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FRENTE INDÍGENA ACIONA O MPF SOBRE IMPACTO DE FAKE NEWS NA VACINAÇÃO

FRENTE INDÍGENA ACIONA O MPF SOBRE IMPACTO DE FAKE NEWS NA VACINAÇÃO
Fonte: Reprodução/FPMDDPI

A coordenadora da Frente Parlamentar Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI), Joenia Wapichana (REDE-RR), enviou nesta quinta-feira (25) um ofício em que pede ao MPF investigação sobre o impacto das fake news na vacinação dos povos indígenas. Segundo relatos, no dia 2 de fevereiro, um helicóptero da Força Aérea Brasileira foi recebido às margens do rio Purus por homens e mulheres com arcos e flechas, impedindo que agentes de saúde e doses de vacina contra o coronavírus entrassem na terra indígena dos Jamamadi, no município de Lábrea, no sul do Amazonas.

O povo Jamamadi está sujeito a uma política específica por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai) e é considerado grupo prioritário para receber o imunizante, assim como os 410 mil indígenas adultos em aldeias brasileiras, número especificado no Plano Nacional de Vacinação. O motivo dessa reação com a equipe e a não aceitação da vacina seria o temor de que ela tenha um efeito contrário do anunciado. Os Jamamadi pedem o retorno de um missionário americano proibido de entrar na região pela Funai, para que ele os oriente sobre as questões da vacina.

Fonte: Reprodução/FPMDDPI

Outras comunidades amazonenses estão sendo influenciadas por pastores evangélicos e se recusam a receber os imunizantes. Perpétua Tsuni, liderança do povo Kokama, revelou em entrevista que líderes religiosos espalham entre os membros das comunidades que o imunizante os transformaria em animais homossexuais, ou os mataria e que além disso um chip seria implantado e que seria a ‘marca da besta’. Esse tipo de fake news está provocando conflito entre os líderes das comunidades que querem os imunizantes e indígenas evangélicos que seguem acreditando nessas pregações.

O mesmo cenário está sendo presenciado em outras comunidades, como do Vale do Javari, que tem a maior concentração de povos isolados do mundo. “Aldeias já disseram à Sesai que não irão aceitar a vacina”, conta Beto Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava). “A atuação de grupos religiosos nesse contexto de pandemia é tão nefasta quanto o coronavírus. Isso nos desestabiliza, cria incerteza, desconfiança com a vacina”, declara. Essa campanha de desinformação é difundida via áudios e vídeos pelo celular, pelo sistema de radiofonia entre as aldeias e por cultos presenciais. No Maranhão a maior influência seria da igreja Assembleia de Deus.

Joenia ressalta que a desinformação propagada pelo governo federal sobre a pandemia e a segurança das vacinas, atinge gravemente as comunidades indígenas, já que essas mentiras precederam as vacinas, via mensagens de whatsapp e outras fontes.

“Considerando a reconhecida vulnerabilidade epidemiológica dos povos indígenas, a dificuldade de acesso à vacinas, inclusive logística e mais recentemente o início de pressão para que as vacinas destinadas aos indígenas ainda não utilizadas tenham outro destino, solicito que se tomem as providências necessárias para investigar o impacto que a fakes news propagadas tem sobre a vacinação dos povos indígenas e punir os responsáveis pelas possíveis condutas criminosas”, declarou Joenia em ofício, pedindo que medidas sejam tomadas urgentemente.

*Fonte: FPMDDPI

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