmour declarou apoio a Marine Le Pen no segundo turno. 

Já o candidato do partido de esquerda França Insubmissa Jean-Luc Mélenchon declarou apoio a Macron no segundo turno.  Em sua campanha, Mélenchon propôs uma jornada de trabalho semanal de 32 horas, aposentadoria de homens e mulheres aos 60 anos e a retirada da França da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). 

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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