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Garimpeiros invadem Rio Madeira e ameaçam órgãos de fiscalização ambiental

Garimpeiros invadem Rio Madeira e ameaçam órgãos de fiscalização ambiental
Foto: Adriano Gambarini/WWF-Brasil

Centenas de balsas e dragas usadas por garimpeiros para extração de ouro atracaram no Rio Madeira, no Amazonas, nesta semana. A movimentação começou há cerca de duas semanas, quando surgiu a informação de que haveria ouro na região. Áudios obtidos pelo jornal Estadão mostram um suposto garimpeiro falando em montar um “paredão” de balsas, com pessoas ao redor dos equipamentos, para reagir a qualquer tipo de abordagem para fiscalização. O grupo também ameaça órgãos de proteção ambiental, como o Ibama e o ICMBio.

Para obter ouro, as balsas e dragas revolvem o fundo rio, sugam o material para filtrar o ouro e devolvem a água em seguida. O processo é danoso ao meio ambiente e as atividades de exploração mineral naquela região não estão licenciadas, segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Ainda segundo o Ipaam, pode haver outras possíveis ilegalidades na região que devem ser investigadas, como o uso de mão de obra escrava, tráfico, contrabando e problemas com a capitania dos portos.

A Polícia Federal se prepara para uma operação de combate à extração ilegal de ouro na região. Em nota, a corporação afirma que “se encontram em andamento, tratativas interinstitucionais sobre a notícia dos garimpeiros na calha do rio Madeira. Assim que reunidas informações e dados acerca de ações desta Superintendência Regional da Polícia Federal sobre o assunto em questão, encaminharemos para o conhecimento de todos”.

Nos áudios obtidos pelo Estadão, os garimpeiros lembram episódios em que invadiram e incendiaram unidades do Ibama e ICMBio, após agentes dos órgãos destruírem uma de suas balsas, em outubro de 2017.

“Eles só sabem criticar os garimpeiros, mas na realidade, se eles soubessem, o primeiro dinheiro que entra na cidade é o deles. Por isso que uma vez, quando tocaram fogo em uma balsa aqui nós fomos para cima, tacamos fogo no Ibama, tocamos fogo no ICMBio”, diz um dos áudios obtidos pelo jornal. “Vocês que têm muitas balsas aí, fazer um paredão mesmo daqueles, esperar todo mundo na frente da balsa. […] Eles vão respeitar”, diz outro áudio.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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