LÍDER YANOMAMI DIZ QUE GARIMPO ILEGAL É INCENTIVADO POR BOLSONARO E ÓRGÃOS PÚBLICOS

Líder do povo indígena Yanomami, Dario Yanomami denunciou nesta terça-feira (15) a falta de segurança na terra indígena, em Roraima, e acusou o governo federal e órgãos públicos de incentivarem o garimpo ilegal. Dario e outras lideranças estão em Brasília desde semana passada em uma mobilização contra a aprovação de um projeto de lei na Câmara que altera as regras de demarcação de terras indígenas e para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar um recurso sobre a tese do marco temporal. 

Nesta segunda-feira (14), o Ministério da Justiça determinou o envio da Força Nacional de Segurança Pública para atuar na Terra Indígena Yanomami para conter os ataques que o povo tem sofrido com o garimpo ilegal nos últimos meses. 

Desde junho de 2020, o território Yanomami, em Roraima, tem registrado assassinatos e diversos tipos de ataques causados por garimpeiros que exploram a região. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cerca de 20 mil garimpeiros vivem e atuam ilegalmente dentro da Terra Indígena Yanomami.

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A TI Yanomami também sofre com a escalada da violência trazida pelo garimpo ilegal em seu território. No fim do mês passado, a comunidade de Palimiu foi alvo de ataques de garimpeiros, que tentaram invadir a comunidade. 

“Eu estou preocupado. Aconteceu muitos tiroteios, de muitos garimpeiros, morreram nossas crianças durante o tiroteio. Quem vai pagar essas vidas?”, disse Dário em coletiva de imprensa nesta terça-feira, em Brasília. 

Apesar do envio da Força Nacional, o líder indígena diz que a região ainda não está segura dos ataques de garimpeiros. “Nossos parentes no Palimiu estão correndo risco ainda. Não tem segurança hoje. A Polícia Federal, o Estado brasileiro não está atendendo nossas reivindicações. Isso é um problema muito sério. Nós sabemos, os ógãos públicos e as autoridades brasileiras estão apoiando essa atividade de garimpo ilegal para fortalecer a chegada dos garimpeiros”, afirmou. 

Garimpo ilegal é incentivado por Bolsonaro

Para o líder Yanomami, o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que defende abertamente a prática do garimpo em terras indígenas, aumenta a prática do garimpo inlegal e as violências feitas pelos garimpeiros aos indígenas. “Ele está apoiando as atividades ilegais, a exploração de mineração, o PL 490 e vai acabar com a vida dos povos indígenas. Isso é um grande problema do governo Bolsonaro, violação de direitos e violação dos nossos territórios e dos nossos patrimônios culturais”, disse. 

Dário afirma que o posicionamento de Bolsonaro é internacionalmente conhecido e que todas essas práticas de apoio à ilegalidade estão causando danos não só ao meio ambiente e aos povos indígenas como também aos não indígenas. “O Bolsonaro quer acabar com os povos indígenas, não só os indígenas, ele está fazendo coisas ruins para você também”, alertou.    

Palimiu fica às margens do rio Uraricoera, onde garimpeiros exploram o ouro ilegalmente desde a década de 1980. A comunidade fica na rota usada por garimpeiros para chegar aos acampamentos ilegais no meio da floresta. 

Os ataques são recorrentes e, apenas neste ano, outros dois conflitos envolvendo garimpeiros foram denunciados. Um na aldeia Helepi, em fevereiro, e outro na comunidade Palimiu, em abril.

Dario denunciou ainda que as vacinas contra a covid-19 enviadas para imunizar o povo Yanomami têm sido usadas para vacinar garimpeiros, que oferecem ouro em troca do imunizante. “Os garimpeiros estão chegando nos postos e pedindo para aplicar em troca de ouro, é isso que está acontecendo”, narrou. Segundo ele, as denúncias foram enviadas aos órgãos públicos federais e agora a Polícia Federal irá investigar o caso.        

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