GESTÃO PAZUELLO TEVE INTERFERÊNCIA DIRETA DO EXÉRCITO

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid está ouvindo nesta quarta-feira (9) o coronel Antônio Élcio Franco Filho, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello. Élcio Filho chamou atenção logo no início de sua fala ao assumir que os nomes indicados para compor a equipe do ministério foram determinados pelo Exército.

“Destaco que o general Pazuello recebeu sua missão diretamente do presidente da República, com aval do ministro da Defesa e do comandante do Exército. Fomos reforçados com 17 militares da ativa, selecionados e designados pelo Exército, para auxiliar em cargos chaves para uma missão que teria duração de 90 dias”, afirmou em seu discurso inicial. Isso deixou claro que a gestão do então ministro Pazuello teve interferência direta do Exército brasileiro.

Ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Antônio Elcio Franco Filho. Foto: Agência Senado

Filho também deve esclarecer nas oitivas de hoje suas ações nas compras e abastecimento de insumos para os Estados durante a crise sanitária. O coronel foi o número 2 da pasta da Saúde entre junho de 2020 e março de 2021. Os senadores consideram Élcio Filho como um tomador de decisões com poder relevante em relação às ações e possíveis omissões do governo federal durante a pandemia de Covid-19.

Posteriormente, ao ser questionado pelos motivos do ministério da saúde ter resistido tanto à compra das vacinas da CoronaVac, Élcio Filho afirmou que a fase 3 de estudos clínicos de desenvolvimento de imunizantes é considerado um “cemitério de vacinas”, e esse teria sido o aspecto que permeou a compra de todas as vacinas. Segundo o coronel, o ministério tinha incerteza sobre a eficácia da CoronaVac à época. Além disso, Élcio Filho afirmou que não caberia a encomenda naquele momento, devido essas dúvidas, e não havia uma aderência legal para tal negociação.

Atualmente Élcio Filho ocupa o cargo de assessor especial da Casa Civil da Presidência, sendo subordinado ao ministro Luiz Eduardo Ramos. O ex-braço direito de Pazuello ainda responderá outras perguntas sobre essas negociações de vacina, já que, segundo Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina, teria sido o Élcio Filho quem tratou diretamente com a farmacêutica durante as ofertas de doses de imunizantes feitas, e recusadas, pelo governo em 2020.

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